O apresentador Fred Bruno, de 37 anos, desfalcou a edição desta segunda-feira (19) do programa Globo Esporte, da TV Globo, após ser atingido de raspão no pé por um disparo de arma de fogo efetuado pelo deputado estadual Marcelo Theodoro de Aguiar, conhecido como Marcelo Aguiar (PL-SP). A ocorrência foi registrada durante a madrugada em meio a um tumulto no Santo Cupido Bar, situado no bairro Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo.
Com o calçado rasgado pelo projétil e um inchaço no local atingido, o jornalista se pronunciou ao longo do dia sobre o episódio que presenciou enquanto estava acompanhado de amigos. “Ouvi o disparo e senti um impacto muito grande no meu pé. Começou a latejar e queimar e não entendi o que tinha acontecido”, declarou o comunicador, que não participava da briga. Ele cobrou apuração sobre o ocorrido na casa noturna. “É um problema muito sério. Poderia ter acontecido algo muito pior ali comigo ou qualquer outra pessoa”, afirmou.
Mesmo com o ferimento superficial, o titular da atração esportiva optou por não formalizar queixa contra o político, razão pela qual não figura como vítima no Boletim de Ocorrência. A TV Globo informou que o retorno do profissional ao comando do telejornal está previsto para terça-feira (20). Em comunicado oficial sobre o registro policial, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) declarou: “O caso foi registrado como disparo de arma de fogo no 14º Distrito Policial (Pinheiros). Não há registro de feridos.”
Apreensão de pistola Glock e veículo com placa oficial da Alesp
Depoimentos de frequentadores colhidos pela Polícia Militar indicam que a confusão teve início quando o parlamentar de 53 anos, apresentando sinais de embriaguez, passou a importunar mulheres e clientes da boate, gerando reação das pessoas ao redor. A equipe de segurança do estabelecimento interveio para retirar e desarmar o deputado antes de a gerência acionar o policiamento. Conforme o documento policial, Aguiar encontrava-se em “estado de exaltação” e representava perigo para si e para terceiros, motivo pelo qual foi algemado e precisou do auxílio dos agentes para caminhar ao chegar à delegacia, onde ficou em silêncio e acabou liberado na madrugada por ter imunidade parlamentar (garantia constitucional que impede a prisão de parlamentares, salvo em flagrante de crime inafiançável).
Embora o integrante do Legislativo paulista possua porte federal de arma de fogo válido, a pistola que ele carregava na festa, uma Glock G42 calibre .380, ficou retida para exames periciais. Na mesma diligência, as autoridades recolheram um carro da marca BYD, de cor preta, utilizado pelo deputado com uma placa oficial da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) que, nos registros públicos, pertence a um Toyota Corolla. A administração da Alesp informou oficialmente que o automóvel apreendido não integra a frota da Casa.
Pronunciamento do gabinete sobre uso de remédios e atendimento médico
As versões policiais que apontam ingestão de bebida alcoólica e detenção foram rebatidas pela equipe de comunicação de Marcelo Aguiar. “Sobre o episódio ocorrido na noite do último domingo, o parlamentar estava sob efeito de medicamentos fortes, que provocaram uma reação adversa, e acabou se envolvendo em uma discussão”, informou a assessoria em nota oficial.
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O texto divulgado pelos representantes do parlamentar também detalhou os passos dele após sair da unidade policial em Pinheiros: “Em nenhum momento o deputado foi preso. Ele apenas prestou esclarecimentos na delegacia e foi liberado em seguida. Neste momento, o deputado está em casa e passará por consulta médica. Reitera que confia na Justiça e tem a convicção de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos no momento oportuno.”
Mandatos parlamentares e agenda de Marcelo Aguiar antes do tiro
Integrante da bancada evangélica na Alesp e cantor sertanejo gospel, o economista formou sua trajetória pública passando pelo Legislativo da capital e pelo Congresso Nacional antes de assumir como suplente no parlamento estadual após Helinho Zanatta (PSD) deixar o cargo para comandar a Prefeitura de Piracicaba. Horas antes do disparo no Itaim Bibi, o político participou de um ato na Avenida Paulista convocado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), divulgou registros da mobilização em suas páginas na internet e restringiu o acesso às suas redes sociais na manhã seguinte à confusão.
- 2008: conquista mandato de vereador na cidade de São Paulo.
- 2010: elege-se deputado federal pelo estado de São Paulo.
- 2022: obtém 42.898 votos e fica na suplência para deputado estadual.
- Janeiro de 2025: toma posse na Alesp após a renúncia do titular Helinho Zanatta.
- Março de 2026: oficializa filiação ao Partido Liberal (PL).
- Outubro de 2026: recebe 37.585 votos no pleito estadual, não renova a cadeira e segue como suplente.
- 18 de outubro de 2026: comparece a manifestação política na Avenida Paulista antes de ir ao bar.
- 19 de outubro de 2026: envolve-se em tumulto no Santo Cupido Bar e presta depoimento no 14º DP após o tiro.
Inquérito policial apura duas hipóteses para o disparo na boate
O inquérito sobre o ocorrido será conduzido pelo 15º Distrito Policial (Itaim Bibi), que trabalha para esclarecer duas linhas de relato sobre o momento do disparo: uma aponta que o deputado puxou a pistola e atirou em meio ao desentendimento, enquanto a outra sustenta que a arma disparou de forma acidental quando ele caiu no chão. O laudo da perícia técnica no armamento e no local indicará se houve intenção ou acidente no acionamento do gatilho. A direção do Santo Cupido Bar ainda não esclareceu como um frequentador entrou armado no estabelecimento.

