Desenrola Fies 2026 renegocia R$ 7,39 bi em 138 mil contratos

FIES educação MEC

FIES educação MEC - Foto: rafastockbr/Shutterstock.com

Os estudantes com contratos ativos do Novo Fies (Fundo de Financiamento Estudantil, programa federal de crédito universitário) têm até 30 de novembro de 2026 para concluir o aditamento contratual referente ao segundo semestre de 2026 junto à instituição financeira responsável pela operação. O procedimento engloba os pedidos de renovação semestral, suspensão temporária ou transferência de curso e instituição, mas possui prazos internos antecipados que se encerram já nesta terça-feira (20) em universidades como a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

Para validar a etapa na plataforma digital do programa, o aluno precisa estar em dia com as cobranças mensais obrigatórias do programa. “Ressaltamos que a adimplência do estudante com os pagamentos mensais da manutenção do seu financiamento e coparticipação – boleto único (por meio de débito em conta ou boleto bancário) é condição para efetivação dos aditamentos”, informou o Agente Operador do Novo Fies, em comunicado oficial.

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Exigências e compensação bancária no Novo Fies

O calendário de aditamentos cumpre as diretrizes do artigo 84 da Portaria MEC nº 209, de 7 de março de 2018. São público-alvo da medida todos os universitários que possuem contrato do Novo Fies em fase de utilização — período em que o aluno ainda cursa a graduação — e que já concluíram as renovações de períodos anteriores ou assinaram o financiamento no primeiro semestre de 2026. A segurança do acesso à plataforma digital do financiamento exige autenticação em duas etapas, realizada mediante o envio e a validação de um código encaminhado ao endereço de comunicação cadastrado pelo usuário.

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Quem possui débitos pendentes deve regularizar a situação financeira antes dos últimos dias do calendário nacional, pois o reconhecimento bancário não é imediato e pode travar a liberação da matrícula em instituições de ensino superior, a exemplo do Centro Universitário Santo Agostinho (UNIFSA). Como os processamentos dos pagamentos ocorrem sistemicamente no prazo de 5 (cinco) dias úteis, o banco estatal orienta que os estudantes realizem o pagamento das parcelas em aberto, de forma a garantir que todos os procedimentos sejam concluídos em tempo hábil, conforme nota técnica.

Como fazer o aditamento do Novo Fies e datas do calendário

A tramitação do aditamento começa nas Comissões Permanentes de Supervisão e Acompanhamento (CPSAs), setores internos das faculdades responsáveis por validar os dados acadêmicos do aluno. Na PUCPR, em razão de instabilidades sistêmicas e liberações no ambiente digital do agente operador, o limite interno para solicitar a renovação semestral pela CPSA termina nesta terça-feira (20), garantindo tempo hábil para a confirmação eletrônica pelo estudante até o fim de novembro. O procedimento no sistema eletrônico divide-se em duas categorias operacionais, que seguem o cronograma e os prazos de compensação abaixo:

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  • 14 de julho de 2026: abertura nacional do calendário para solicitações de suspensão e transferência de contratos referentes ao segundo semestre de 2026.
  • 20 de outubro de 2026: encerramento do prazo interno da CPSA na PUCPR para o pedido de renovação semestral.
  • 30 de novembro de 2026: prazo final nacional do agente operador para concluir a renovação semestral, a suspensão ou a transferência do segundo semestre de 2026.
  • Até 5 dias úteis: tempo exigido pela instituição bancária para o processamento sistêmico do pagamento de boletos em atraso.
  • Até 7 dias úteis: prazo que o reconhecimento bancário e a liberação de matrícula podem atingir em instituições como o UNIFSA.
  • Aditamento simplificado: modalidade sem mudanças contratuais, na qual o estudante confirma os valores da semestralidade no sistema eletrônico e guarda o comprovante para assinar o Documento de Regularidade de Matrícula (DRM) na CPSA.
  • Aditamento não simplificado: exigido quando há alteração de dados cadastrais, troca de fiadores ou mudança no percentual de financiamento, obrigando o universitário a retirar o DRM na CPSA e comparecer presencialmente a uma agência bancária.

Balanço do Desenrola Fies 2026 soma R$ 7,39 bilhões renegociados

Enquanto os alunos com contratos em andamento fazem a manutenção semestral, o Ministério da Educação (MEC) divulgou os resultados da regularização de dívidas antigas por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia federal responsável pela execução de políticas educacionais. O levantamento consolidou informações do Banco do Brasil e do segundo agente financeiro estatal na posição de 17 de setembro de 2026, sob a gestão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, apontando que o programa Desenrola Fies 2026 renegociou 138.664 contratos em todo o território nacional, um volume que englobava R$ 7,39 bilhões em débitos originais antes da aplicação dos descontos legais.

Com os abatimentos autorizados pela legislação do programa, o saldo devedor total dessas carteiras caiu de R$ 7,39 bilhões para R$ 1,54 bilhão. A operação gerou uma redução aproximada de R$ 5,85 bilhões nas dívidas dos ex-alunos e resultou na arrecadação de R$ 338,6 milhões em pagamentos de parcelas de entrada nos acordos formalizados. A distribuição dos 138.664 contratos renegociados variou conforme o tempo de atraso e a inscrição no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico, base de dados que identifica famílias de baixa renda):

  • Inadimplentes há mais de 360 dias (desconto de 77%): faixa com maior adesão, somou 92.828 contratos e reduziu uma dívida original de R$ 5,19 bilhões para R$ 1,19 bilhão.
  • Inscritos no CadÚnico (desconto de 92%): 28.209 acordos firmados, diminuindo o passivo de R$ 1,58 bilhão para R$ 126,2 milhões.
  • Inscritos no CadÚnico com atraso superior a cinco anos (desconto de 99%): 7.398 contratos renegociados, baixando o saldo devedor de R$ 394,6 milhões para cerca de R$ 3,9 milhões.
  • Contratos adimplentes ou com atraso de até 90 dias (desconto de 12% à vista): 5.996 renegociações, reduzindo o débito de R$ 52,5 milhões para R$ 46,3 milhões.
  • Atraso superior a 90 dias (parcelamento sem desconto sobre o valor principal): 4.233 acordos celebrados, passando o montante de R$ 175,1 milhões para R$ 171,2 milhões.

Regras de renegociação para contratos do Fies pré e pós-2018

O Desenrola Fies 2026 foi criado pela Medida Provisória nº 1.355, de 4 de maio de 2026, e regulamentado pela Resolução CG-Fies nº 66, de 11 de maio de 2026. Essa frente atendeu exclusivamente financiamentos assinados até o ano de 2017 que já estavam em fase de amortização — etapa de quitação da dívida após a conclusão do curso — em 4 de maio de 2026. O período para aderir a essa modalidade terminou em 31 de agosto de 2026, mesma data em que se encerrou a vigência da medida provisória. Na primeira edição do Desenrola Fies, ocorrida entre 2023 e 2024, cerca de 390 mil contratos haviam passado por renegociação.

Já para os estudantes que ingressaram no Novo Fies a partir de 2018 e enfrentam dificuldades financeiras, o banco operador mantém ativa uma linha específica de regularização amparada pela Resolução MEC nº 64, de 24 de julho de 2025. O mecanismo contempla contratos em fase de amortização que registravam inadimplência superior a 90 dias na data de corte de 31 de julho de 2025. Nessa regra, o financiador concede desconto de 100% sobre os encargos moratórios, que incluem juros e multas por atraso, e permite o parcelamento do saldo devedor em até 180 prestações mensais, respeitado o valor mínimo de R$ 200,00 por parcela.

Até esta segunda quinzena de outubro de 2026, o Ministério da Educação e a instituição financeira operadora ainda não divulgaram o número consolidado de estudantes com contratos ativos que já finalizaram o aditamento de renovação referente ao segundo semestre de 2026. O sistema eletrônico segue aberto para a confirmação dos alunos e validação das CPSAs até o encerramento do calendário nacional em 30 de novembro de 2026.

Luís Pereira: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.
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