Estudo de 1960 projeta colapso populacional em novembro de 2026

População Brasileira

População Brasileira - Foto: Joa Souza / Shutterstock.com

Um estudo publicado na revista científica Science pelos pesquisadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, projetou que a humanidade atingiria o fim do mundo por superpopulação em 13 de novembro de 2026. Conduzido pelo físico e pioneiro da cibernética austríaco-americano Heinz von Foerster, ao lado dos estudantes e coautores Patricia M. Mora e Lawrence W. Amiot, o cálculo estimou que o número de habitantes chegaria ao limite matemático do infinito nessa data caso mantivesse o ritmo de aceleração dos dois milênios anteriores.

A tese descartou cenários apocalípticos tradicionais, como queda de asteroides, guerras nucleares, invasões alienígenas, revolução das inteligências artificiais ou falta de alimentos, e apontou o esgotamento do espaço terrestre como o risco central. “Nossos tataranetos não morrerão de fome. Eles serão esmagados até a morte”, afirmaram Heinz von Foerster, Patricia Mora e Lawrence Amiot no texto original.

Equação de Heinz von Foerster sobre o colapso em 2026

Para formular a equação que apontou o colapso em novembro de 2026, a equipe da universidade localizada em Urbana-Champaign, no estado de Illinois, analisou um conjunto de dados históricos sobre a expansão demográfica ao longo de quase dois milênios. Os cientistas observaram que a espécie humana apresenta um comportamento distinto do registrado em outros grupos biológicos da natureza. Enquanto as populações de animais entram em declínio quando crescem em excesso e enfrentam a escassez de recursos básicos, os seres humanos utilizam a comunicação e o desenvolvimento tecnológico para formar coalizões sociais. Como consequência direta dessa organização coletiva, o avanço técnico e social não freia a expansão demográfica, mas acelera a produtividade e a capacidade de sobrevivência, reduzindo progressivamente o tempo necessário para a população mundial dobrar de tamanho.

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Com base nessa capacidade contínua de gerar tecnologia e suprimentos suficientes, os autores refutaram a tese malthusiana — teoria demográfica segundo a qual o crescimento populacional superaria a produção de alimentos e causaria fome generalizada. O artigo utilizou um tom irônico e matemática pura para emitir um alerta sobre a expansão demográfica desenfreada, provocando debates ao longo do século XX.

Para evitar que a humanidade atingisse o colapso físico em 2026, o grupo defendeu a adoção de um controle populacional rigoroso. A solução apresentada no documento foi a criação de um “peoplo-stat”, termo em inglês criado como um trocadilho com a palavra termostato para definir um mecanismo regulador capaz de manipular ativamente a taxa de natalidade e mantê-la em equilíbrio permanente com a taxa de mortalidade.

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Os dados técnicos e bibliográficos que compõem o documento original da Universidade de Illinois reúnem as seguintes especificações:

  • Título original da publicação: “Doomsday: Friday, 13 November, A.D. 2026” (Dia do Juízo Final: Sexta-feira, 13 de novembro de 2026 d.C., em tradução livre).
  • Data de publicação na revista Science: 4 de novembro de 1960.
  • Identificação no periódico: Volume 132, edição número 3436, páginas 1291 a 1295.
  • Base de cálculo histórico: 24 estimativas populacionais registradas desde a época de Cristo até o ano de 1958.
  • Resultado matemático bruto: ano de 2026,87, com margem de erro calculada em 5,5 anos para mais ou para menos.

Projeção de 76 bilhões da Universidade de Illinois e queda na natalidade

A aproximação de novembro de 2026 comprova que o limite populacional infinito calculado pelos pesquisadores não se concretizou na prática devido às mudanças no comportamento reprodutivo global. De acordo com a análise de Alan MacEachern, professor de História na Western University, no Canadá, as projeções da equação de Heinz von Foerster funcionaram com precisão durante as décadas de 1970 e 1980, período em que chegaram a ser incorporadas em livros acadêmicos de genética, ecologia e demografia. O cenário mudou a partir do início dos anos 1990, especificamente por volta de 1993, quando o ritmo de crescimento da população mundial começou a desacelerar de forma contínua em diversas regiões do planeta.

A diferença entre a curva matemática de 1960 e a contagem real de habitantes ficou evidente na década de 2020. O modelo de Von Foerster projetava que a população mundial ultrapassaria a marca de 25 bilhões de pessoas em 2020 e atingiria 76 bilhões em 2024. A contagem oficial da Organização das Nações Unidas (ONU) situou a população global em cerca de 8,2 bilhões de habitantes entre 2024 e 2026.

Segundo os dados compilados pelo historiador Alan MacEachern, a taxa de natalidade global caiu para menos da metade do índice registrado em 1960. Em mais da metade dos países, onde reside a maior parte da população humana, as taxas de fecundidade estão abaixo do nível de reposição populacional, que exige uma média aproximada de 2,1 filhos por mulher para manter o número de habitantes estável sem depender de imigração.

Crise de fecundidade em 2026 e o aniversário de 115 anos de Heinz von Foerster

O receio de uma superpopulação descontrolada que motivou o estudo da Universidade de Illinois deu lugar à preocupação demográfica inversa na década de 2020. Demógrafos registram a queda contínua no número de nascimentos em nações asiáticas como Coreia do Sul e Japão, além de grande parte dos países da Europa Ocidental.

Nos Estados Unidos, o declínio nos índices de natalidade entrou na pauta política. O político americano Donald Trump se autoproclamou “presidente da fertilidade” e cogitou a concessão de medalhas oficiais para mulheres que tivessem seis ou mais filhos.

Além do alerta demográfico, a definição exata do dia 13 de novembro de 2026 dentro da margem matemática de 2026,87 teve uma motivação pessoal do autor principal. Heinz von Foerster, que tinha formação como mágico amador em Viena, na Áustria, escolheu uma terça-feira 13 que coincidia exatamente com o dia do seu próprio nascimento, data em que completaria seu 115º aniversário.

Carolina Costa: Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração