O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) encerrou o primeiro debate presidencial do segundo turno na Band, neste domingo (18), em São Paulo, com a promessa de criar o Ministério da Prosperidade e ampliar a renda da população. Na declaração final do encontro com o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o parlamentar propôs a compra de dívidas bancárias pelo governo federal e o endurecimento das regras de segurança pública.
Nas considerações finais do evento televisivo, o postulante do PL afirmou que pretende colocar o cidadão no centro das decisões da administração federal e criticou a gestão petista. “Eu também quero me comprometer a ter dinheiro no seu bolso. É assim que eu vou trabalhar pelo Ministério da Prosperidade”, declarou Flávio Bolsonaro. Na sequência, acrescentou: “Com o governo Flávio Bolsonaro, o meu compromisso vai ser colocar você no centro do governo, e não os privilegiados, como acontece hoje”.
Flávio Bolsonaro detalha compra de dívidas pelo Ministério da Prosperidade
Ao explicar o funcionamento da nova pasta prometida durante a campanha, o candidato informou que o Ministério da Prosperidade vai integrar políticas sociais, oferta de crédito e medidas para reduzir o endividamento das famílias e dos negócios no país. “No meu governo, a gente vai comprar a sua dívida dos bancos”, afirmou o senador, detalhando que a União adquiriria os débitos em atraso junto às instituições financeiras por valores menores para renegociar diretamente com os devedores, além de manter o reajuste do programa Bolsa Família, benefício federal de transferência de renda.
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Para viabilizar a quitação dos valores atrasados adquiridos das instituições bancárias, o candidato estabeleceu prazos de carência distintos antes do início da cobrança das parcelas renegociadas:
- Pessoas físicas: 6 meses de carência para começar a pagar as dívidas atrasadas compradas dos bancos.
- Empresas (pessoas jurídicas): 1 ano de carência para o início do pagamento dos débitos renegociados.
Flávio Bolsonaro propõe 500 mil vagas em presídios e penas de 80 anos
Na área de segurança pública, Flávio Bolsonaro defendeu a adoção de medidas rigorosas contra a criminalidade, com menção direta aos moradores de favelas e periferias. O senador prometeu a criação de mais de 500 mil vagas no sistema carcerário brasileiro e a elevação das penas máximas para até 80 anos de prisão no caso de líderes de facções criminosas, com o objetivo de alterar a percepção de insegurança nas cidades. “Quem tem que andar com medo na rua são os marginais”, disse.
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Ainda no encerramento do programa, o candidato do PL relatou casos de eleitores que sofreriam ameaças em razão de suas preferências políticas e lembrou que o sigilo da urna é garantido pela legislação eleitoral. “Pode votar com tranquilidade porque o voto é secreto”, declarou o senador, antes de pedir votos para sua chapa.
Crítica de Flávio Bolsonaro a gasto de R$ 350 bilhões e embates com Lula
Ao abordar as contas públicas nas considerações finais, o senador acusou o governo federal de gastar mais de R$ 350 bilhões para tentar assegurar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A origem ou a composição detalhada desse montante de R$ 350 bilhões, contudo, não foi apresentada pelo candidato durante a transmissão. Na mesma fala, o parlamentar vinculou seu plano econômico à responsabilidade fiscal: “Eu jamais vou prometer aquilo que eu não vou poder cumprir”.
Antes das falas de encerramento, o primeiro bloco do programa foi marcado por cobranças diretas entre os dois concorrentes sobre investigações e negócios privados. Flávio Bolsonaro exigiu explicações sobre a empresária e lobista Roberta Luchsinger, investigada em inquéritos ligados ao caso do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), autarquia federal responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões, junto a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República. Em resposta, Lula questionou o senador sobre o valor de R$ 134 milhões negociado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, produção audiovisual sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Primeiro confronto direto entre Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno
Realizado nos estúdios da emissora na capital paulista em 18 de outubro de 2026, o debate foi promovido em parceria institucional e dividido em três blocos, sob a mediação dos jornalistas Adriana Araújo e Eduardo Oinegue. O encontro representou o primeiro confronto presencial direto entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026, uma vez que os dois candidatos não compareceram aos mesmos debates televisivos ao longo da disputa do primeiro turno.
Além das pautas de segurança e renegociação de dívidas, o embate abordou a criação de um prontuário eletrônico único no Sistema Único de Saúde (SUS), a rede pública de atendimento médico do país, e a proposta pelo fim da escala de trabalho 6×1, regime em que o trabalhador cumpre seis dias de serviço para um dia de descanso. Os candidatos também discutiram a condução governamental durante a pandemia de covid-19 e a política de relações internacionais voltada aos Estados Unidos e ao modelo econômico do presidente Javier Milei na Argentina.
Nos momentos finais de sua participação, o senador agradeceu o apoio de seus eleitores, citou a realização de uma manifestação na Avenida Paulista sem registro de depredação do patrimônio público ou acúmulo de lixo nas vias e defendeu o tom de sua candidatura. “A campanha está linda. Nossa campanha está propositiva. Uma campanha sem ódio”, afirmou Flávio Bolsonaro. A votação do segundo turno das eleições presidenciais está marcada para o próximo domingo, 25 de outubro de 2026.
