Lula e Flávio Bolsonaro discutem dívida de R$ 11 trilhões na Band

Senador Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Divulgação

Senador Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Divulgação

Os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentaram propostas opostas para conter a dívida pública, reduzir a taxa de juros e controlar o custo de vida durante o primeiro debate presencial do segundo turno das eleições de 2026, realizado neste domingo (18) em estúdio de televisão em São Paulo. Enquanto o presidente e candidato à reeleição defendeu o estímulo ao consumo e o fortalecimento de pequenos negócios, o senador fluminense criticou os gastos federais e prometeu abrir um espaço superior a R$ 200 bilhões no orçamento da União para o abatimento de dívidas.

O embate sobre os rumos econômicos do país ocorreu no primeiro bloco do programa, iniciado às 20h (horário de Brasília), logo após um questionamento dos mediadores sobre o histórico de baixo crescimento nas últimas três décadas, a elevada carga tributária, a perda do grau de investimento pelas agências de classificação de risco há mais de dez anos, a expansão do endividamento público e os patamares recordes da taxa de juros real. “Nós precisamos, primeiro, fazer o dinheiro circular na mão das pessoas, porque muito dinheiro na mão de poucos significa pobreza e miséria, mas um pouco de dinheiro na mão de muitos significa distribuição de renda”, afirmou Lula.

Lula aposta em microempresas, transição verde e reservas de US$ 370 bilhões

Para sustentar seu modelo de desenvolvimento baseado na ampliação do poder de compra da população, o candidato do PT relembrou medidas adotadas em suas gestões anteriores à frente do Executivo federal. O presidente citou a criação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e a implementação do programa do Microempreendedor Individual (MEI), modalidade simplificada de registro para trabalhadores autônomos que, segundo declarou no encontro, soma atualmente 17,5 milhões de profissionais formalizados em todo o território nacional, além de mencionar a necessidade de incentivar a transição para novas frentes produtivas.

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“Este país pode dar um salto, porque agora nós vamos tratar de uma nova economia: a economia digital, a economia verde e a economia criativa, para que o Brasil dê um salto de qualidade”, declarou Lula.

O petista também recorreu a indicadores macroeconômicos de seus dois primeiros mandatos para rebater as críticas sobre a condução fiscal do governo. Ele citou a quitação da dívida de US$ 30 bilhões que o Brasil mantinha com o Fundo Monetário Internacional (FMI) quando assumiu a Presidência em 2003, a conquista do selo de bom pagador por meio do grau de investimento obtido entre 2007 e 2010 e o acúmulo de aproximadamente US$ 370 bilhões em reservas internacionais durante as administrações anteriores do partido.

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Flávio Bolsonaro cita dívida de R$ 11 trilhões e promete R$ 200 bilhões no orçamento

Em contraposição ao diagnóstico governista, o candidato do PL direcionou suas intervenções para o impacto da inflação sobre o orçamento doméstico e para o avanço das despesas públicas. O senador questionou diretamente os eleitores sobre o poder aquisitivo das famílias diante da variação de preços de itens básicos de alimentação, atribuindo o encarecimento do crédito e os níveis da taxa básica de juros ao ritmo de gastos da atual administração federal.

“A sua vida melhorou ou piorou? A comida está mais cara ou mais barata? Quanto está o preço do arroz, do feijão, da carne aí na sua casa?”, disse Flávio Bolsonaro.

Durante o confronto direto, o parlamentar afirmou que a dívida pública brasileira alcança a marca de R$ 11 trilhões e responsabilizou o Palácio do Planalto pelo endividamento tanto do Estado quanto dos cidadãos. “Essa dívida não é sua. Essa dívida é do atual governo, que gasta, gasta, gasta, gasta de uma forma desenfreada. Está gastando loucamente para tentar se reeleger”, declarou Flávio Bolsonaro.

Como proposta central para a área fiscal, o postulante da oposição assegurou que, se vencer o pleito, promoverá uma reorganização nas contas públicas logo no início do mandato para socorrer devedores e reduzir o passivo estatal. “Com a nossa eleição, rapidamente vamos ter um espaço no orçamento de mais de 200 bilhões de reais. Sabe o que eu vou fazer com isso? Vou ajudar você a pagar sua dívida, e vou ajudar o governo a pagar a própria dívida”, afirmou Flávio Bolsonaro. O candidato do PL, contudo, não detalhou durante o bloco quais despesas seriam cortadas nem quais medidas administrativas seriam adotadas para liberar o montante prometido de R$ 200 bilhões no orçamento federal. Ele acrescentou ainda que obteve mais de 50 milhões de votos no primeiro turno e que a reação do mercado financeiro ao seu desempenho nas urnas provocou uma queda de 2% nas taxas de juros futuros.

Primeiro encontro presencial entre Lula e Flávio Bolsonaro na campanha de 2026

O programa realizado em 18 de outubro de 2026 marcou a primeira vez em toda a campanha eleitoral que Lula e Flávio Bolsonaro ficaram frente a frente em um estúdio de televisão, uma vez que ambos os candidatos decidiram não comparecer ao debate do primeiro turno promovido pela mesma emissora no último dia 23 de agosto. A confirmação do confronto direto foi precedida por um recuo estratégico na semana da transmissão: na terça-feira (13), o senador do PL havia anunciado que não participaria do evento televisivo, mas mudou de posição na quarta-feira (14), sob a justificativa de que a desistência informada anteriormente tratava-se de uma armadilha para garantir que o presidente confirmasse presença. Antes de a pauta econômica dominar as discussões, a pergunta de abertura do encontro abordou a área de segurança pública, tratando do avanço de facções criminosas, do domínio territorial por grupos armados e da proposta de redução da maioridade penal.

Regras do debate em São Paulo e calendário até o segundo turno em 25 de outubro

O encontro televisivo em São Paulo contou com um formato dividido em três blocos, combinando questionamentos feitos pelos apresentadores e períodos de embate livre entre os concorrentes. O cronograma da reta final da disputa presidencial e a estrutura de transmissão envolvem as seguintes definições:

  • Mediação: condução dos jornalistas e âncoras Adriana Araújo e Eduardo Oinegue.
  • Tempo de confronto: banco individual de 15 minutos por candidato no primeiro bloco, totalizando 30 minutos de debate livre.
  • Pool de transmissão: exibição conjunta por emissoras de televisão e veículos parceiros.
  • Próximo debate: sexta-feira (23), no Rio de Janeiro.
  • Votação do segundo turno: domingo (25), em todo o país.

Após o embate nos estúdios paulistanos, os dois candidatos voltam a se enfrentar na sexta-feira (23), no Rio de Janeiro, no último debate televisivo previsto antes da votação decisiva do segundo turno, marcada para 25 de outubro de 2026.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.
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