Lula projeta R$ 500 bilhões para data centers no debate da Band

6 min de leitura
Lula sabatina - Divulgação/Globo Foto: Lula sabatina - Divulgação/Globo

O presidente da República e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (18) que o Brasil tem previsão de receber cerca de R$ 500 bilhões em investimentos para a instalação de data centers, estruturas físicas dedicadas ao armazenamento e processamento de grandes volumes de informações digitais. A declaração ocorreu nos estúdios da TV Bandeirantes, em São Paulo, durante o primeiro debate presidencial do segundo turno das eleições de 2026, em confronto direto com o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Questionado sobre estratégias para acelerar o crescimento econômico do país, que acumulou alta de 25% na produtividade nacional desde 1995 puxada pelo agronegócio, o candidato do PT apontou a expansão da economia digital e a criação de bancos de dados em território nacional como eixos para gerar postos de trabalho qualificados. “Nós estamos tentando agora fazer a novidade que é para gerar emprego para a molecada e gerar muito emprego de qualidade, que é a questão da economia digital, com os data centers”, declarou Lula.

Lula vincula produtividade aos R$ 725 bilhões da Nova Indústria Brasil

Ao defender o modelo de atração de centros de dados para o território nacional, o presidente afirmou que a entrada desses empreendimentos será acompanhada por regras de governança e soberania sobre as informações armazenadas no país, exigindo contrapartidas das empresas de tecnologia que operarem no mercado interno. Na avaliação apresentada pelo candidato durante o bloco temático sobre economia e infraestrutura, a formação de bancos de dados próprios é necessária para sustentar o salto tecnológico das empresas instaladas no Brasil e garantir que o processamento de informações estratégicas permaneça sob supervisão pública.

Veja também: Flávio Bolsonaro promete 500 mil vagas em presídios e compra de dívidas no debate

Lula associou o avanço da produtividade nacional diretamente à capacidade de financiamento em inovação dentro do setor produtivo e citou os resultados do programa federal Nova Indústria Brasil, iniciativa governamental voltada à modernização do parque fabril. “O crescimento da produtividade de um país depende muito da capacidade do investimento na inovação das indústrias brasileiras. Nós criamos a Nova Indústria do Brasil. Já foi aplicado e investido R$ 725 bilhões e estamos fazendo com que a economia volte a crescer. Depois de muitos anos a economia brasileira voltou a crescer no PIB industrial de 3,4%. É um começo extraordinário”, afirmou o candidato à reeleição.

Apesar da projeção apresentada no encontro televisivo, os candidatos não detalharam durante o programa os critérios técnicos nem a origem discriminada dos projetos privados ou públicos que compõem a estimativa de R$ 500 bilhões em investimentos para o setor de data centers.

Confira também: Lula e Flávio Bolsonaro discutem dívida de R$ 11 trilhões na Band

Formação de jovens em engenharia e incentivo à economia verde nas metas de Lula

Além da infraestrutura voltada ao armazenamento de dados, a proposta apresentada por Lula para elevar a produtividade do trabalho reúne medidas de qualificação de mão de obra tecnológica e diversificação de linhas de financiamento para novos modelos de negócios. “Nós vamos formar milhares e milhares de jovens, sobretudo em engenharia e matemática e na nova indústria digital, para que esse país possa permitir dar um salto de qualidade”, disse o presidente durante a exposição de suas metas para um eventual novo mandato.

O candidato acrescentou que o plano econômico prevê a liberação de recursos financeiros para empréstimos voltados à mobilização da produção cultural e social, paralelamente à atração de capital externo interessado em projetos de sustentabilidade ambiental. “A segunda coisa é a economia criativa, fazer com que a sociedade brasileira se manifeste, se mobilize naquilo que ela precisar fazer, que nós vamos fazer os recursos acontecer para emprestar. E a outra coisa é a economia verde, que virou uma coqueluche nesse país. O mundo inteiro está querendo aplicar na economia verde e nós vamos fazer com que isso seja uma coisa muito produtiva no país. Mais importante é a formação de profissionais”, declarou Lula.

Flávio Bolsonaro propõe internet como infraestrutura essencial e uso da Caixa

No mesmo bloco dedicado aos gargalos de gestão e competitividade, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) rebateu as declarações do adversário e argumentou que o PT esteve à frente do governo federal por duas décadas sem consolidar os avanços estruturais prometidos na campanha. Como alternativa para destravar a produtividade brasileira, o candidato do PL defendeu que o acesso à internet passe a ser tratado pelo Estado como infraestrutura essencial, com foco na conexão de escolas públicas, hospitais e comunidades indígenas em diferentes regiões do território nacional.

Flávio Bolsonaro também propôs integrar os departamentos de recursos humanos das empresas privadas às plataformas digitais do governo federal para reduzir a burocracia na contratação de trabalhadores e alinhar a oferta de vagas às demandas do mercado. Outra medida apresentada pelo senador durante o confronto na TV Bandeirantes foi o reposicionamento da Caixa Econômica Federal como um banco voltado à mobilidade social, apelidado na campanha de Banco da Prosperidade, direcionado à oferta de microcrédito e programas de capacitação técnica para profissionais autônomos.

Regras, duração e calendário do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro

O encontro realizado em 18 de outubro de 2026 marcou o primeiro embate presencial frente a frente entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em toda a campanha eleitoral deste ano, uma vez que os dois postulantes não compareceram aos mesmos debates promovidos durante o primeiro turno. O duelo ocorreu em um momento de equilíbrio na corrida presidencial, com Flávio Bolsonaro registrando 47% das intenções de voto contra 45% de Lula, dentro da margem de empate técnico apontada pelo instituto Datafolha antes do programa.

  • Horário de início do debate: 20h (horário de Brasília) de 18 de outubro de 2026.
  • Duração e formato: cerca de duas horas divididas em três blocos, incluindo 30 minutos de confronto direto livre entre os dois candidatos.
  • Mediação nos estúdios em São Paulo: jornalistas Adriana Araújo e Eduardo Oinegue.
  • Data da votação do segundo turno: domingo, 25 de outubro de 2026.

Com o encerramento do primeiro confronto televisivo desta etapa da campanha, os dois candidatos mantêm agendas de campanha ao longo da última semana antes da votação decisiva marcada para 25 de outubro de 2026.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

Notícias relacionadas