A fumaça densa provocada por incêndios florestais encobriu Manaus, suspendeu as aulas presenciais desta segunda-feira (19) nas redes municipal, estadual e nas universidades UFAM e UEA, e lotou hospitais da região. Nos últimos dias, o avanço do fogo colocou a capital e outros 36 municípios do Amazonas em alerta com o registro de 2.024 focos de calor, enquanto a Polícia Militar prendeu 11 suspeitos de iniciar queimadas em Autazes, a 113 quilômetros da capital.
A piora na qualidade do ar preocupa as autoridades de saúde e segurança pública. De acordo com a Prefeitura de Manaus, a poluição atmosférica “atingiu níveis alarmantes e respirar se tornou uma preocupação para a população”. O governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), declarou que “grande parte desses focos de incêndio vem de homens que ficam ateando fogo no nosso estado” e afirmou que “quem provocar incêndios criminosos precisa responder com todo o rigor da lei”.
Prisões da Polícia Militar em Autazes e inquérito do Ministério Público
O governador Roberto Cidade confirmou a prisão de 11 pessoas pela Polícia Militar do Amazonas (PMAM) no município de Autazes, sob suspeita de envolvimento em incêndios criminosos. Segundo o comandante-geral da corporação, coronel Klinger Paiva, as detenções ocorreram no sábado (17). As identidades dos 11 suspeitos presos e o detalhamento individualizado das circunstâncias de cada abordagem não foram divulgados pelas autoridades policiais.
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“Estamos reforçando o policiamento, principalmente na Região Metropolitana, com mais de 100 homens do Comando de Policiamento Especializado, além de 25 viaturas nas estradas onde também há incidência de queimadas, segundo o Corpo de Bombeiros. No município de Autazes, tivemos 11 prisões de pessoas envolvidas com crimes relacionados a incêndios”, informou o coronel Klinger Paiva. Roberto Cidade acrescentou que “a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros vêm trabalhando muito para identificar esses homens que ficam ateando fogo no nosso estado”.
Na esfera administrativa e judicial, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) instaurou um inquérito civil para apurar a origem do fogo em Autazes, onde a prefeitura local já havia decretado situação de emergência ambiental, sanitária e agropecuária por 90 dias após o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrar 139 focos de queimadas entre 10 e 13 de outubro de 2026. O órgão ministerial notificou o prefeito Thomé Neto para que esclareça, no prazo de até dez dias, se a gestão municipal concedeu autorizações para queimadas durante os meses de setembro e outubro.
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Força-tarefa federal amplia frota para 16 aeronaves no Amazonas
O enfrentamento às chamas conta com uma força-tarefa do governo federal que articula os ministérios da Justiça e Segurança Pública, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, da Saúde e da Integração e do Desenvolvimento Regional, além do Ministério da Defesa (Marinha, Exército e Aeronáutica), Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. No domingo (18), os ministros Wellington César Lima e Silva (Justiça), José Múcio Monteiro (Defesa), João Paulo Capobianco (Meio Ambiente) e Waldez Góes (Integração) reuniram-se no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), em Manaus, e anunciaram o envio de 153 brigadistas do programa Floresta em Pé e de cinco novas aeronaves — incluindo aviões Air Tractor, helicópteros e um segundo cargueiro KC-390 com capacidade para 19 mil litros de água —, elevando a frota em operação de 11 para 16 aparelhos.
Desde o início do apoio federal, em 9 de outubro de 2026, as equipes lançaram cerca de 600 mil litros de água em aproximadamente 260 horas de voo, com 317 incêndios extintos contabilizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A fumaça também prejudica a rotina de transportes e o próprio trabalho das brigadas: no sábado (17), a baixa visibilidade interrompeu as operações nos dois aeroportos de Manaus, segundo o Ibama.
Histórico de ocorrências dos Bombeiros e reforço do SUS em Manaus
Dados do Inpe divulgados pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) apontam 8.165 focos de calor acumulados no Amazonas até 17 de outubro de 2026, sendo 3.819 na Região Metropolitana de Manaus e 2.124 no sul do estado, somados à fumaça vinda de queimadas em municípios do Pará, como Óbidos e Juruti. Entre 1º de junho e 17 de outubro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas mobilizou cerca de 1,5 mil agentes e 96 viaturas em 36 municípios para combater 22.974 ocorrências de fogo, divididas entre 4.668 na capital e 18.306 no interior.
Na tentativa de conter novos focos, o governador Roberto Cidade pediu cautela aos moradores: “Não é só prender, é informar a população. A gente precisa informar a população que neste período não ateia fogo. Um pequeno fogo no quintal da sua casa, na floresta, uma bituca de cigarro, pode causar um transtorno muito grande”. Para coordenar as ações militares e ampliar o atendimento médico em 12 municípios afetados, duas novas estruturas começam a operar em Manaus nesta terça-feira (20).
- Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas: instalação em Manaus na terça-feira (20) para coordenar as operações militares de combate ao fogo.
- Base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS): início das atividades na capital na terça-feira (20) para dar suporte à rede hospitalar de 12 municípios amazonenses.
