A empresária e lobista Roberta Luchsinger, de 41 anos, publicou um vídeo nas redes sociais no domingo (18) chamando o presidente da República e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, de mentiroso. A gravação foi divulgada em São Paulo como reação direta às declarações do petista durante o primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado contra o senador e candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro. Alvo de três inquéritos da Polícia Federal sob segredo de Justiça no Supremo Tribunal Federal (STF), ela negou as acusações de corrupção feitas por Lula no programa e afirmou que colabora com as autoridades.
Durante a transmissão do encontro entre os candidatos, Luchsinger usou sua conta no Instagram para contestar a versão apresentada pelo chefe do Executivo. “Lula, eu estou acompanhando aqui o debate e você está me chamando de mentirosa. Eu não sou a mentirosa aqui, não. Mentiroso é você”, declarou a empresária.
Roberta Luchsinger acusa ministros e cita relação com Lulinha
Na gravação publicada na noite de 18 de outubro de 2026, a lobista direcionou críticas a integrantes do primeiro escalão do governo federal e contestou as versões oficiais divulgadas sobre a sua proximidade com o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente. Mais cedo, no mesmo dia, ela havia publicado outra mensagem afirmando temer pela própria vida e pela segurança de suas duas filhas, garantindo ter documentos que sustentam suas declarações. “Tudo que eu falei, eu falei porque estou munida de provas”, afirmou.
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Ao rebater o presidente, a investigada mencionou diretamente a conduta de auxiliares do Palácio do Planalto. “Mentirosos são seus ministros que estão mentindo sobre as relações comigo e com seu filho. Mentirosos são pessoas que você disse que são da sua confiança. Eu não. Eu sou uma mulher só tentando provar a verdade”, disse Luchsinger.
No sábado (17), um dia antes do confronto televisivo, a empresária havia declarado que pretende firmar um acordo de delação premiada — mecanismo legal em que o investigado colabora com as apurações em troca de benefícios na pena — sem poupar Lula ou Lulinha. Na ocasião, ela afirmou que o filho do presidente se reunia com chefes de pastas da Esplanada e citou nominalmente o ministro da Educação e senador licenciado Camilo Santana (PT-CE). Por meio de nota oficial da Secretaria de Comunicação Social (Secom), a Presidência da República informou que Lula desconhece os fatos relatados, jamais manteve interlocução com a lobista e que não há contrato do governo federal com ela; Camilo Santana também negou ter tratado de demandas com a investigada.
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A empresária argumentou no vídeo de domingo (18) que restrições judiciais impostas a ela impediram a divulgação de mais detalhes sobre o caso no dia anterior. “Se ontem eu pudesse ter falado tudo que eu sei, eu teria falado. Eu só não fiz porque todos os três inquéritos estão sob segredo de Justiça e eu estou com medidas cautelares. Fora isso, eu teria falado tudo”, afirmou. Ela acrescentou que cumpre todas as determinações legais desde o início das apurações. “Estou enfrentando três inquéritos da Polícia Federal, tive busca e apreensão, enfim, tive tudo que deveria ter. Estou colaborando com a Justiça do jeito que me é pedido”, disse, antes de encerrar a gravação: “Porque de uma coisa que eu não tenho medo é a verdade. Você é um mentiroso”.
Troca de acusações entre Lula e Flávio Bolsonaro sobre o caso do INSS
O nome de Roberta Luchsinger entrou na pauta logo no primeiro bloco do debate presidencial, quando Flávio Bolsonaro questionou o adversário sobre as declarações da lobista, a relação de Lulinha com investigados em fraudes previdenciárias e a mudança do filho do presidente para a Espanha. O candidato do PL apontou um possível vínculo financeiro entre o filho do petista e recursos desviados de aposentadorias e pensões. “Você está criticando a Roberta Luchsinger e ela é sócia do seu filho. Ela falou que é sócia. Por que a Polícia Federal só vai na casa dela e não vai na casa do seu filho? Cadê o Lulinha?”, indagou o senador.
Lula respondeu que considera o filho inocente, afirmou que Lulinha disponibilizou o telefone e abriu o sigilo bancário para apuração e declarou que ele poderá prestar depoimento caso seja convocado. Em seguida, o presidente devolveu o questionamento ao adversário citando o empresário e lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como operador do esquema. “Deixa eu contar uma coisa: a Roberta é um problema da Polícia Federal. Se vocês aliciaram ela para ela prestar depoimento, outra coisa, o dado concreto é que ela é uma questão da Polícia Federal que vai investigar. E você é que tem que responder por que você manteve o escritório com Careca”, declarou o petista.
Roberta Luchsinger na Operação Sem Desconto e nos 3 inquéritos do STF
As investigações que atingem a empresária tramitam sob a relatoria do ministro do STF André Mendonça e têm como foco a Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal para apurar descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Nos três inquéritos que correm sob sigilo na Corte ao lado de Lulinha, os investigadores examinam suspeitas de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, além de movimentações financeiras ligadas ao Careca do INSS. Em dezembro de 2025, quando sofreu buscas e apreensões e passou a cumprir medidas cautelares, Luchsinger confirmou em depoimento à PF ter apresentado Antunes ao filho do presidente em um encontro social, mas negou repasses ilícitos de dinheiro, e sua defesa já solicitou o arquivamento dos autos.
Antes de se tornar alvo da Polícia Federal no inquérito das fraudes previdenciárias, a empresária teve aproximação pública com o partido do presidente. Natural do município de Miraí (MG), Roberta Luchsinger ganhou projeção nacional em 2017 ao tentar doar R$ 500 mil em bens pessoais a Lula. No ano seguinte, em 2018, ela se filiou ao PT e disputou uma vaga de deputada estadual por São Paulo, pleito no qual recebeu cerca de 14 mil votos e não conseguiu se eleger.
Apesar do interesse manifestado publicamente pela investigada, ainda não há confirmação sobre eventual formalização ou homologação do acordo de delação premiada citado por Roberta Luchsinger. A efetivação do instrumento jurídico depende de negociação direta com as autoridades competentes e do cumprimento dos requisitos previstos em lei. A disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro será decidida no segundo turno das eleições, marcado para o domingo (25).
