A loja física acabou? Pesquisa mostra que 76% dos brasileiros olham produtos na loja física e compram pela internet

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Shopping lojas comércio Foto: Shopping lojas comércio - Foto: bluestork / Shutterstock.com

A primeira edição da pesquisa Radar Smollan, divulgada nesta sexta-feira (16) pela empresa de soluções para o varejo Smollan, revelou que 76% dos consumidores no Brasil já visitaram uma loja física para ver um produto e finalizaram a compra depois pela internet. O levantamento ouviu 1.828 pessoas em 156 cidades de 25 estados brasileiros durante o mês de agosto de 2026.

Esse hábito de usar o ponto presencial como vitrine antes de recorrer ao comércio eletrônico é chamado no setor varejista de showrooming. O movimento inverso também ocorre com frequência: 81% dos entrevistados afirmaram pesquisar preços na internet antes de efetuar uma compra presencial, enquanto 87% declararam já ter entrado em um estabelecimento físico para buscar um item específico e saído com outro produto.

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“O digital mudou a forma como o consumidor chega à loja, mas não reduziu a capacidade do ponto de venda de influenciar a escolha”, afirma Renato Vechiatto, diretor de operações (COO, executivo responsável pela gestão operacional) da Smollan para a América Latina.

Preferência por lojas físicas no Radar Smollan varia entre alimentos e eletrônicos

A escolha do canal de compra muda de acordo com o tipo de mercadoria procurada pelo cliente e a necessidade de avaliar o item de perto para reduzir a insegurança. Entre os motivos para continuar visitando o comércio tradicional, 46,1% dos participantes do estudo apontaram a possibilidade de ver, tocar ou experimentar o produto pessoalmente como um fator importante, ao passo que 29,2% indicaram a vantagem imediata de sair do estabelecimento já com a compra em mãos.

Site de compras online - SARINYAPINNGAM/Istock.com
Foto: Site de compras online – SARINYAPINNGAM/Istock.com

Nos setores de alimentos perecíveis e de tecnologia, os percentuais de preferência dos consumidores entrevistados pela Smollan dividem-se da seguinte maneira:

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  • Compra de carnes em lojas físicas: 93,4% de preferência dos consumidores;
  • Compra de hortifrútis em lojas físicas: 92% de preferência;
  • Compra de eletrônicos exclusivamente em lojas físicas: 39,6% dos entrevistados;
  • Compra de eletrônicos alternando entre canais físico e digital: 39% dos clientes;
  • Compra de eletrônicos exclusivamente pela internet: 22% do público ouvido.

“O consumidor chega à loja mais informado e, muitas vezes, já tem uma decisão encaminhada. Ainda assim, fatores como preço, disponibilidade, promoções e experiência de compra podem influenciar sua escolha. Para as marcas, isso reforça a importância de garantir que os produtos estejam disponíveis e bem apresentados nas lojas”, declarou Vechiatto.

Preço lidera decisão de compra e falta de estoque afasta 57% dos clientes

A disputa pela preferência do comprador passa diretamente pelo valor cobrado na etiqueta e pela gestão de mercadorias nas prateleiras. Dentro do ponto de venda, as ofertas promocionais são o elemento que mais chama a atenção para 59,6% dos clientes ouvidos em agosto de 2026. Já a falta de itens no mostruário ou no depósito gera perda direta de faturamento: 57% dos entrevistados relataram que já desistiram de uma compra presencial porque não encontraram o que procuravam.

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O levantamento mediu o peso de cada critério na decisão do consumidor e os pontos que exigem correção imediata por parte dos lojistas:

  • Fatores decisivos na hora da compra: preço (77,7%), promoções (61,1%), marca (41,1%), disponibilidade do produto (23,2%) e atendimento (20,6%);
  • Aspectos que mais precisam melhorar nas lojas físicas: disponibilidade de produtos (27%), preços cobrados (20,9%) e integração entre os canais físico e on-line (17,6%).

“A falta de um produto pode levar o consumidor a desistir não apenas daquele item, mas também de continuar comprando na loja. Por isso, garantir a disponibilidade e a boa exposição dos produtos no ponto de venda é tão importante para os resultados das marcas”, disse o diretor de operações da Smollan.

Quando o estabelecimento físico não consegue igualar o valor mais baixo praticado na internet, a orientação do executivo é usar o atendimento presencial para oferecer condições que o ambiente digital não entrega da mesma forma. “Nem sempre será possível cobrir o preço do comércio eletrônico, mas é possível oferecer outras alternativas, como crediário, seguro e acessórios, ou até apresentar outro modelo de produto. A capacitação dos vendedores é importante para que a experiência seja única”, afirmou Vechiatto.

Juros altos e 986 recuperações judiciais pressionam varejo brasileiro em 2026

A mudança no comportamento de compra divulgada em 16 de outubro de 2026 ocorre em um período de restrição no orçamento das famílias brasileiras, provocado por juros elevados, crédito caro e endividamento, somados ao avanço dos marketplaces (plataformas digitais que reúnem vários vendedores). Do lado das empresas, manter portas abertas exige despesas fixas com aluguel, salários de funcionários, manutenção de estoque e logística, o que levou redes tradicionais a fechar unidades menos rentáveis.

No segundo trimestre de 2026, o total de empresas do comércio varejista em recuperação judicial no Brasil atingiu a marca de 986 companhias, um aumento de 20% na comparação com os 819 registros contabilizados no mesmo intervalo de 2025. A lista de empresas que recorreram à Justiça inclui Lojas Marabraz, Grupo Toky (controlador das marcas Tok&Stok e Mobly) e Grupo Casas Bahia, além do Grupo Pão de Açúcar (GPA), que protocolou pedido de recuperação extrajudicial em março de 2026. Apenas em agosto de 2026, o Grupo Casas Bahia acionou a recuperação judicial para renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas, em um processo de reestruturação que cortou cerca de 3 mil postos de trabalho e fechou quase 300 lojas naquele mês, acumulando aproximadamente 355 pontos encerrados e 11,6 mil demissões.

Para evitar a perda de clientes para a concorrência e reduzir despesas operacionais, varejistas têm integrado os estoques de lojas, centros de distribuição e plataformas digitais, além de adotar pontos de venda menores, concessionárias com poucos veículos no salão e dark kitchens (cozinhas industriais voltadas exclusivamente ao preparo de pedidos para entrega). “A gente prevê um alinhamento, uma linguagem única, mantendo as características de cada canal. O consumidor que busca essencialmente preço pode ir até a loja física, mas ser orientado a comprar no digital. Os canais sempre serão ambientes que se complementam, mas a integração permite que o varejista não perca vendas para a concorrência.”, concluiu Vechiatto.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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