Falha na Meta barra anúncios de Lula por quase 24 horas no Instagram

Meta logo apps facebook Instagram WhatsApp - Piotr Swat/ hutterstock.com

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Funcionários da Meta admitiram em mensagens internas que falhas técnicas restringiram o impulsionamento de publicações do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Instagram e geraram recomendações irregulares de perfis ligados ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A equipe da campanha petista calcula que cerca de 1,3 milhão de pessoas deixaram de ser alcançadas pelos anúncios durante o bloqueio registrado no segundo turno presidencial.

Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira (16), a empresa controladora do Instagram e do WhatsApp negou qualquer atuação para beneficiar candidaturas na disputa brasileira e afirmou que “as alegações de que atua para interferir no processo eleitoral ou favorecer uma candidatura são falsas e não encontram respaldo nos fatos”. Segundo a companhia, as ocorrências decorreram de problemas técnicos distintos no gerenciador de anúncios, de interrupções globais e da aplicação de mecanismos voltados às normas eleitorais do país, que são executados de forma uniforme.

Bloqueio de quase 24 horas no Instagram de Lula e sugestões para Flávio Bolsonaro

Os registros internos da empresa revelam que a conta oficial de Lula ficou impedida de impulsionar publicações já existentes no feed do Instagram, principal ferramenta de distribuição de conteúdo da rede, por quase 24 horas na sexta-feira (9). Durante esse intervalo de restrição na conta do candidato do PT, apenas os anúncios contratados anteriormente e os novos materiais configurados no formato de “dark posts” — publicações patrocinadas direcionadas a públicos específicos que não aparecem diretamente na linha do tempo do perfil — puderam continuar rodando na plataforma.

Acompanhe: Meta lança plano pago para WhatsApp e Instagram em dólar

Paralelamente à trava nos anúncios petistas, engenheiros da própria companhia identificaram que o algoritmo estava sugerindo contas associadas ao adversário do presidente em duas plataformas diferentes. No Instagram, o perfil de Flávio Bolsonaro passou a aparecer diretamente nas sugestões de busca de usuários, enquanto no aplicativo de mensagens WhatsApp o canal denominado “Tropa do Flávio”, vinculado à campanha do senador do PL, era exibido como resultado para os eleitores que pesquisavam pelo termo “Exército do Lula”, grupo criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).

Funcionários da Meta relataram conta limitada e cobraram urgência

A demora na resolução dos erros motivou reclamações de funcionários brasileiros da Meta, que acionaram a equipe de engenheiros nos Estados Unidos na tentativa de acelerar o conserto. Os profissionais no Brasil criticaram a falta de urgência no atendimento da demanda em meio à disputa presidencial e solicitaram que o episódio fosse classificado internamente sob o código SEV2, sigla utilizada pela corporação para designar ocorrências técnicas de natureza grave que exigem resposta rápida das equipes de engenharia e suporte.

Leia também: Eleições 2026: Datafolha mostra Flávio com 47% e Lula com 45% no 2º turno

Em um dos diálogos registrados entre as equipes, um funcionário da empresa afirmou que a conta de Lula estava “limitada” em comparação à estrutura disponível para o perfil de Flávio Bolsonaro no mesmo período. O mesmo profissional alertou os colegas nas mensagens para a alta probabilidade de a companhia ser alvo de uma ação judicial em decorrência das restrições impostas ao candidato do PT.

As conversas mostram ainda que integrantes da empresa discutiram a necessidade de comprovar que falhas técnicas e bloqueios de anúncios também atingiram conteúdos da campanha do senador do PL. O objetivo dessa estratégia interna era reunir registros, como um episódio anterior em que a equipe de Flávio Bolsonaro não conseguiu realizar um impulsionamento de campanha, para afastar suspeitas públicas de interferência eleitoral ou favorecimento político no Brasil.

Regras do TSE para algoritmos e reação da campanha do PT

A preocupação demonstrada pelos funcionários nas trocas de mensagens tem relação direta com as diretrizes estabelecidas pela Justiça Eleitoral e com o peso da empresa no mercado brasileiro de publicidade digital. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbe expressamente a recomendação algorítmica de perfis de candidatos nas redes sociais, regra que transforma o impulsionamento pago na única modalidade permitida por lei para que as campanhas políticas ampliem o alcance de suas postagens na internet durante o período eleitoral.

O impacto de qualquer instabilidade nas ferramentas da corporação se torna maior nas eleições de 2026 porque a Meta detém um virtual monopólio da propaganda eleitoral paga na internet brasileira neste pleito. Esse domínio de mercado consolidou-se após o Google deixar de comercializar anúncios políticos no país em 2024 e diante do fato de a plataforma de vídeos Kwai oferecer o recurso de impulsionamento de forma muito limitada para as legendas e coligações.

Diante das restrições enfrentadas na rede social, a campanha de Lula já havia acusado publicamente a empresa de interferir na disputa presidencial em favor de Flávio Bolsonaro. A coligação petista anunciou que acionaria o TSE e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para investigar os episódios ocorridos ao longo da campanha de outubro de 2026:

  • 7 de outubro de 2026: equipe de Flávio Bolsonaro enfrenta falha técnica e não consegue realizar o impulsionamento de um conteúdo de campanha.
  • 9 de outubro de 2026: perfil de Lula no Instagram fica impedido por quase 24 horas de impulsionar postagens publicadas no feed.
  • 10 de outubro de 2026: campanha do PT acusa publicamente a Meta de interferência na disputa e anuncia que vai acionar o TSE e a ANPD.
  • 16 de outubro de 2026: conteúdo das mensagens internas de funcionários reconhecendo os erros técnicos vem a público.

O segundo turno das eleições presidenciais entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro está marcado para 25 de outubro de 2026.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.
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