Cerca de 80 mil exemplares de insetos compõem o acervo do Museu Entomológico Fritz Plaumann, localizado no distrito de Nova Teutônia, no interior de Seara, no Oeste de Santa Catarina. Considerado o maior espaço dedicado à entomologia (área da ciência que estuda os insetos) na América Latina, o local preserva 17 mil espécies diferentes coletadas ao longo de aproximadamente 70 anos pelo pesquisador autodidata teuto-brasileiro Fritz Plaumann.
De acordo com registros da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mais de 70% das espécies catalogadas no museu já não são encontradas na natureza da região em razão de transformações ambientais, o que torna a coleção científica insubstituível. “Temos grande parte do acervo dos insetos exposto, além dos materiais utilizados pelo entomólogo. A casa estará aberta para quem quiser se aprofundar na história e saber um pouco mais sobre o contexto que envolve o Plaumann”, afirmou Angela Maria Cenzi, bióloga e uma das responsáveis técnicas pelo Museu Entomológico Fritz Plaumann.
Espécies inéditas de Fritz Plaumann e alcance em 12 países
Do total de 17 mil espécies classificadas pelo pesquisador ao longo das décadas, cerca de 1.500 eram até então desconhecidas pela ciência no momento da identificação. O reconhecimento do trabalho autodidata, realizado em um período de acesso restrito a livros e materiais científicos, fez com que aproximadamente 150 dessas novas espécies recebessem nomes científicos batizados em homenagem ao sobrenome de Plaumann.
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A coleção reúne exemplares de borboletas, besouros, moscas, vespas, gafanhotos, abelhas, cigarras, percevejos, louva-a-deus e bichos-pau. O conjunto de borboletas é um dos principais destaques da instituição e rendeu ao município de Seara o apelido de Terra das Borboletas. Além de manter o arquivo no Brasil, o entomólogo estabeleceu intercâmbio científico internacional e enviou materiais para compor acervos de museus em 12 países, incluindo instituições localizadas em Londres, Estocolmo, Viena e Belgrado.
Método de preservação em gavetas de vidro evitou perdas em Seara
Cada inseto coletado durante as expedições passava por um processo manual de catalogação antes de integrar o arquivo definitivo em Nova Teutônia. Fritz Plaumann anotava à mão o nome científico, o sexo e a espécie em pequenas etiquetas presas diretamente aos exemplares, que em seguida eram guardados em gavetas de vidro equipadas com controle de umidade, temperatura e proteção contra a ação de outros animais, método que evitou o registro de qualquer perda de material ao longo de décadas.
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Na catalogação das borboletas, o pesquisador registrava as diferentes etapas de desenvolvimento do animal, desde o estado larval até a fase adulta. O mesmo padrão técnico foi aplicado a espécies voltadas para pesquisas sobre doenças humanas, a exemplo do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e da febre amarela.
Expedições pelo Alto Uruguai e compra do acervo pela Prefeitura de Seara
Nascido em 2 de maio de 1902 em Preussisch-Eylau, na antiga Prússia Oriental (Alemanha), Fritz Plaumann chegou ao Brasil com a família em 1924, aos 22 anos, fixando residência na região que neste sábado (17) corresponde ao distrito de Nova Teutônia. Nos primeiros anos, ele conciliou o trabalho como agricultor e professor com as caminhadas pelas matas para coletar insetos. Cerca de 95% de todos os exemplares do museu foram recolhidos na própria região do Alto Uruguai. A partir da década de 1950, com mais tempo e recursos financeiros, o pesquisador ampliou as expedições para o Pantanal e para áreas do Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.
Durante um período de dificuldades financeiras enfrentado pelo pesquisador, a coleção correu o risco de deixar o município catarinense diante de uma proposta de venda para a Universidade Federal do Paraná (UFPR). Para manter o patrimônio na cidade, a Prefeitura de Seara comprou o acervo e construiu o museu em frente à residência onde o cientista viveu, em uma parceria com a Fundação Catarinense de Cultura que contou com o apoio do Banco do Brasil. O espaço foi inaugurado em 23 de outubro de 1988, seis anos antes da morte de Plaumann, ocorrida em 22 de setembro de 1994, aos 92 anos.
Localização e funcionamento do Museu Entomológico Fritz Plaumann
A administração e a proteção da coleção são mantidas em 17 de outubro de 2026 por meio de um convênio entre a Prefeitura de Seara, proprietária do acervo, e a UFSC. Além das gavetas com insetos, o prédio guarda equipamentos de coleta, cartas, comendas e fotografias do pesquisador. Os dados de acesso e atendimento aos visitantes incluem:
- Localização: distrito de Nova Teutônia, no interior de Seara (SC), com acesso pela rodovia SC-283, no trecho entre Seara e Chapecó, na altura do km 54,6, seguido por mais 10 quilômetros de rodovia municipal pavimentada.
- Horário de funcionamento em dias úteis: de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h.
- Atendimento nos fins de semana: aos sábados, das 9h às 16h, ou aos sábados e domingos, das 10h às 16h, conforme a programação municipal vigente.
- Telefone de contato para agendamentos e informações sobre ingressos: (49) 3452-3761.
