Volkswagen tira Polo e T-Cross de linha na Europa até 2035

Toyota Yaris Cross 2026 - Divulgação/ Toyota

Toyota Yaris Cross 2026 - Divulgação/ Toyota

O diretor-executivo (CEO) da marca Volkswagen, Thomas Schäfer, confirmou durante o Salão de Paris de 2026, na França, que os modelos a combustão Polo e T-Cross deixarão de ser vendidos na Europa até 2035. A retirada da dupla do mercado europeu faz parte de uma transição planejada que prevê o corte de metade do portfólio global da fabricante, enquanto no Brasil os dois veículos permanecem em produção e figuram entre os líderes de vendas de suas categorias.

De acordo com declarações de Schäfer publicadas na quarta-feira (14), a montadora alemã decidiu encerrar a oferta dos dois carros com motor térmico para evitar que eles disputem espaço diretamente nas concessionárias com suas novas variantes elétricas equivalentes, batizadas de ID. Polo e ID. Cross. “Não é nenhuma surpresa que, depois de 2035, você não terá um Polo e um ID. Polo, ou um T-Cross e um ID. Cross”, afirmou o executivo, que também atua como chefe do grupo de marcas de volume (Brand Group Core) e membro do conselho de administração do Grupo Volkswagen.

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Plano da Volkswagen corta 75 modelos e 100 mil vagas até 2035

Foto: VW ID. Polo – Reprodução Youtube

A descontinuação do hatch e do utilitário esportivo (SUV) na Europa integra uma ampla reorganização operacional da empresa diante do limite de 2035 estabelecido no continente para o fim da venda de motores a combustão. A diretriz segue o programa de reestruturação chamado Future Plan 2030 (Plano Futuro 2030, em tradução livre), aprovado pelo Grupo Volkswagen em setembro de 2026 com metas financeiras e industriais voltadas à concentração da linha nos produtos de maior volume e rentabilidade, além da redução da diversidade de plataformas e arquiteturas eletrônicas.

“Estamos trabalhando para ter o portfólio ideal em 2035. Como resultado, teremos uma gama com metade do tamanho. É uma transição natural e uma reorganização da linha voltada para os produtos mais lucrativos”, declarou Schäfer durante o evento na capital francesa.

Apesar de confirmar que os carros a combustão não conviverão com seus sucessores elétricos após 2035 no mercado europeu, a Volkswagen ainda não definiu uma data exata para o encerramento da produção do Polo e do T-Cross tradicionais no continente. A companhia também não divulgou a relação completa de todos os veículos que serão retirados de linha ao longo da próxima década.

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Números da reestruturação da Volkswagen e vendas no Brasil

  • Redução do portfólio global: corte de 50% da gama, com a eliminação de 75 modelos do Grupo Volkswagen e queda de 75% na variação de versões até 2035.
  • Quadro de funcionários: meta de corte de 100.000 postos de trabalho prevista no programa Future Plan 2030.
  • Encomendas de elétricos na Europa: aproximadamente 150.000 pedidos acumulados pela nova família de compactos urbanos até o Salão de Paris de 2026.
  • Desempenho no Brasil em setembro de 2026: 11.095 unidades emplacadas do Polo, 9.339 unidades do T-Cross e 8.725 unidades do Tera.

Família elétrica com ID. Polo e ID. Cross soma 150 mil pedidos

Para diminuir os custos de desenvolvimento e impedir a sobreposição de produtos entre as marcas Volkswagen, Škoda e Cupra — que formam o núcleo de volume do conglomerado —, os novos projetos passaram a ser administrados em grupos de sinergia. O principal exemplo dessa estrutura é a família de carros elétricos urbanos (Electric Urban Car Family), apresentada em conjunto no domingo (11) no Salão de Paris e formada pelos modelos Volkswagen ID. Polo, Volkswagen ID. Cross, Cupra Raval e Škoda Epiq. Desenvolvidos sob a liderança da SEAT/Cupra sobre a plataforma elétrica MEB+, os quatro veículos compartilham mais de 80% de seus componentes e são produzidos nas fábricas espanholas de Martorell e Pamplona.

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Polo e T-Cross lideram vendas no Brasil e SUV terá motor híbrido em 2027

Em sentido oposto ao cronograma europeu de descontinuação, a operação brasileira da Volkswagen mantém o Polo e o T-Cross no centro de sua estratégia comercial, impulsionada pelo crescimento do mercado interno. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA) mostram que as vendas totais de veículos no Brasil subiram 15,7% em setembro de 2026 na comparação anual, alcançando 281.361 unidades, período em que a marca alemã ocupou a vice-liderança entre os automóveis de passeio com 37.104 emplacamentos e 17,1% de participação de mercado, puxada pelo desempenho do hatch e do SUV compacto.

Naquele mês, o Polo foi o automóvel de passeio mais vendido do país — e o segundo colocado no ranking geral de veículos, atrás apenas da picape Fiat Strada. O modelo, no entanto, passou a dividir espaço interno com o SUV subcompacto Tera, posicionado logo acima na tabela da marca. O avanço do Tera levou a fabricante a enxugar o catálogo de versões do Polo no Brasil, mas o hatch permanece em linha e com alta rentabilidade na operação nacional por causa do volume elevado nas vendas diretas para frotistas e empresas.

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Já o T-Cross, líder de seu segmento no país, teve a linha 2027 lançada no mercado brasileiro em agosto de 2026 com preço inicial de R$ 119.990 e a estreia do câmbio automático AQ300 de oito marchas nas configurações 200 TSI. Para prolongar o ciclo da atual geração no Brasil, a Volkswagen prepara a adoção de motorização híbrida leve (MHEV, sistema em que um pequeno motor elétrico auxilia o propulsor a combustão para reduzir o consumo). Unidades de teste com o novo conjunto mecânico já circulam em vias brasileiras, com chegada às concessionárias prevista para 2027.

Maria: Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.