O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que seu eventual governo comprará dívidas de cidadãos e empresas junto aos bancos por valores inferiores aos originais. A promessa foi apresentada no domingo, 18 de outubro de 2026, durante o primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado em São Paulo, e prevê a suspensão de cobranças por seis meses para pessoas físicas e por um ano para pessoas jurídicas.
Segundo o parlamentar, a medida integra um plano para reduzir o endividamento no país e liberar a renda de famílias e pequenos negócios durante o período de carência. “No meu governo, a gente vai comprar a sua dívida dos bancos. E o que é que vai acontecer com isso? Vai ser já por um valor muito menor”, afirmou Flávio Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro detalha carência de 6 meses a 1 ano e renegociação
De acordo com o candidato do PL, os devedores ficariam isentos do pagamento de boletos bancários enquanto durar o congelamento estipulado para cada categoria. “Você que é pessoa física, vai ficar seis meses congelado, parada a sua dívida, você não vai pagar boleto nenhum. E para você que é pessoa jurídica, esse prazo vai ser de um ano”, declarou o senador durante o segundo bloco do encontro.
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Para a fase posterior ao período de suspensão das cobranças, o candidato afirmou que pretende disponibilizar linhas de financiamento com taxas de juros menores e prazos mais longos pela Caixa Econômica Federal, de modo que as empresas consigam reorganizar o caixa. Ao exemplificar o impacto esperado nas renegociações, o senador citou que prestações mensais antes fixadas entre R$ 100 e R$ 200 passariam a valores mais baixos após a intervenção estatal.
Na avaliação do parlamentar, a pausa temporária nos pagamentos bancários permitiria a retomada imediata do consumo pelas famílias brasileiras e a recomposição de estoques e vendas do comércio. “Você, ao invés de ter que pagar sua dívida, com esse dinheiro você vai poder ir no mercado, você vai poder passear com a sua família de novo”, disse Flávio Bolsonaro.
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Proposta de Flávio Bolsonaro para a Caixa prevê o Banco da Prosperidade
O plano apresentado pelo senador inclui a transformação da Caixa Econômica Federal no que chamou de “Banco da Prosperidade”, instituição que seria direcionada à ampliação de crédito, abertura de empresas e formalização de pequenos negócios localizados em favelas e periferias. Segundo o candidato, o banco estatal também orientaria empreendedores sobre como comercializar produtos pela internet. “Ela vai te ensinar o passo a passo para você formalizar o seu negócio, para você abrir o seu negócio”, afirmou.
Além da reformulação na função do banco público, Flávio Bolsonaro prometeu instituir o “Ministério da Prosperidade” caso vença a disputa presidencial e declarou que manterá os reajustes do programa Bolsa Família. O senador também associou o alívio no orçamento dos endividados a uma queda acelerada nas taxas de juros do país a partir do início de sua eventual gestão.
“Quando eu for presidente da República, os juros já vão começar a cair de uma forma muito rápida, porque eu vou ter um grande time de ministros”, declarou o candidato, acrescentando em seguida que “comigo presidente e as taxas de juros despencando, a sua dívida vai despencar junto”. Apesar da promessa de redução imediata vinculada à escolha do ministério, a definição da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, não cabe por decisão direta ao presidente da República, mas ao Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, colegiado técnico que se reúne a cada 45 dias para deliberar sobre o índice com base em indicadores de inflação, situação das contas públicas e nível da atividade econômica.
Comparação entre a proposta de Flávio Bolsonaro e a MP 1.393/2026 de Lula
Ao expor seu projeto de renegociação no debate, o candidato do PL criticou a eficácia do programa Desenrola, criado na gestão do presidente da República e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Antes mesmo da promessa de campanha do senador, contudo, o governo federal já havia editado, na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, a Medida Provisória 1.393/2026, que instituiu o Desenrola Brasil 3.0 e autorizou a própria União a adquirir carteiras de dívidas inadimplidas por meio de leilões com descontos mínimos de 90% para repasse aos consumidores, contemplando em regra débitos originais inferiores a R$ 10 mil e que tenham período de atraso situado entre 720 e 1.645 dias.
Durante a exposição no debate televisivo, Flávio Bolsonaro não detalhou como o programa de compra de dívidas proposto por ele seria financiado, qual seria o impacto fiscal da medida nas contas da União nem quais seriam os critérios de elegibilidade ou os limites de valor para a adesão de pessoas físicas e empresas.
O confronto de propostas ocorreu no primeiro debate do segundo turno, após Flávio Bolsonaro ter superado Luiz Inácio Lula da Silva por 1,87 ponto percentual de vantagem na votação do primeiro turno. O calendário oficial e os parâmetros das medidas econômicas em discussão na campanha reúnem os seguintes marcos e números:
- 25 de setembro de 2026: edição da Medida Provisória 1.393/2026 pelo governo federal com regras para leilões de dívidas do Desenrola Brasil 3.0.
- 18 de outubro de 2026, às 21h36: apresentação da proposta de compra e congelamento de débitos por Flávio Bolsonaro no debate em São Paulo.
- 720 a 1.645 dias: faixa de tempo de atraso das dívidas de até R$ 10 mil abrangidas pela regra atual da Medida Provisória 1.393/2026.
- 25 de outubro de 2026: data da votação do segundo turno das eleições presidenciais em todo o país.
