Ciclone extratropical leva temporais ao Centro-Sul do Brasil

Tempestade, Ciclone extratropical

Tempestade, Ciclone extratropical - Daynjer-In-Focus/ Istockphoto.com

Sete estados brasileiros entram na rota de instabilidades provocadas pela formação de um novo ciclone extratropical a partir desta quarta-feira, 21 de outubro de 2026. O sistema meteorológico atingirá o ápice entre o sábado (24) e o domingo (25), com previsão de chuvas intensas e risco de temporais severos em três regiões do país: Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

O desenvolvimento do fenômeno começa com o fortalecimento de uma área de instabilidade localizada entre a Região Sul, a Argentina e o Paraguai. “É um processo mais lento que inicia-se na quarta-feira (21), com as primeiras instabilidades atuando no oeste da Região Sul e se espalhando para o Centro-Oeste e Sudeste nos dias seguintes, com ápice da formação no fim de semana”, afirmou Tiago Robles, especialista em meteorologia, em boletim divulgado no domingo (18).

Avanço do ciclone extratropical pelos 7 estados entre quarta e sexta-feira

As primeiras ocorrências associadas ao ciclone extratropical começam na quarta-feira (21), quando chuvas, trovoadas e temporais atingem o oeste e o noroeste do Rio Grande do Sul, o oeste e o extremo oeste de Santa Catarina, além do sul e de todo o oeste do Paraná, com pancadas isoladas também no Mato Grosso do Sul. Na madrugada e na manhã de quinta-feira (22), a área de alerta passa a abranger o oeste, o centro e o norte paranaense, o extremo norte catarinense e faixas de São Paulo próximas à divisa com o Paraná, antes de o calor da tarde espalhar a chuva forte por outras áreas do interior.

Confira também: Ciclone extratropical avança e mantém Sudeste sob alerta de chuva

Com a elevação das temperaturas na tarde de quinta-feira (22) e o posterior deslocamento do sistema na sexta-feira (23), as pancadas de forte intensidade e os temporais severos se distribuem por diferentes faixas do Centro-Sul em períodos específicos:

  • Quinta-feira (22), à tarde: temporais no noroeste e oeste do Paraná, Mato Grosso do Sul, sul do Mato Grosso, oeste e norte de São Paulo, além do Triângulo Mineiro e centro-sul de Minas Gerais.
  • Quinta-feira (22), no fim do dia: chuva ganha força na metade norte, oeste e Campanha do Rio Grande do Sul e no extremo oeste de Santa Catarina e do Paraná, enquanto enfraquece no Sudeste e no Centro-Oeste.
  • Sexta-feira (23), na madrugada e ao longo do dia: risco de tempo severo no centro-norte, sul, leste e nordeste gaúcho, em todo o território de Santa Catarina e do Paraná, no sul do Mato Grosso do Sul e na divisa paulista.
  • Sexta-feira (23), à tarde: chuva intensa persiste no norte catarinense, no leste, norte e oeste paranaense, no Mato Grosso do Sul, no centro-norte e leste de São Paulo e no centro-sul e Triângulo Mineiro.

Ápice do ciclone extratropical entre sábado (24) e domingo (25)

O sistema ganha corpo de forma definitiva durante o fim de semana. No sábado (24), a intensificação de uma região de cavado — área alongada de baixa pressão atmosférica — mantém o potencial para tempestades pontuais nos três estados da Região Sul, em São Paulo e no Mato Grosso do Sul.

Acompanhe: Chuva atinge capitais do Sudeste e Inmet emite alerta no Sul e Centro-Oeste

No domingo (25), esse cavado evolui para um centro de baixa pressão mais profundo e dá origem ao ciclone extratropical. Nessa etapa, o risco de chuvas muito intensas e temporais severos aumenta principalmente durante a madrugada sobre Santa Catarina e o sul do Mato Grosso do Sul. Os volumes exatos de precipitação acumulada em milímetros e a velocidade máxima prevista para as rajadas de vento em quilômetros por hora entre os dias 21 e 25 ainda não foram detalhados pelos modelos meteorológicos.

Ciclone extratropical anterior e influência do El Niño na primavera de 2026

A sequência de eventos severos no Centro-Sul durante a primavera de 2026 ocorre sob a influência do fenômeno climático El Niño, aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial que fortalece o jato subtropical na atmosfera e aumenta a frequência de frentes frias, ciclones e chuvas acima da média. Na semana anterior, entre 15 e 17 de outubro, outro ciclone extratropical já havia se formado no Atlântico Sul próximo à costa brasileira, provocando temporais, ventos costeiros intensos no litoral gaúcho e catarinense e o avanço de uma massa de ar frio. Na sequência, entre o sábado (17) e esta segunda-feira (19), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também monitorou a possível configuração da primeira Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) da estação, corredor de nebulosidade formado pela combinação de uma frente fria no oceano com a umidade vinda da Amazônia.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.
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