Protestos na França contra o custo de vida e aumento da gasolina têm gás lacrimogêneo, 166 prisões e invasão em Marselha

Manifestção na frança - Globo

Manifestção na frança - Globo

As forças de segurança da França utilizaram gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar manifestantes em Paris e em diversas cidades do país neste sábado (17), durante atos nacionais contra a inflação e a precarização dos serviços públicos. Pelo menos 166 pessoas foram detidas pela polícia em todo o território francês.

Até o meio-dia no horário local, o Ministério do Interior contabilizou 140 manifestações fora da região de Paris, enquanto o balanço total consolidado de participantes e de feridos ao final do dia em todo o país ainda não havia sido divulgado pelas autoridades. Os protestos uniram estudantes do ensino médio, integrantes do movimento dos Coletes Amarelos — grupo surgido no país que utiliza coletes de alta visibilidade — e sindicatos como a Confederação Geral do Trabalho (CGT), que cobram salários e pensões maiores, controle de preços e investimentos em escolas públicas.

Na Praça da República, em Paris, manifestantes encapuzados lançaram fogos de artifício e objetos contra a tropa de choque. O gabinete do ministro do Interior, Laurent Nuñez, relatou tentativas de saque, incêndios em mobiliário urbano e ataques a prédios públicos, policiais e profissionais de imprensa em Paris, Marselha, Rennes, Toulouse e Angers. Na capital francesa, projéteis arremessados durante os atos quebraram janelas dos escritórios das emissoras CNews e Europe 1.

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Em Paris, a manifestante Lola, de 19 anos, criticou a resposta das forças de segurança. “Estamos lutando porque o custo de vida está muito duro, porque o preço do combustível está muito alto, porque alunos do ensino médio estão sendo violentamente atacados e feridos em todo o país apenas por tentarem protestar e pedir mais professores e condições dignas de aprendizado”, afirmou, em tradução livre.

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Bloqueios no centro de Paris e reforço policial em Marselha

Para conter os atos em Paris, a polícia montou um bloqueio na região central que excluiu a Avenida Champs-Élysées e o Arco do Triunfo dos dois trajetos autorizados para as marchas. Moradores e turistas também foram afetados pelo fechamento de estações de metrô na capital francesa.

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Em Marselha, um grupo mascarado usou grades de segurança para forçar a entrada e invadir o saguão da sede da prefeitura, localizada na região do Vieux-Port. Os invasores gritaram “Estamos tomando a Bastilha”, picharam um símbolo anarquista na parede e queimaram lixeiras nas ruas antes da chegada da polícia. Após o ataque ao prédio municipal, o prefeito de Marselha, Benoît Payan, conversou com o primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, e com o ministro Laurent Nuñez, e o governo decidiu enviar reforços policiais para a cidade.

O governo francês atribuiu os confrontos a grupos de “ultraesquerda” e acusou o partido França Insubmissa de incitar os atos, o que a legenda negou. Segundo o primeiro-ministro Sébastien Lecornu, mais de 900 policiais ficaram feridos desde o início da atual onda de mobilizações. Por outro lado, o órgão interno de fiscalização da polícia investiga pelo menos 24 denúncias de violência cometida por agentes, após protestos anteriores deixarem manifestantes feridos, incluindo um adolescente que perdeu uma das mãos ao pegar uma granada de efeito moral.

Escalada das manifestações na França desde 2018

  • 2018 — Surge o movimento dos Coletes Amarelos, em reação ao aumento de impostos sobre o diesel no mandato anterior do presidente da França, Emmanuel Macron.
  • Setembro de 2026 — Estudantes do ensino médio iniciam bloqueios em escolas de subúrbios ao norte de Paris contra a falta de professores e a infraestrutura precária.
  • 15 de outubro de 2026 — O primeiro-ministro Sébastien Lecornu alerta que as autoridades temem distúrbios nos atos convocados para o fim de semana.
  • 16 de outubro de 2026 — O presidente Emmanuel Macron pede calma e respeito à propriedade, enquanto o ministro Laurent Nuñez autoriza a retomada do uso de granadas de efeito moral em caso de confrontos.
  • 17 de outubro de 2026 — Atos nacionais registram choques com a polícia, invasão à prefeitura de Marselha e ao menos 166 detenções na França.

As manifestações ocorrem no final do mandato de Emmanuel Macron, antes da eleição presidencial prevista para a primavera de 2027 no hemisfério norte, em um período no qual os custos de financiamento da dívida pública francesa atingiram os maiores níveis em mais de duas décadas.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.