Julio Casares, ex-presidente do São Paulo, pede R$ 10 mil de indenização à Meta por perda de seguidores

Julio Casares - Instagram/juliocasares_sp

Julio Casares - Instagram/juliocasares_sp

O jornalista e ex-presidente do São Paulo Futebol Clube, Julio Casares, entrou com uma petição na Justiça de São Paulo para exigir o pagamento de uma indenização por danos morais contra a Meta, empresa proprietária do Instagram e do Facebook. O ex-dirigente, cuja ação veio a público nesta sexta-feira (16), afirma ter perdido seguidores e sofrido prejuízos à imagem após sua conta na rede social permanecer desativada logo depois de sua renúncia ao comando do clube.

De acordo com os advogados de Casares, o bloqueio ocorreu por causa de uma campanha coordenada de denúncias falsas feitas por terceiros. O ex-mandatário alega que tentou recuperar o acesso ao perfil por meio de notificações e contatos com o suporte da plataforma, mas só conseguiu restabelecer a página após obter uma decisão liminar na Justiça. “Tal redução expressiva evidencia que a conduta do Facebook não produziu mero inconveniente temporário, mas dano concreto à presença digital, à autoridade pública, ao alcance profissional e ao ativo reputacional construído organicamente por Casares ao longo de anos”, afirmou a defesa na petição judicial.

Argumentos de Julio Casares sobre o bloqueio no Instagram

Na ação enviada ao tribunal, a defesa sustenta que Casares desenvolveu sua página de maneira orgânica por mais de uma década e utilizava a ferramenta como fonte de obtenção de renda, exercício profissional e canal de comunicação institucional com a imprensa e os torcedores. Os advogados argumentam que a conduta da empresa norte-americana foi agravada pelo fato de o ex-presidente ser figura pública, jornalista e idoso, alegando que ele ficou desamparado diante de um sistema de atendimento automatizado e ineficaz.

Durante o período em que ocupou a presidência do São Paulo, entre janeiro de 2021 e janeiro de 2026, a atuação do dirigente nas redes sociais já era alvo de críticas por parte de opositores políticos e de torcedores do clube.

Continue lendo: MPF apura bloqueios de posts políticos na Meta e no X no Brasil

Valores e números da ação de Julio Casares contra a Meta

A petição judicial detalha a variação no alcance do perfil do ex-dirigente antes e depois da suspensão na plataforma:

  • Valor da indenização pedida por danos morais: R$ 10 mil.
  • Tempo em que a conta permaneceu desativada: 5 meses.
  • Seguidores antes da desativação do perfil: cerca de 600 mil.
  • Seguidores registrados logo após a reativação judicial: 562 mil.
  • Seguidores atuais na conta: 554 mil.

Impeachment no São Paulo e investigações de R$ 7 milhões

O bloqueio do perfil no Instagram ocorreu logo após a saída de Casares da presidência do São Paulo. Em 16 de janeiro de 2026, o Conselho Deliberativo do clube aprovou a abertura de um processo de impeachment e o afastamento provisório do dirigente por 188 votos favoráveis. Cinco dias depois, em 21 de janeiro de 2026, ele renunciou ao cargo antes da votação final na Assembleia Geral de sócios, sendo substituído pelo vice-presidente Harry Massis Júnior, atual presidente em exercício do São Paulo Futebol Clube.

A crise política que derrubou o ex-mandatário envolveu denúncias de comercialização clandestina de camarotes do estádio Morumbis em dias de shows. Além disso, a Polícia Civil e o Ministério Público apuram supostos desvios e saques em espécie nas contas do clube, estimados em R$ 7 milhões pelo departamento financeiro e pelo Conselho Fiscal são-paulino, somados a cerca de R$ 1 milhão em gastos no cartão corporativo durante o mandato.

Como desdobramento das apurações internas, o Conselho Deliberativo aprovou, em 10 de setembro de 2026, a expulsão de Casares do quadro associativo do clube por 224 votos a favor, 2 contra e 5 abstenções. A decisão seguiu recomendação da Comissão de Ética sob acusação de gestão temerária e exigiu ressarcimento financeiro aos cofres da instituição.

Processo de Julio Casares para anular expulsão do São Paulo

No final de setembro de 2026, o ex-presidente também acionou o Poder Judiciário contra o próprio São Paulo Futebol Clube para tentar anular sua expulsão do quadro de sócios e reverter a acusação de gestão temerária. Na ação, ele alega ser alvo de perseguição e disputa política interna, sustentando que atuou de boa-fé e amparado pelos departamentos técnico, jurídico, financeiro, contábil e de compliance (setor de conformidade às normas).

Para defender a regularidade de seus mandatos, iniciados com a eleição de 2020 e a reeleição de 2023, os advogados listaram no processo o acordo de naming rights (direitos de nome) que batizou o estádio de Morumbis, novos patrocínios e os resultados esportivos da gestão, como os títulos do Campeonato Paulista de 2021, da Copa do Brasil de 2023, da Supercopa do Brasil de 2024 e da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2025, além do vice-campeonato da Copa Sul-Americana de 2022.

Saiba mais: Instagram projeta modo apenas leitura com bloqueio de curtidas para assinantes

Calendário de jogos do São Paulo no Campeonato Brasileiro

Enquanto as disputas judiciais envolvendo o ex-dirigente tramitam nos tribunais, a equipe principal do São Paulo segue a agenda de partidas pelo Campeonato Brasileiro de 2026:

  • São Paulo x Vasco (em casa) — sábado (17), às 21h (horário de Brasília).
  • Mirassol x São Paulo (fora de casa) — 24 de outubro de 2026, às 16h30 (horário de Brasília).
  • Bahia x São Paulo (fora de casa) — 28 de outubro de 2026, às 21h30 (horário de Brasília).
Beatriz: Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.
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