Ministério da Saúde identifica 12 cidades do Amazonas com demanda no SUS por queimadas

Ministério da Saúde, estado e municípios atendem a população no Amazonas

Ministério da Saúde, estado e municípios atendem a população no Amazonas

O Ministério da Saúde identificou 12 municípios do Amazonas que precisam de suporte nos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) por causa dos incêndios florestais e da fumaça. A pasta anunciou nesta sexta-feira (16) que monitora o consumo de oxigênio no estado e verifica a capacidade das empresas fornecedoras para atender a eventuais emergências.

A operação ocorre em conjunto com o governo estadual e as prefeituras para garantir o abastecimento de insumos essenciais de assistência respiratória, incluindo o atendimento nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), que são as unidades gestoras descentralizadas de saúde voltadas às populações originárias. Os nomes específicos das 12 cidades que demandam auxílio na rede hospitalar e ambulatorial ainda não foram divulgados nos comunicados oficiais do órgão federal.

Foto: Ministério da Saúde, estado e municípios atendem a população no Amazonas

Avaliação do estoque de oxigênio e atuação da Força Nacional do SUS no Amazonas

Embora o fornecimento regular de oxigênio às unidades de atendimento do SUS seja uma atribuição direta das administrações municipais e estadual, a União mapeia o mercado nacional e local para agir de forma preventiva. Em cenários de calamidade pública que coloquem vidas em risco, o Ministério da Saúde pode intervir diretamente para apoiar o abastecimento das cidades afetadas utilizando o poder de compra do governo federal junto às indústrias produtoras do insumo no estado e no restante do país.

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Além do controle logístico de medicamentos e gases medicinais, equipes da Força Nacional do SUS (FN-SUS) — grupo federal de resposta rápida a desastres e crises sanitárias — trabalham em articulação com as autoridades locais na elaboração de um diagnóstico situacional da rede de saúde amazonense. As visitas técnicas servem para orientar a organização dos serviços médicos e preparar os hospitais e postos de atendimento diante do aumento na procura por assistência decorrente da inalação de poluentes.

Suspensão de aulas em Manaus e grupos mais vulneráveis à fumaça

O agravamento da qualidade do ar provocou a interrupção de serviços educacionais nesta sexta-feira (16). A rede municipal de ensino de Manaus suspendeu as aulas presenciais, mesma medida adotada pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que paralisou as atividades acadêmicas presenciais tanto nas unidades da capital quanto nos campi do interior.

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A diretriz das autoridades sanitárias destaca que a exposição contínua à fumaça das queimadas agrava quadros respiratórios e cardiovasculares na população. O monitoramento da rede pública direciona atenção especial a quatro grupos considerados mais vulneráveis aos efeitos da poluição atmosférica:

  • Crianças;
  • Idosos;
  • Gestantes;
  • Pessoas com doenças preexistentes (como problemas cardíacos ou pulmonares crônicos).

Alertas da Fiocruz e avanço de 271% nos focos de incêndio em outubro

A pressão sobre os serviços médicos reflete a piora dos indicadores ambientais na região Norte durante o mês de outubro de 2026. O Observatório de Clima e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) emitiu uma nota técnica neste mês alertando que Manaus registrou concentrações de material particulado fino (PM2.5) — poluentes microscópicos capazes de penetrar profundamente nos pulmões e na corrente sanguínea — em níveis muito superiores aos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O documento da instituição aponta ainda que o cenário amplia os riscos sanitários nas terras indígenas, onde há dificuldades extras de deslocamento e de acesso às equipes de atendimento.

Dados do Painel do Fogo, ferramenta mantida pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), mostram que o Amazonas contabilizou 1.380 focos de incêndio apenas nos primeiros dez dias de outubro de 2026. O volume representa um crescimento de 271% na comparação com o mesmo intervalo de outubro de 2025, quando o sistema havia registrado 372 pontos de queima no território estadual.

A nuvem densa que encobre a capital amazonense resulta da combinação de incêndios ativos no interior do próprio estado com a fumaça transportada pelo vento a partir de estados vizinhos, especificamente Rondônia, Pará e Mato Grosso. A dispersão dos poluentes é dificultada pela falta de chuvas característica do período de estiagem amazônica, que enfrenta o agravamento provocado pelo El Niño, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e que reduz o volume de precipitações na região.

Cronologia da resposta federal e combate ao fogo em 36 municípios

A mobilização das pastas federais no Amazonas intensificou-se ao longo da última semana, envolvendo órgãos de saúde, meio ambiente, integração regional e defesa:

  • 10 de outubro de 2026 — O governo do Amazonas decreta situação de emergência em 36 municípios devido às queimadas, e o Governo Federal reconhece a medida sumariamente no mesmo dia.
  • 11 de outubro de 2026 — O Ministério da Saúde envia a equipe da Força Nacional do SUS ao estado, enquanto o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, realiza sobrevoo nas áreas atingidas e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, participa de coletiva sobre as operações.
  • 14 de outubro de 2026 — O Ministério do Meio Ambiente divulga balanço confirmando que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) extinguiu 303 focos de incêndio no território amazonense desde o início das operações.
  • 16 de outubro de 2026 — O Ministério da Saúde publica às 9h19 (horário de Brasília) o levantamento com os 12 municípios que precisam de suporte no SUS, no mesmo dia em que Manaus e a UEA suspendem as aulas presenciais.

Durante a inspeção aérea realizada no domingo (11), o ministro João Paulo Capobianco identificou focos de fogo ativos no interior de áreas de floresta preservada, o que levantou suspeitas oficiais de ação criminosa na origem das queimadas. Para dar suporte aos brigadistas em solo e garantir a logística de transporte em áreas remotas, a operação no Amazonas conta com um total de 11 aeronaves disponibilizadas pelo governo.

Na frota enviada ao estado, há seis aviões do modelo Air Tractor, empregados no combate direto às chamas com lançamentos rápidos de água, três helicópteros destinados ao despejo de água e ao transporte de brigadistas e equipamentos em locais de difícil acesso, e uma aeronave Caravan voltada ao apoio logístico. O efetivo aéreo inclui ainda a atuação de aeronave KC-390, modelo cargueiro da Força Aérea Brasileira (FAB) mobilizado pelo Ministério da Defesa para o lançamento de grandes volumes de água sobre os incêndios.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.
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