O especialista em concursos públicos e fundador do Brabo Concursos, Felipe Graton, publicou nesta segunda-feira (19) uma análise sobre a eficácia e os limites do uso do celular na preparação para provas. De acordo com o levantamento, que reúne pesquisas científicas e de mercado, o aparelho funciona como ferramenta de reforço no tempo livre quando aplicado a tarefas curtas, mas o desvio de atenção causado por notificações exige cerca de 25 minutos para a retomada da concentração plena.
A avaliação considera o volume de tempo que a população dedica aos dispositivos móveis no país. Segundo a pesquisa Consumer Pulse, divulgada em setembro de 2025 pela consultoria Bain & Company, o Brasil registra 1,2 smartphone por habitante, e as atividades digitais ocupam o segundo lugar no tempo livre da população, atrás apenas das tarefas domésticas. Sobre o comportamento dos usuários diante das telas, o sócio da Bain & Company responsável pelo estudo no Brasil, Ricardo De Carli, afirmou que “os dados refletem um momento de transição, no qual o uso intenso da tecnologia convive com a busca por maior equilíbrio e com dúvidas sobre os impactos das inovações na saúde. Vemos que o perfil do consumidor hoje é o de um equilibrista, que tenta conciliar conectividade constante com limites pessoais mais saudáveis.”
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Dados da Bain & Company sobre o tempo de conexão no Brasil
O levantamento da consultoria Bain & Company demonstra que o brasileiro permanece conectado à internet acima da média global, mas parte dos usuários manifesta o desejo de diminuir a exposição diária aos aparelhos. Os indicadores da pesquisa Consumer Pulse detalham os hábitos de navegação e os motivos para a tentativa de redução:
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- 9h13: tempo médio diário que o brasileiro passa conectado à internet.
- 6h38: média mundial diária de uso da internet.
- 3h37: período médio diário que o brasileiro dedica exclusivamente às redes sociais.
- 28%: percentual de entrevistados no Brasil que desejam reduzir o tempo conectado às telas.
- 35%: parcela dos entrevistados que aponta a distração causada pelos estímulos digitais como o principal motivo para querer diminuir o uso.
- 28%: índice de usuários que citam os efeitos sobre a saúde e o bem-estar como razão para reduzir a conexão.
- 18%: percentual que relata sensação de culpa pelo tempo gasto nos aparelhos.
Pesquisas de Gloria Mark apontam queda da atenção nas telas para 47 segundos
O impacto das interrupções digitais no rendimento de quem estuda foi medido por Gloria Mark, psicóloga, professora de informática na Universidade da Califórnia em Irvine (UCI) e autora do livro “Attention Span”, publicado em 2023 e lançado no Brasil sob o título “O Poder da Atenção”. A obra compila duas décadas de pesquisas, incluindo medições realizadas entre 2004 e 2021, e demonstra que a tentativa de realizar múltiplas tarefas simultaneamente faz a atenção alternar rapidamente entre diferentes atividades, o que compromete a compreensão de conteúdos sequenciais, como a explicação de um professor durante uma aula.
Nos levantamentos conduzidos pela pesquisadora norte-americana, o tempo exato necessário para um indivíduo retomar a concentração total na tarefa original após uma interrupção é de 25 minutos e 26 segundos. Ao detalhar a redução histórica do foco contínuo nos dispositivos eletrônicos, Gloria Mark declarou que “Em 2004, a atenção média num ecrã durava cerca de 2 minutos e meio. Alguns anos mais tarde, a duração da atenção era de cerca de 75 segundos. Agora, encontramos pessoas que só podem prestar atenção a um ecrã durante uma média de 47 segundos.”
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Como o estudo pelo celular para concursos públicos rende mais?
Diante da janela reduzida de atenção contínua nos aparelhos, Felipe Graton aponta em sua análise publicada em 19 de outubro de 2026 que o smartphone apresenta melhor resultado quando utilizado durante deslocamentos, como no transporte público ou em filas, para atividades curtas e ativas. A resolução de questões e a revisão por meio de resumos próprios ou flashcards (cartões de memorização com perguntas e respostas) exigem que o estudante recupere a informação da memória. Caso ocorra uma interrupção externa, o prejuízo restringe-se a um exercício de dois ou três minutos, sem comprometer o entendimento de uma matéria inteira.
A eficácia desse formato tem respaldo na revisão científica “Improving Students’ Learning With Effective Learning Techniques: Promising Directions From Cognitive and Educational Psychology”, publicada em janeiro de 2013 na revista científica Psychological Science in the Public Interest. Liderado pelo psicólogo e professor da Kent State University, John Dunlosky, em parceria com os pesquisadores Katherine A. Rawson, Elizabeth J. Marsh, Mitchell J. Nathan e Daniel T. Willingham, o trabalho analisou mais de 700 artigos científicos sobre 10 técnicas de estudo e classificou a prática por testes (que inclui questões e flashcards) e a prática distribuída entre as estratégias de maior utilidade para o aprendizado e a retenção de conteúdo.
Para que a resolução de exercícios no celular produza resultado na preparação, o candidato precisa ler o comentário de cada item errado, compreender a justificativa da alternativa correta e registrar a falha em um caderno para as revisões das semanas seguintes. Já a exibição de videoaulas no aparelho requer ambiente silencioso, mesa de apoio, apostila física aberta e anotações feitas à mão com caneta para manter o foco. Segundo o especialista, assistir a aulas de forma fragmentada em intervalos de cinco minutos, em velocidade dobrada durante tarefas domésticas, salvar publicações de dicas ou acompanhar grupos de mensagens sobre editais não substitui as duas horas diárias de estudo em mesa com material aberto.
Configurações no Android e no iPhone para bloquear distrações nos estudos
Para evitar que o uso do smartphone nos intervalos do dia seja desviado para o entretenimento, Felipe Graton recomenda estabelecer objetivos claros antes de iniciar a sessão. “Depois, decida o que vai fazer antes de desbloquear a tela. “Vou fazer 15 questões de português” é um plano. “Vou dar uma estudada” é a porta de entrada para o Instagram.”, afirmou o especialista.
Além do planejamento prévio da tarefa, a organização do próprio sistema operacional do aparelho reduz o contato com gatilhos de interrupção. Entre as medidas práticas indicadas por Felipe Graton e por Gloria Mark para quem utiliza o celular como ferramenta complementar estão:
- Consultar o relatório de tempo de uso nas configurações dos sistemas Android ou iPhone para identificar quantas horas semanais foram destinadas às redes sociais.
- Desativar as notificações de outros aplicativos e acionar o modo não perturbe antes de iniciar uma videoaula ou bateria de exercícios.
- Retirar os ícones de redes sociais da tela inicial e escondê-los dentro de pastas, aumentando o número de etapas necessárias para abri-los.
- Manter o aplicativo de resolução de questões visível na tela principal do aparelho para acesso imediato no início do estudo.
