A Electronic Frontier Foundation (EFF), organização sem fins lucrativos de defesa dos direitos digitais sediada em São Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos, lançou nesta segunda-feira (19) a extensão gratuita Privacy Badger para o navegador Safari no sistema operacional macOS. A ferramenta de bloqueio de rastreadores exige a versão 26.5 ou superior do programa da Apple e já é utilizada por mais de 4 milhões de pessoas no mundo em outras plataformas.
O desenvolvimento da versão para os computadores da Apple atendia a uma demanda antiga dos usuários da ferramenta e foi viabilizado por melhorias recentes no suporte a extensões implementadas a partir do Safari 26.5. Em comunicado oficial de 19 de outubro de 2026, a tecnóloga da equipe da EFF Lena Cohen alertou para a presença de códigos invisíveis na internet e explicou o motivo da expansão. “Anúncios invasivos são apenas a ponta do iceberg quando se trata dos danos do rastreamento online: uma vez que suas informações entram no ecossistema de corretores de dados, é quase impossível saber quem as compra ou o que estão fazendo com elas. O suporte ao Safari é há muito tempo um dos recursos mais solicitados do Privacy Badger e a EFF está entusiasmada em poder disponibilizar esta importante ferramenta aos usuários do Safari para lutar por uma web melhor”, afirmou a especialista, em tradução livre.
Como o Privacy Badger atua contra rastreadores no Safari 26.5
O navegador da Apple conta de fábrica com um recurso chamado Intelligent Tracking Prevention (ITP, ou Prevenção Inteligente de Rastreamento, sistema nativo que reduz o acesso de terceiros a informações de navegação). No modo padrão de funcionamento do Safari, o programa limita os dados aos quais os rastreadores têm acesso, mas ainda permite que esses códigos sejam carregados nas páginas visitadas. A diferença técnica do Privacy Badger é impedir o carregamento inicial desses scripts, barrando técnicas utilizadas por empresas para contornar as proteções originais do navegador. Segundo Lena Cohen, “a maioria dos sites contém códigos de rastreamento invisíveis que permitem às empresas coletar, compartilhar e lucrar com seus dados pessoais”.
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A extensão opera por meio de métodos algorítmicos para identificar o que configura monitoramento oculto na rede. O software não bloqueia publicidade comum na tela, a menos que esses anúncios também atuem como coletores de informações do internauta. O programa pode ser executado sozinho no Safari, combinado a bloqueadores de anúncios tradicionais ou somado às configurações avançadas de segurança do próprio navegador. Além de barrar o carregamento dos scripts principais, a ferramenta executa ações diretas sobre elementos específicos das páginas:
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- Bloqueio direto de cookies de rastreamento armazenados durante a navegação.
- Remoção de códigos de monitoramento de cliques em links de saída nas plataformas Facebook e Google.
- Substituição de elementos incorporados que monitoram o usuário, como reprodutores de vídeo, seções de comentários e postagens anexadas, por espaços reservados que só são ativados mediante clique direto.
Compatibilidade do Privacy Badger nos navegadores de computador e celular
Com a chegada ao ambiente macOS, a extensão da EFF passa a funcionar em todos os principais navegadores voltados para computadores de mesa e notebooks. Antes da liberação para o programa da Apple, o bloqueador já possuía edições ativas em outras plataformas de desktop e sistemas móveis:
- Navegadores de computador já atendidos antes do Safari: Chrome, Firefox, Edge, Opera e Brave.
- Navegadores de dispositivos móveis com suporte ativo no sistema Android: Firefox e Edge.
- Requisito técnico exclusivo para computadores da Apple: sistema macOS com navegador Safari na versão 26.5 ou superior.
Histórico de mudanças técnicas do Privacy Badger desde 2020
O funcionamento algorítmico da extensão passou por ajustes estruturais ao longo de sua operação para evitar brechas de segurança. Em outubro de 2020, após divulgações feitas pela equipe de segurança do Google sobre riscos de identificação individual do navegador — técnica conhecida como fingerprinting, que cria uma impressão digital única do aparelho a partir do comportamento das configurações do usuário —, a EFF alterou o padrão da ferramenta. Na ocasião, a entidade desativou o aprendizado local automático como configuração inicial, mantendo esse recurso apenas como uma opção que o próprio internauta pode ativar manualmente, e passou a fornecer listas pré-treinadas e atualizadas para o bloqueio.
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Quando o Privacy Badger chega ao Safari no iOS?
Ainda não há data prevista para o lançamento de uma versão do Privacy Badger compatível com o Safari no sistema operacional móvel iOS, utilizado no iPhone e no iPad. No anúncio oficial assinado por Lena Cohen e pelo tecnólogo sênior da equipe da EFF Alexei Miagkov, os desenvolvedores adiantaram a posição da entidade sobre a expansão para celulares e tablets da marca. “E antes que você pergunte, sim, vamos avaliar o suporte ao Safari para iOS assim que resolvermos quaisquer problemas no macOS”, declararam os tecnólogos.
