Jararaca resgatada em SC integra grupo de 69,3% das picadas no país

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jararaca - caio acquesta/istockphoto.com Foto: jararaca - caio acquesta/istockphoto.com

O biólogo Gilberto Ademar Duwe, conhecido como Giba, resgatou uma serpente da espécie jararaca escondida em meio a entulhos no quintal de uma residência em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina. O registro da captura, em que o animal aparece em uma postura corporal descrita como posição “saca-rolhas”, foi divulgado nas redes sociais em 15 de outubro de 2026. A espécie lidera as estatísticas de acidentes ofídicos no território brasileiro.

Profissional da Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama), Duwe atua diretamente no atendimento e na retirada de animais silvestres encontrados em áreas urbanas do município. O biólogo Christian Raboch Lempek, que também integra a equipe da Fujama, orienta que os moradores não tentem manejar os animais por conta própria ao localizarem cobras nas propriedades. “Na dúvida, envie uma foto para a Fujama antes de tentar qualquer ação. Principalmente em casos de serpentes, é importante identificar a espécie”, afirmou Lempek.

A publicação com as imagens do atendimento não informou o bairro exato de Jaraguá do Sul onde a residência está localizada, nem a data precisa em que a captura física ocorreu no imóvel.

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Camuflagem da jararaca e outros resgates da Fujama em outubro

A presença da serpente no quintal está ligada às características biológicas e comportamentais do animal. A jararaca possui um padrão de coloração que facilita a camuflagem entre folhas secas, pilhas de madeira e restos de materiais de construção, o que permite que ela passe despercebida e eleva a probabilidade de encontros acidentais em terrenos com vegetação. Além disso, a espécie apresenta capacidade de adaptação a ambientes próximos a zonas habitadas por humanos, locais onde costuma circular em busca de roedores para se alimentar.

O atendimento divulgado na quinta-feira (15) somou-se a uma sequência de chamados semelhantes registrados pela fundação ambiental no município ao longo do mês de outubro de 2026. Na terça-feira (13), Gilberto Ademar Duwe recolheu outra jararaca que estava camuflada sobre uma mureta próxima à calçada em uma via da cidade. No dia seguinte, quarta-feira (14), o biólogo retirou um filhote da mesma espécie que havia entrado em uma residência. Antes disso, na quinta-feira (8), a equipe de biólogos da Fujama já havia capturado uma serpente jararacuçu de grande porte nas imediações de um condomínio situado no bairro Tifa Monos.

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Balanço de capturas da Fujama na Mata Atlântica de Jaraguá do Sul

A frequência de aparecimentos de cobras e outros bichos em pátios residenciais de Jaraguá do Sul reflete a configuração geográfica da cidade catarinense. Cerca de 40% da área territorial do município permanece coberta por vegetação nativa do bioma Mata Atlântica, condição que aproxima a fauna silvestre das zonas urbanizadas. Ao longo de todo o ano de 2025, o Programa Resgate de Fauna da Fujama contabilizou o total de 603 ocorrências de resgates de animais silvestres em áreas urbanas da cidade, volume que representou um crescimento de 2,55% na comparação com os atendimentos efetuados durante o ano de 2024.

Acidentes com jararaca somam 69,3% dos registros no Brasil

Embora não detenha o veneno mais potente entre as serpentes encontradas na fauna brasileira, a jararaca, pertencente ao gênero Bothrops, é a maior causadora de acidentes ofídicos (picadas de cobras) no país devido à sua ampla distribuição geográfica. Levantamentos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), vinculado ao Ministério da Saúde, apontam que o grupo das jararacas responde sozinho por 69,3% do total de picadas de serpentes notificadas em todas as regiões do Brasil. Já os dados consolidados pelo Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde mostram que o país registrou o total de 31.735 casos de acidentes envolvendo serpentes peçonhentas e 127 mortes decorrentes dessas ocorrências durante o ano de 2024.

Diante de um acidente, a rapidez no deslocamento até uma unidade hospitalar determina o prognóstico do paciente, conforme indicam os protocolos clínicos acompanhados pela médica infectologista Ceila Malaque, que atua no Hospital Vital Brazil, unidade mantida pelo Instituto Butantan. De acordo com dados do Instituto Butantan e do Ministério da Saúde, a administração do soro antibotrópico — medicamento específico para neutralizar o veneno da jararaca — apresenta resultados diretamente atrelados ao intervalo entre a picada e o socorro médico: quando o atendimento hospitalar é realizado em até 3 horas após o acidente, a taxa de letalidade registrada é de 0,29%, mas o índice de mortalidade sobe para 1,13% nos casos em que a demora para o início do tratamento ultrapassa o período de 12 horas. Para abastecer a rede pública de atendimento em todo o território nacional ao longo de 2024, o Instituto Butantan entregou o total de 420 mil frascos de soros antivenenos ao Ministério da Saúde.

Telefones da Fujama e dos Bombeiros em Jaraguá do Sul

Quando um morador encontra uma jararaca ou qualquer outro animal silvestre em situação de risco dentro de propriedades privadas ou vias públicas de Jaraguá do Sul, a recomendação oficial dos órgãos ambientais é manter distância, isolar a área e não tentar capturar ou afugentar o bicho. O município mantém canais permanentes de atendimento gratuito para que profissionais treinados façam o recolhimento seguro e a posterior devolução do exemplar à natureza.

  • Atendimento em horário comercial: acionamento direto da Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama) pelo telefone (47) 3409-0290.
  • Atendimento no período noturno, em fins de semana e nos feriados: acionamento dos Bombeiros Voluntários de Jaraguá do Sul por meio do telefone de emergência 193.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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