TSE exige biometria no e-Título para 88,78% dos eleitores no 2º turno de 2026

E-Título

E-Título - Foto: xm4thx / Shutterstock.com

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permite que o cidadão utilize o aplicativo e-Título como identificação única para votar no segundo turno das eleições, marcado para o domingo (25), das 8h às 17h pelo horário de Brasília. Desenvolvida para o pleito de 2018 a fim de substituir o comprovante impresso, a plataforma digital só dispensa a carteira de identidade tradicional quando exibe a fotografia do usuário na tela. Essa validação visual depende da coleta biométrica prévia e teve suas diretrizes reforçadas pela Justiça Eleitoral em 28 de julho de 2026. Para esta etapa da votação, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, confirmou que os eleitores podem baixar e fazer o primeiro acesso à ferramenta inclusive no próprio dia de ir às urnas.

Consulta de 4.352 seções alteradas e justificativa de ausência pelo aplicativo

Distribuído gratuitamente para celulares e tablets com sistemas Android e iOS, o programa concentra os principais serviços da Justiça Eleitoral sem exigir deslocamento até um cartório. Antes de sair de casa no domingo (25), a recomendação oficial é verificar o endereço de votação na tela do aparelho, pois os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) mudaram o local de 4.352 seções em todo o território nacional. Esse volume representa 0,87% das 499.248 seções instaladas e decorre de reformas em escolas, falhas elétricas e temporais. As maiores trocas ocorrem em São Paulo, com 982 seções modificadas, Minas Gerais, com 514, Rio de Janeiro, com 431, e Bahia, com 312, todas atualizadas em tempo real no sistema digital.

Além da localização da zona e da seção, o painel eletrônico emite certidões de quitação e de antecedentes criminais eleitorais, acompanha requerimentos do sistema Título Net e gerencia a inscrição ou o descadastramento de mesários voluntários. A versão ativa em 2026 conta ainda com um assistente virtual, o módulo Boletim na Mão para conferência de resultados, validação por código QR e quitação de débitos via Pix ou cartão de crédito pelo sistema PagTesouro. Quem está fora do domicílio eleitoral utiliza a mesma interface para justificar a ausência. Os eleitores que faltaram ao primeiro turno, realizado em 4 de outubro com o comparecimento de 125,2 milhões dos 158,7 milhões de cidadãos aptos (79% do total), podem votar normalmente na segunda etapa, mas têm até 3 de dezembro de 2026 para enviar a justificativa da primeira falta. Já a ausência no segundo turno deve ser justificada até 8 de janeiro de 2027, sob pena de multa de R$ 3,51 por etapa não justificada.

O cadastro inicial na plataforma leva poucos minutos e pede o número do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou da inscrição eleitoral, acompanhado do nome completo, data de nascimento e filiação. Depois de cruzar os dados com a base oficial, o aplicativo solicita respostas a perguntas de segurança e a criação de uma senha. A partir dessa ativação, cada novo login no aparelho passa a exigir validação facial. Cidadãos com o documento suspenso ou cancelado por três ausências consecutivas não justificadas conseguem abrir o programa para consulta, mas permanecem impedidos de votar.

Validação por biometria abrange 88,78% dos eleitores aptos

A dispensa do documento impresso na seção eleitoral ocorre exclusivamente quando o perfil do e-Título apresenta a foto digitalizada do titular. Esse retrato só é carregado no sistema para quem compareceu à Justiça Eleitoral e realizou o cadastramento biométrico, procedimento que registra as impressões digitais e a imagem facial. Quando o eleitor não possui esse registro prévio, o aplicativo funciona apenas para consultas e exibe um espaço em branco no lugar da fotografia, tornando obrigatória a apresentação de uma carteira física oficial ao mesário.

A identificação por digitais e reconhecimento facial foi implementada para impedir fraudes de falsidade ideológica e garantir que cada pessoa vote apenas uma vez. De acordo com os dados do TSE, o índice de cobertura biométrica alcança 88,78% do eleitorado apto. Na prática, cerca de 140 milhões de pessoas cumprem os requisitos para se identificar somente pelo smartphone na cabine de votação, ao passo que aproximadamente 18 milhões de cidadãos sem biometria cadastrada continuam obrigados a portar documentação impressa.

Fechamento do cadastro em maio e reabertura em 3 de novembro

A janela para coleta de digitais e atualização de dados cadastrais foi encerrada em maio, prazo legal em que o sistema nacional é congelado para organizar a logística de votação. Essa suspensão temporária serve para consolidar a relação definitiva de votantes antes da preparação das urnas eletrônicas. Por causa desse bloqueio, quem perdeu o prazo na metade do ano não consegue incluir a fotografia no aplicativo entre os dois turnos e precisa levar um documento impresso no domingo (25).

Os serviços presenciais de alistamento, transferência de domicílio e coleta biométrica nos cartórios serão retomados após o encerramento do processo eleitoral. O cronograma da Justiça Eleitoral fixa o dia 3 de novembro de 2026 para a reabertura do cadastro em todo o país. A partir dessa data, os eleitores com pendências ou sem digitais registradas poderão procurar o atendimento presencial para atualizar o perfil digital visando às votações seguintes.

Leia também: Justiça Eleitoral isola votos brancos e nulos e define eleitos só com válidos

Carteiras físicas aceitas na seção quando o aplicativo não exibe foto

Quem faz parte do grupo sem biometria ou prefere não levar o telefone celular precisa apresentar um comprovante civil com foto na mesa receptora de votos. O antigo título eleitoral impresso em papel não possui retrato do titular e, por esse motivo, não é aceito sozinho para liberar a urna. A legislação determina que o mesário confira a identidade por meio de um dos documentos oficiais listados para as Eleições Gerais de 2026:

  • Registro Geral (RG) ou carteira de identidade social;
  • Carteira Nacional de Habilitação (CNH);
  • Passaporte emitido pela Polícia Federal;
  • Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS);
  • Certificado de reservista militar, para homens;
  • Carteiras de identidade expedidas por conselhos de classe reconhecidos por lei.

As regras do TSE autorizam o uso dessas carteiras físicas mesmo que a data de validade esteja vencida, desde que o estado de conservação do papel permita confirmar a fisionomia do portador sem dúvidas. Em contrapartida, certidões de nascimento e de casamento são recusadas pelas mesas receptoras em qualquer hipótese, pois não trazem fotografia.

Liberação de download no domingo de votação e proibição de captura de tela

A substituição dos comprovantes impressos pelo e-Título reduz as despesas públicas com papel e agiliza a conferência de dados nas seções eleitorais. Para o pleito de 2026, o TSE ampliou a capacidade dos seus servidores de informática e suspendeu a trava que, em eleições passadas, bloqueava a instalação do programa no dia da votação para evitar sobrecarga. Segundo o anúncio feito pelo ministro Kassio Nunes Marques em 24 de setembro de 2026, o download e a ativação da conta permanecem abertos durante todo o domingo do primeiro e do segundo turno.

Apesar da liberação técnica no próprio dia do pleito, a Justiça Eleitoral orienta que os usuários instalem ou atualizem a ferramenta com antecedência para contornar eventuais lentidões na rede móvel. Na hora de se identificar ao mesário, a versão digital com foto precisa ser aberta ao vivo dentro do aplicativo no celular ou no tablet, sendo proibido apresentar captura de tela — o chamado print — ou cópia impressa da imagem. A recomendação final do órgão é sair de casa com a bateria do aparelho carregada e portar um documento físico no bolso como reserva caso o telefone descarregue na fila.

Luís Pereira: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.
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