Horário de verão continua suspenso no ciclo 2026 e 2027 após parecer do ONS sobre o sistema elétrico

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Relógio, conceito de horário de verão Foto: Relógio, conceito de horário de verão - Foto: baona/istock

O Ministério de Minas e Energia (MME) decidiu manter o horário de verão suspenso para a temporada de 2026 e 2027. A decisão técnica foi confirmada em setembro de 2026 após análises do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) atestarem a estabilidade no suprimento de energia e níveis favoráveis nos reservatórios das hidrelétricas.

O adiantamento dos relógios em uma hora não representa uma solução estrutural para suprir a demanda de potência do país. O pico de consumo de eletricidade deslocou-se para o período da tarde devido ao uso intensivo de aparelhos de ar-condicionado, o que reduziu a eficácia da mudança de fuso no fim do dia.

Mudanças no padrão de consumo e modernização da rede

Avaliações técnicas acumuladas desde 2019 demonstram queda nos ganhos econômicos que justificavam a alteração nos relógios. Além da mudança de hábito provocada pelas temperaturas mais altas — com recordes registrados desde o início das medições históricas em 1961 —, a modernização da iluminação pública reduziu a dependência da luz solar ao entardecer.

O monitoramento do setor ocorre por meio da Agenda Estratégica Eletroenergética 2026, aprovada pelo CMSE com 27 frentes de trabalho para reforçar o abastecimento. Até o fechamento do segundo trimestre de 2026, o colegiado concluiu 11 medidas, atingindo 65% de execução global do plano.

Relógio, Bandeira do Brasil, conceito de horário de verão.
Relógio, Bandeira do Brasil, conceito de horário de verão. – Foto: tzahiV/ iStock

Estabilidade nos horários de trabalho, escolas e comércio

Sem a alteração sazonal no fuso, trabalhadores e empresas mantêm a sincronização de agendas e turnos fixos de expediente. O calendário escolar também segue sem interrupções ou adaptações de horário durante os meses mais quentes do ciclo de 2026 e 2027.

A manutenção do fuso padrão evita ainda transtornos biológicos ligados ao ritmo circadiano da população nas regiões que costumavam adotar a regra, como Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Acompanhe: Horário de verão 2026 é descartado pelo Ministério de Minas e Energia após estudos técnicos do ONS sobre carga

Baterias de 22 horas e usinas térmicas garantem o suprimento

Para compensar a intermitência das fontes eólica e solar no Sistema Interligado Nacional (SIN), o governo priorizou investimentos em infraestrutura física e reserva de potência. As frentes técnicas adotadas pelo setor elétrico incluem:

  • Contratação de sistemas de armazenamento em baterias capazes de reter a produção renovável por até 22 horas, com dois leilões programados para dezembro de 2026;
  • Prorrogação até abril de 2027 das diretrizes que ampliam a disponibilidade de usinas termelétricas flexíveis, acionadas rapidamente em momentos de alta demanda;
  • Leilões de reserva de capacidade realizados em março de 2026 e entrega de quatro linhas de transmissão para escoar a carga elétrica sem sobrecarga na distribuição.

Mais de oito décadas de aplicação e cortes na América do Sul

O horário de verão foi criado em 3 de outubro de 1931 pelo então presidente Getúlio Vargas para aproveitar a luminosidade natural e reduzir o consumo entre 18h e 21h. A regra vigorou de maneira contínua de 1985 até abril de 2019, quando foi revogada após laudos apontarem neutralidade na economia de eletricidade.

Na América do Sul, países vizinhos como a Argentina também abandonaram ou restringiram a mudança de fuso ao identificarem os mesmos limites técnicos na gestão de suas redes elétricas.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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