Remessas de smartphones caem 22% no 3º trimestre, diz IDC

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Smartphones - Hryshchyshen Serhii/ shutterstock.com Foto: Smartphones - Hryshchyshen Serhii/ shutterstock.com

O envio global de smartphones para os canais de distribuição caiu 22,0% no terceiro trimestre de 2026 na comparação anual e somou 255,3 milhões de unidades, segundo relatório preliminar da consultoria International Data Corporation (IDC) divulgado em Boston, nos Estados Unidos, na quarta-feira (14). O recuo representa a maior retração percentual trimestral da história do levantamento e foi puxado pelo encarecimento de cerca de 350% nos chips de memória desde 2025, provocado pela demanda de equipamentos para inteligência artificial.

O volume registrado entre julho e setembro de 2026 retirou 72 milhões de aparelhos do mercado em relação aos 327,3 milhões contabilizados no mesmo período de 2025. A diretora sênior de pesquisa de Dispositivos Globais da IDC, Nabila Popal, afirmou que a desaceleração aguardada pelo setor se concretizou com força no período. “A forte retração para a qual a indústria vinha se preparando finalmente se materializou no terceiro trimestre deste ano, com as remessas caindo um recorde de 22% na comparação anual. No entanto, o pior ainda está por vir”, disse a executiva, em tradução livre.

Inflação de 350% em chips de memória encarece smartphones e reduz oferta

A retração histórica nas entregas das fábricas aos lojistas tem origem na escassez e na inflação dos componentes de memória DRAM e NAND flash, peças responsáveis pelo processamento temporário e pelo armazenamento interno dos celulares. A expansão de centros de dados voltados à inteligência artificial absorveu a produção da indústria de semicondutores e elevou os custos desses itens em aproximadamente 350% desde 2025, pressionando o orçamento das montadoras de eletrônicos de consumo em todo o mundo.

Embora o ritmo de encarecimento das memórias tenha desacelerado no terceiro trimestre de 2026 para uma alta sequencial na casa de dois dígitos baixos — contra saltos trimestrais de 50% a 100% nos períodos imediatamente anteriores —, os preços continuam em patamares recordes. “Os indicadores atuais sugerem que o mercado ainda não atingiu o fundo do poço. Os custos de memória subiram aproximadamente 350% desde o ano passado e continuam subindo, criando uma pressão substancial sobre as margens e as remessas dos fabricantes”, declarou Nabila Popal.

Para conter a perda de rentabilidade, as marcas reajustaram os valores cobrados no varejo, reduziram especificações técnicas de hardware e tiraram de linha aparelhos de entrada, que operam com margens de lucro menores. De acordo com o vice-presidente de Dispositivos Globais da IDC, Francisco Jeronimo, o impacto financeiro chegou às prateleiras e mudou o comportamento de compra. “O terceiro trimestre mostra o impacto total e o dano da crise de memória. A pressão está agora passando dos fabricantes para os consumidores. À medida que preços mais altos chegam às prateleiras, muitos compradores estão mantendo seus aparelhos atuais por mais tempo”, afirmou Jeronimo.

Participação de Samsung, Apple e marcas chinesas no mercado de smartphones

Samsung
Samsung – Michael Berlfein / Shutterstock.com

Todas as cinco líderes mundiais do setor encolheram em volume de envios no terceiro trimestre de 2026, mas Samsung e Apple registraram recuos menores devido à concentração de seus catálogos em modelos mais caros, nos quais há maior margem para absorver o custo das peças. Juntas, a sul-coreana e a norte-americana entregaram 115,1 milhões de telefones e alcançaram 45,0% do mercado mundial, um avanço de 8,1 pontos percentuais sobre os 36,9% que somavam no terceiro trimestre de 2025. Já as chinesas Xiaomi, OPPO e vivo, mais dependentes de celulares básicos, tiveram quedas superiores a 29%.

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O levantamento Worldwide Quarterly Mobile Phone Tracker da IDC detalha o desempenho e a fatia de mercado de cada fabricante entre julho e setembro de 2026:

  • Samsung (1º lugar): 57,8 milhões de unidades enviadas e 22,6% de participação de mercado, com queda anual de 5,8% no volume (frente a 61,4 milhões e 18,7% de fatia no 3º trimestre de 2025).
  • Apple (2º lugar): 57,3 milhões de unidades enviadas e 22,4% de participação, com recuo anual de 4,0% no volume (ante 59,7 milhões e 18,2% de fatia um ano antes).
  • Xiaomi (3º lugar): 30,7 milhões de unidades enviadas e 12,0% de participação, registrando retração anual de 29,2% (contra 43,4 milhões e 13,2% de fatia em 2025).
  • OPPO (4º lugar): 25,6 milhões de unidades enviadas e 10,0% de participação, com queda anual de 34,5% (frente a 39,1 milhões e 11,9% de fatia no ano anterior).
  • vivo (5º lugar): 19,1 milhões de unidades enviadas e 7,5% de participação, apresentando encolhimento anual de 31,5%.
  • Outras fabricantes somadas: 64,8 milhões de unidades enviadas e 25,4% de participação total, com baixa anual de 32,5% no volume.

Histórico de cortes em 2026 e divergência sobre vendas de smartphones

A contração registrada no terceiro trimestre agravou uma tendência de queda que já vinha sendo observada pela consultoria ao longo do ano. Em 28 de agosto de 2026, a IDC havia informado que as remessas globais do segundo trimestre recuaram 7,4% na comparação anual, somando 276,3 milhões de aparelhos. Naquele mesmo período entre abril e junho, os chips de memória chegaram a representar mais de 65% do custo total de materiais (BOM, na sigla em inglês para lista de materiais de fabricação) nos celulares de baixo custo. Diante desse quadro, a instituição cortou três vezes suas projeções para o fechado de 2026, prevendo retrações anuais de 12,9% em fevereiro, de 13,9% em maio e de 16,7% na revisão de agosto.

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No recorte específico do mercado da China, o relatório divulgado em 14 de outubro de 2026 apontou que as entregas de smartphones recuaram 15,4% no terceiro trimestre, para cerca de 57,9 milhões de unidades, sendo a Huawei a única marca entre as líderes locais a apresentar crescimento anual de dois dígitos, com alta de 17,3%. No cenário global, levantamentos preliminares de outras duas consultorias do setor, a Omdia e a Counterpoint Research, divergem ligeiramente do índice da IDC e estimam que a queda mundial nas remessas do terceiro trimestre de 2026 foi de 20%, o que representa o menor volume para o período desde 2013.

Quando o mercado global de smartphones deve voltar a crescer?

De acordo com a avaliação da IDC, a indústria de telefonia móvel passa por uma alteração estrutural permanente na sua dinâmica de custos de produção, e não apenas por uma oscilação temporária de fornecimento de peças. A consultoria projeta que a oferta e o consumo global de smartphones continuarão restritos durante todo o ano de 2027, adiando qualquer retomada de crescimento no volume de remessas para, no mínimo, 2028.

Números gerais do relatório de smartphones da IDC no 3º trimestre

  • Volume global no 3º trimestre de 2026: 255,3 milhões de unidades enviadas aos canais de distribuição.
  • Volume global no 3º trimestre de 2025: 327,3 milhões de unidades enviadas (diferença de 72 milhões de aparelhos).
  • Data e origem do documento: comunicado oficial divulgado em 14 de outubro de 2026, em Boston (Estados Unidos).
  • Previsão de recuperação do setor: retomada do crescimento descartada para 2027 e projetada apenas a partir de 2028.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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