O presidente da República e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou na sede do Grupo Bandeirantes, no bairro do Morumbi, em São Paulo, na noite deste domingo (18), para o primeiro debate presidencial do segundo turno. Acompanhado da esposa, a primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja da Silva, o chefe do Executivo defendeu uma disputa focada em propostas e afirmou que a política brasileira tem se empobrecido.
Logo na chegada à emissora, Lula cumprimentou integrantes da Band e conversou com os jornalistas no hall de entrada do prédio. Questionado pelos repórteres sobre o que aguarda do encontro frente ao senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o candidato petista manifestou preocupação com a possibilidade de o programa escalar para trocas de ofensas. “A expectativa é que seja um debate em que a sociedade brasileira tenha esclarecimento do que cada candidato propõe para o Brasil”, declarou o presidente.
Lula cobra civilidade e mira abstenções no debate da Band
Ao comentar o tom da campanha eleitoral antes de ingressar nos estúdios, o candidato do PT ressaltou que os eleitores aguardam discussões sobre os problemas do país e rejeitam ataques pessoais entre os concorrentes. “Eu espero que o debate seja uma aula de civilidade para que a sociedade aprenda inclusive a gostar e a respeitar a política, porque se não for assim, termina não sendo necessário fazer debate. Se for xingatório, se for provocação, a sociedade já está cansada disso. Portanto, vamos ver o que vai acontecer. Eu vim para discutir o Brasil”, afirmou Lula na entrevista coletiva.
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Os jornalistas também perguntaram ao presidente se o fato de acumular um histórico maior de participações em encontros televisivos representa uma vantagem direta contra o adversário do PL. Lula reconheceu contar com uma bagagem mais extensa nesse formato de programa, mas ponderou não saber o quanto esse fator pesa na decisão do eleitorado na reta final da campanha. “Obviamente que eu devo ter um pouco mais de experiência. Não sei se experiência vale muito nisso, mas eu tenho um pouco mais de experiência”, disse.
Outro ponto abordado pelo candidato à reeleição foi a estratégia para atrair a parcela do eleitorado que não compareceu às urnas na primeira etapa da votação. Lula explicou que pretende continuar percorrendo o país e utilizando o espaço da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão para dialogar com os ausentes, além de tentar aproveitar a visibilidade do confronto na Band. “Vamos ver se o debate ajuda um pouco”, completou o presidente.
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Comitivas de Lula e Flávio Bolsonaro nos estúdios da Band
Para acompanhar o desempenho do presidente diretamente nos bastidores da emissora paulista, a campanha petista formou uma comitiva com integrantes do primeiro escalão do governo federal e parlamentares da base aliada. Estiveram presentes nos estúdios da Band ao lado de Lula o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), o ex-ministro Aloizio Mercadante (PT) e o deputado federal André Janones (Rede).
O senador Flávio Bolsonaro desembarcou na sede do Grupo Bandeirantes antes do presidente da República e declarou na entrada que utilizaria o espaço televisivo para confrontar o adversário. O candidato do PL chegou ao local acompanhado por um grupo de governantes e parlamentares de direita, composto pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pelo prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), pelos ex-juízes Sergio Moro (PL) e Deltan Dallagnol (Novo), pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e por Guilherme Derrite (PP).
Regras do debate na Band e números da disputa em 2026
O encontro na capital paulista marca a primeira vez em que Lula e Flávio Bolsonaro ficam frente a frente na campanha eleitoral de 2026, uma vez que ambos os postulantes se ausentaram dos debates promovidos pelas emissoras durante o primeiro turno. O embate ocorre em um momento de equilíbrio estatístico na corrida pelo Palácio do Planalto: segundo pesquisa do instituto Datafolha divulgada antes do programa, Flávio Bolsonaro registra 51% das intenções de votos válidos, contra 49% de Lula, configurando situação de empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais.
Com mediação dos jornalistas e âncoras Adriana Araújo e Eduardo Oinegue, o programa reúne perguntas elaboradas por profissionais de imprensa e momentos de embate direto entre os dois postulantes ao Executivo. Por meio de sorteio prévio acordado entre a direção da emissora e as equipes das duas campanhas, ficou estabelecido que o senador Flávio Bolsonaro ocupa o púlpito localizado à esquerda do estúdio, enquanto o presidente Lula fica posicionado no púlpito da direita. Além da transmissão pelos canais de televisão, emissoras de rádio e plataformas digitais do Grupo Bandeirantes, o evento conta com retransmissão simultânea em um pool — consórcio de veículos de comunicação — que inclui a TV Cultura e a TV Gazeta.
A sede da Band carrega ainda um peso histórico na biografia política do atual presidente da República e nas disputas pelo Executivo nacional após o fim da ditadura militar. Foi na emissora paulista, em 17 de julho de 1989, que ocorreu o primeiro debate presidencial da história da televisão brasileira desde a redemocratização do país, ocasião em que Lula dividiu o estúdio com outros oito candidatos sob a mediação da jornalista Marília Gabriela.
A estrutura do programa e o calendário oficial da disputa presidencial de 2026 contam com as seguintes definições:
- Duração prevista do programa: cerca de 2 horas de transmissão.
- Divisão estrutural do encontro: 3 blocos com perguntas de jornalistas e embates entre os concorrentes.
- Tempo de confronto direto livre: 30 minutos no primeiro bloco, sendo 15 minutos administrados por cada candidato.
- Primeiro turno das eleições: realizado em 4 de outubro de 2026.
- Segundo turno das eleições: votação marcada para domingo, 25 de outubro de 2026.
