A ialorixá Elza Bahia de Araújo, conhecida como Mãe Senhora de Ewá, morreu na madrugada deste sábado (17), aos 104 anos, em Salvador. Considerada uma das sacerdotisas de matriz africana mais antigas do Brasil, ela teve a morte comunicada pelo perfil oficial do terreiro que liderava na capital baiana.
A líder religiosa dedicou 74 anos ao candomblé e à comunidade local. Ela deixou filhos, netos, bisnetos, tataranetos e filhos de santo. O terreiro Ilê Axé Odé Omí Ewá também divulgou nota de pesar prestando solidariedade aos familiares. A causa da morte e os detalhes sobre o velório e o sepultamento ainda não foram divulgados.
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Dados confirmados sobre a morte de Mãe Senhora de Ewá
- Nome de registro: Elza Bahia de Araújo (conhecida como Mãe Senhora de Ewá ou Mãe Senhora de Yewá)
- Idade e data do falecimento: 104 anos, na madrugada de 17 de outubro de 2026
- Local de atuação: Terreiro Ilê Axé Omi Ewá, no bairro de Praia Grande, Subúrbio Ferroviário de Salvador (BA)
- Tempo de sacerdócio: 74 anos de dedicação religiosa
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Criação de Mãe Senhora de Ewá no Terreiro do Gantois e fundação do Ilê Axé Omi Ewá
Elza Bahia de Araújo perdeu a mãe durante o parto e chegou ao tradicional Terreiro do Gantois, em Salvador, quando tinha apenas 1 mês e 17 dias de vida, segundo registros históricos. No local, a menina foi acolhida e criada por duas lideranças religiosas do candomblé baiano, a ialorixá Mãe Menininha do Gantois e Mãe Laura, que conduziram a sua formação pessoal e espiritual até a vida adulta, quando passou a ser reconhecida como a Yewasse, termo para filha da divindade Ewá, mais antiga em atividade no país.
Mais tarde, a sacerdotisa fundou e passou a comandar o terreiro Ilê Axé Omi Ewá, situado no bairro de Praia Grande, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Além das obrigações litúrgicas de preservação dos saberes de matriz africana, o espaço chefiado por ela consolidou-se na comunidade como um ponto de refúgio e acolhimento para mulheres em situação de vulnerabilidade social, atuando diretamente na defesa da autonomia feminina e no enfrentamento à intolerância religiosa na capital baiana.
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Homenagens do centenário de Mãe Senhora de Ewá em 2022 e 2023
Nas celebrações dos seus 100 anos de vida, o terreiro Ilê Axé Omi Ewá publicou uma homenagem ressaltando a liderança da sacerdotisa. “Mãe Senhora é Filha de santo de Mãe Menininha do Gantois é uma das Yalorixas mais antigas do país e um acervo vivo e consciente da cultura AfroReligiosa do Brasil, que ainda comanda com toda autoridade e doçura nosso Ilê Axé”, informou a instituição na época.
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Na mesma ocasião, a bisneta da líder religiosa, Emily Ferreira, comentou a relevância histórica da matriarca para a preservação da memória afro-brasileira. “100 anos que contribuem de forma muito significativa culturalmente, com muita luta, com muita resistência e com uma história que não é só a história da Bahia, é a história do Brasil. Toda a memória que ela carrega, em toda sua trajetória, é símbolo nacional”, afirmou a familiar durante o centenário.
Datas marcantes da trajetória de Mãe Senhora de Ewá
- 11 de setembro de 1922 — Nascimento de Elza Bahia de Araújo na Bahia.
- 1950 — Iniciação no candomblé conduzida por Mãe Menininha do Gantois.
- 11 de setembro de 2022 — Comemoração do centenário de vida e recebimento de placa da Federação Nacional do Culto Afro Brasileiro.
- Dezembro de 2022 — Aprovação na Câmara Municipal de Salvador da concessão da Comenda Maria Quitéria, honraria proposta pelo Mandato Coletivo Pretas Por Salvador (PSOL).
- 11 de setembro de 2023 — Entrega oficial da Comenda Maria Quitéria em cerimônia realizada às 18h no terreiro da ialorixá.
- 17 de outubro de 2026 — Morte da sacerdotisa em Salvador, aos 104 anos.
