Rio Branco de Americana é alvo de auditoria judicial e negocia marca com Sertãozinho para jogar Série A2

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Rio Branco - Instagram Foto: Rio Branco - Instagram

O Rio Branco Esporte Clube, de Americana (SP), negocia ceder sua marca à empresa gestora do Sertãozinho para disputar a Série A2 do Campeonato Paulista em 2027. A tratativa ocorre enquanto o clube passa por recuperação judicial — processo que renegocia dívidas sob fiscalização da Justiça para evitar a falência — com passivo inicial de R$ 6,6 milhões e enfrenta uma auditoria por suspeitas de irregularidades financeiras.

Pelo modelo apresentado à 2ª Vara Cível da Comarca de Americana em 6 de outubro de 2026, a equipe cederia temporariamente símbolos, uniforme e distintivo para que a parceira atue na cidade utilizando a vaga vinculada ao CNPJ do Sertãozinho, enquanto o registro original do Rio Branco pediria licença na Federação Paulista de Futebol (FPF). “Sem capacidade de aporte para suportar os custos da Série A3 de 2027, sem comprometer o cumprimento do Plano de Recuperação Judicial, a ausência de parceria implicará no não comparecimento à competição e, por força dos regulamentos desportivos da FPF e da CBF, na desfiliação automática do clube, com perecimento definitivo como clube de futebol profissional”, afirmou o advogado Régis Villas Bôas Villela, que passou a defender o Rio Branco em outubro e também é sócio e CEO da gestora do Sertãozinho.

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Auditoria no Rio Branco investiga repasses da venda de Vanderson

Paralelamente às negociações esportivas, o juiz Willi Lucarelli determinou uma auditoria nas movimentações entre o Rio Branco e a Manager Serviços Administrativos Ltda., empresa aberta em janeiro de 2023 que tem o presidente do clube, Cláudio Bonaldo, como sócio-administrador. Extratos anexados ao processo revelaram transferências imediatas de recursos do clube para a companhia, incluindo R$ 1,2 milhão depositados pelo Grêmio em 16 de dezembro de 2024 e R$ 533 mil pagos em 20 de janeiro de 2025, além do uso de uma chave Pix oficial para pintura do estádio Décio Vitta que direcionava doações à conta da empresa.

Os depósitos do Grêmio referem-se à venda do lateral-direito Vanderson de Oliveira Campos ao Monaco, da França, anunciada em 1º de janeiro de 2022 por cerca de 11 milhões de euros (cerca de R$ 70 milhões na época). Revelado na base do clube paulista em parceria firmada em 2016 com o ex-atacante Sandro Hiroshi, o jogador rendeu R$ 7.312.067,49 ao Rio Branco entre outubro de 2023 e março de 2025. Em junho de 2026, a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF condenou o time gaúcho a pagar mais R$ 1,9 milhão, mas a equipe obteve parcelamento em até 60 meses, e uma liminar de setembro de 2026 determinou que 70% desse montante vá direto para a empresa de Hiroshi e 30% fiquem na recuperação judicial.

Em setembro de 2026, o promotor Fábio José Moreira dos Santos, do Ministério Público de São Paulo, requisitou à Polícia Civil a abertura de investigação preliminar sobre eventuais fraudes no processo, mas a Secretaria de Segurança Pública informou que o inquérito ainda não foi instaurado até esta sexta-feira (16). A Justiça também apura contratos de transações com a imobiliária Maximóveis, que tem como sócio Gilson Roberto Bonaldo, irmão do presidente e vice-presidente de futebol. À Justiça, a defesa negou irregularidades, declarou que os contratos de empréstimo com a Maximóveis possuem garantias e prazos registrados e afirmou: “A Manager Serviços Administrativos Ltda. foi escolhida pelo Conselho Deliberativo por possuir o menor custo de administração”.

Custos do Rio Branco na Série A3 e histórico no futebol

Fundado em 1913, o clube disputou a elite paulista por 17 anos seguidos a partir de 1991 e formou atletas como Flávio Conceição, Marcos Assunção, Marcelinho Paraíba e o trio que atuou na Copa do Mundo de 2006: Mineiro (Brasil), Zinha (México) e Marcos Senna (Espanha). Atualmente na Série A3 após vencer a quarta divisão em 2024, a agremiação não realiza jogos noturnos no estádio Décio Vitta há oito anos por falta de iluminação e argumenta não ter recursos para a próxima temporada.

Na última quinta-feira (15), o administrador judicial deu parecer favorável à parceria com o Sertãozinho, desde que não ocorra alienação do patrimônio imobiliário — estimado pela defesa em mais de R$ 100 milhões — e mediante apresentação do contrato à Justiça. O presidente Cláudio Bonaldo e o advogado Régis Villas Bôas Villela não atenderam aos contatos para comentar as suspeitas sobre a empresa Manager e os detalhes do acordo.

Ainda não há confirmação se o contrato definitivo será homologado a tempo para o torneio estadual. Na última quarta-feira (14), o clube anunciou a saída do gerente de futebol Brenno Presotto e passou a avaliar o uso de atletas da base na Série A3 como alternativa para evitar a desfiliação, além de negociar um terreno avaliado em no mínimo R$ 600 mil para quitar R$ 664 mil em dívidas trabalhistas prioritárias. As diretrizes financeiras e os prazos apresentados ao juízo definem o calendário imediato da instituição:

  • Custo operacional estimado na Série A3 de 2027: R$ 1,8 milhão por temporada.
  • Receita máxima prevista na Série A3 de 2027: entre R$ 400 mil e R$ 480 mil, gerando déficit anual projetado de R$ 1,4 milhão.
  • Prazo final de licenciamento: os clubes das Séries A2 e A3 têm até segunda-feira (19) para entregar a documentação na Federação Paulista de Futebol.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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