Inteligência artificial gera prêmio salarial de 23% no Reino Unido

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IA, Inteligência artificial Foto: IA, Inteligência artificial - Summit Art Creations/shutterstock.com

Um levantamento conduzido por pesquisadores da Universidade de Oxford identificou que competências em inteligência artificial garantem um prêmio salarial médio de 23% nas vagas de emprego anunciadas no Reino Unido. O retorno financeiro associado ao domínio prático dessas tecnologias supera a valorização de diplomas universitários até o nível de mestrado, que registra acréscimo de 13% nas ofertas analisadas.

Os dados integram o estudo “Skills or degree? The rise of skill-based hiring for AI and green jobs” (Habilidades ou diploma? A ascensão da contratação baseada em competências para empregos verdes e de IA, em tradução livre), publicado em 26 de fevereiro de 2025 na revista científica Technological Forecasting and Social Change. Os autores avaliaram cerca de 11 milhões de anúncios de emprego online britânicos entre 2018 e meados de 2024 para medir a adoção de contratações focadas em habilidades demonstráveis. “Em contraste, as habilidades em IA comandam um prêmio salarial de 23%, superando o valor dos diplomas até o nível de doutorado (33%). Em ocupações com alta demanda por habilidades em IA, o prêmio por competências é alto, e a recompensa por diplomas é relativamente baixa”, afirmaram os pesquisadores no resumo oficial do artigo.

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Dados técnicos e autoria do estudo sobre inteligência artificial

A investigação acadêmica avaliou como o mercado de trabalho britânico precifica diferentes níveis de instrução formal em comparação com o conhecimento técnico aplicado. Abaixo estão as referências de publicação, autoria e métricas de retorno salarial apuradas pela regressão estatística da equipe britânica:

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  • Publicação oficial: periódico Technological Forecasting and Social Change (Volume 214, artigo 124042, editora Elsevier BV).
  • Autores: Matthew Bone (pesquisador doutorando em Social Data Science no Oxford Internet Institute e INET Oxford), Eugenia González Ehlinger (pesquisadora associada ao projeto SkillScale do Oxford Internet Institute e à Multiverse) e Fabian Stephany (Departmental Research Lecturer, professor e pesquisador departamental em IA e Trabalho no Oxford Internet Institute).
  • Base de amostragem: cerca de 11 milhões de vagas anunciadas online no Reino Unido entre 2018 e meados de 2024.
  • Comparativo de prêmio salarial anunciado: 33% para diploma de doutorado (PhD), 23% para habilidades em inteligência artificial e 13% para diplomas até o nível de mestrado.

Crescimento de 21% na demanda por inteligência artificial e queda nos diplomas

Pilha de moedas com a bandeira do Reino Unido
Pilha de moedas com a bandeira do Reino Unido – sasirin pamai/shutterstock.com

A transição das empresas para processos seletivos baseados em competências práticas provocou alterações diretas nos requisitos de recrutamento ao longo do período monitorado pela Universidade de Oxford. Entre 2018 e 2023, a participação de funções ligadas à inteligência artificial cresceu 21% como proporção de todas as vagas abertas no Reino Unido, mantendo ritmo de aceleração durante o ano de 2024, ao mesmo tempo em que a exigência formal de diploma universitário nas descrições dessas mesmas posições recuou 15%.

Para reduzir a falta de mão de obra qualificada no setor tecnológico, Bone, Ehlinger e Stephany recomendam a adoção de formatos alternativos de ensino. A lista de soluções indicadas pelos pesquisadores abrange programas de aprendizagem (conhecidos no mercado britânico como apprenticeships), treinamentos realizados diretamente no ambiente de trabalho, cursos online abertos e massivos (MOOCs), educação profissionalizante, microcertificados e treinamentos intensivos de curta duração (bootcamps online).

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Comparativo global de salários em inteligência artificial e dados do Brasil em 2026

A associação de 23% medida pelos pesquisadores britânicos reflete especificamente os salários ofertados em anúncios do Reino Unido e não representa garantia de reajuste individual automático para trabalhadores que façam cursos na área, nem pode ser transposta de maneira direta para a realidade brasileira. Apesar dessa limitação metodológica, levantamentos de consultorias internacionais divulgados em 2026 confirmam a valorização financeira de profissionais que dominam recursos tecnológicos avançados em diferentes regiões do mundo.

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Em escala mundial, o relatório Global AI Jobs Barometer 2026, elaborado pela consultoria PwC a partir da análise de mais de 1 bilhão de anúncios de vagas em 27 países, apontou um prêmio salarial médio de 62% para cargos que pedem competências como engenharia de prompts (técnica de elaborar comandos precisos para sistemas geradores de texto e imagem) e machine learning (aprendizado de máquina). Esse índice superou os 57% registrados na edição de 2025 do mesmo documento e variou de 16% no setor público a 118% em áreas de consumo. O levantamento da PwC também mostrou que o volume de vagas com exigência de habilidades específicas em inteligência artificial cresceu 69% desde 2019, contra uma expansão de 9% no mercado de trabalho geral.

No cenário brasileiro, o Guia Salarial 2026 da consultoria de recrutamento Robert Half ouviu 500 gestores de contratação e 1.000 profissionais, revelando que 83% dos empregadores no país estão mais propensos a pagar remunerações maiores a trabalhadores com competências especializadas. O domínio de inteligência artificial lidera a relação de habilidades que garantem salários acima da média nacional, seguido por análise de dados, desenvolvimento de software, fluência em idiomas e conhecimento técnico sobre a Reforma Tributária.

A diretora de mercado da consultoria Robert Half no Brasil, Maria Sartori, atribui essa movimentação salarial à disputa corporativa por mão de obra preparada. “O mercado vive um cenário de inovação contínua e forte competição por talentos qualificados, o que coloca a IA no núcleo das competências críticas para o futuro do trabalho”, afirmou Sartori. “Quanto mais escasso e estratégico é um conhecimento, maior tende a ser o investimento das organizações para atrair e reter esses profissionais”, declarou a executiva.

Aplicação prática de ferramentas de inteligência artificial na rotina profissional

A valorização dessas competências atinge também ocupações fora das carreiras estritamente técnicas, abrangendo setores como recursos humanos, finanças, marketing, vendas e operações. O uso de sistemas de inteligência artificial generativa — como as plataformas ChatGPT, Claude e Gemini — permite redigir documentos, sintetizar relatórios extensos, estruturar descrições de vagas e organizar pesquisas de público, além de automatizar tarefas repetitivas de classificação de solicitações.

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Na área de análise de dados, o apoio de conhecimentos em planilhas, estatística básica e visualização de informações ajuda os profissionais a identificar padrões e comparar indicadores gerados pelos algoritmos. O diferencial exigido pelas empresas recai sobre a capacidade humana de orientar a ferramenta, validar cálculos e revisar criticamente os textos, uma vez que modelos generativos podem apresentar dados incorretos ou reproduzir vieses presentes em suas bases de treinamento.

Para comprovar essa qualificação em entrevistas de emprego e avaliações internas, a recomendação prática é testar a tecnologia em gargalos específicos da própria função, comparar a velocidade e a precisão da entrega com o método tradicional e documentar os resultados em um portfólio profissional, mantendo a regra de nunca inserir dados confidenciais da empresa, de clientes ou de colegas em sistemas externos sem autorização prévia.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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