Uso do kit de reparo de pneu exige checagem dupla de pressão e troca de componentes

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Pneus - StockBox24/shutterstock.com

Manuais técnicos de montadoras detalham em 19 de outubro de 2026 as regras de operação do kit de reparo emergencial de pneu que substitui o estepe em carros novos no Brasil, como o BYD Dolphin Mini e o Volvo EX30. O equipamento combina um compressor elétrico de 12 V e uma garrafa de líquido selante para vedar furos temporariamente e inflar a roda sem a necessidade de troca imediata na via.

A vedação obtida com o fluido é estritamente provisória e impõe restrições severas de condução até uma oficina mecânica. “Se a pressão estiver entre 1.8 bar (26 psi) e 2.8 bar (39 psi), você poderá conduzir à velocidade máxima de 80 km/h (50 mph). Recoloque a tampa antipoeira da válvula do pneu. Substitua o frasco de fluído vedante e a mangueira após o uso”, determina o manual de suporte do Volvo EX30.

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Limites técnicos e medições do kit de reparo de pneu

Foto: Calibragem dos pneus – T.Vyc/shutterstock.com

O sistema de fábrica injeta o líquido vedante pela válvula enquanto o compressor recupera a pressão interna, espalhando o produto com o movimento da roda. As especificações de capacidade, tempo de enchimento e rodagem variam entre fabricantes como Renault, Volvo, Continental e Osram:

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  • Diâmetro máximo da perfuração na banda de rodagem: entre 4 mm e 6 mm, conforme o fabricante do equipamento.
  • Tempo máximo de operação do compressor no enchimento inicial: de 10 a 15 minutos.
  • Pressão mínima exigida na primeira calibragem: 1,8 bar.
  • Distância inicial de rodagem para espalhar o fluido vedante: de 3 km a 5 km, em velocidades entre 20 km/h e 60 km/h.
  • Limite mínimo de pressão na segunda checagem no manômetro: 1,3 bar.
  • Autonomia máxima com o pneu vedado temporariamente: até 200 km de distância.
  • Prazo de validade habitual da garrafa de selante: até 5 anos.

A capacidade de vedação restringe-se a furos provocados por objetos pontiagudos, como pregos e parafusos, na área de contato com o solo. Para o professor da Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Jorge Alexandre Onoda Pessanha, a medida especificada nos manuais não assegura o reparo em todas as ocorrências, pois a geometria da perfuração, o estado geral da borracha e eventuais danos internos interferem na retenção do ar. O conjunto não veda cortes laterais, avarias na roda ou comprometimento estrutural decorrente da rodagem com o pneu totalmente vazio.

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Segundo o especialista, a lateral do pneu sofre deformações constantes durante o deslocamento do veículo, o que impede o uso do líquido vedante nessa área. “Uma lesão nessa região pode comprometer a integridade da carcaça, e a simples vedação da saída de ar não restabelece sua resistência mecânica”, afirmou o professor.

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Passo a passo para aplicar o kit de reparo de pneu na via

Quando o objeto perfurante permanece preso à banda de rodagem, a orientação técnica habitual é não removê-lo antes de iniciar o procedimento. O motorista deve seguir uma sequência de segurança na pista para aplicar o produto e testar a retenção de ar:

  • Estacionamento e sinalização: parar o carro longe do fluxo de trânsito, ligar o pisca-alerta, acionar o freio de estacionamento e posicionar o triângulo de segurança.
  • Inspeção visual: confirmar se a perfuração está localizada na banda de rodagem e verificar a ausência de rasgos laterais.
  • Conexão do sistema: acoplar o frasco de selante ao compressor, rosquear a mangueira na válvula do pneu e ligar o cabo de energia na tomada de 12 V do veículo.
  • Enchimento inicial: acionar o compressor para injetar o fluido e o ar; se a pressão mínima não for alcançada no tempo limite do aparelho, o reparo é inviável e exige guincho.
  • Rodagem de distribuição: dirigir imediatamente pela curta distância indicada pela montadora para que o gel cubra o furo internamente.
  • Verificação final: parar em local seguro e ler o manômetro novamente para confirmar se o pneu manteve a calibragem.

Caso a leitura na segunda parada fique abaixo do piso de segurança, a viagem deve ser interrompida imediatamente. “Depois de percorrer 3 km, pare e verifique a pressão. Se a pressão for superior a 1,3 bar, mas inferior à pressão recomendada (consulte a etiqueta afixada no enquadramento da porta do condutor), ajuste-a. Caso contrário, contacte um representante da marca: o pneu não pode ser reparado”, orienta o manual do utilizador da Renault.

Regulamentação do Contran e alternativas ao kit de reparo de pneu

No Brasil, a dispensa do pneu sobressalente, do macaco e da chave de roda em automóveis equipados de fábrica com sistemas alternativos é regulamentada pela Resolução nº 913/2022 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). A norma federal exige a presença do kit de líquido selante e do dispositivo de enchimento mesmo em veículos dotados de pneus do tipo run flat, que possuem laterais reforçadas para rodar sem pressão por curtas distâncias.

Além dos conjuntos originais das montadoras, o mercado de reposição oferece reparadores instantâneos em aerossol, como o MP10 da Mundial Prime, comercializado por cerca de R$ 25 por lata no varejo, que reúne fluido e gás propelente na mesma embalagem, com limite de uma lata por pneu. Outra modalidade emergencial utiliza um cordão elastomérico, conhecido como macarrão, que exige a retirada do objeto perfurante e o alargamento do furo com uma sonda antes da inserção do material pela parte externa.

Cuidados com sensores TPMS e reposição do kit de reparo de pneu

Em veículos equipados com sistema de monitoramento direto de pressão dos pneus, identificado pela sigla em inglês TPMS (Tire Pressure Monitoring System), os sensores eletrônicos ficam instalados junto às válvulas de ar e entram em contato direto com o produto químico injetado. Nos automóveis com TPMS indireto, que calcula a perda de ar pelos sensores de velocidade das rodas, não há contato físico com o líquido. Enquanto os géis de partículas fornecidos nos kits de fábrica são projetados para permitir lavagem e compatibilidade com o componente, produtos inadequados podem obstruir a leitura e exigir a troca do sensor e da válvula.

Após a utilização na estrada, o compressor elétrico de 12 V pode ser guardado para novas ocorrências, mas a garrafa de líquido selante é descartável e precisa ser substituída mesmo que ainda reste produto no recipiente. Ao chegar à oficina para a avaliação definitiva da carcaça, o motorista deve avisar o borracheiro sobre a presença do fluido vedante no interior do pneu antes da desmontagem da roda.

Maria: Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.