Uma família transformou o jogo eletrônico educativo The Oregon Trail em uma viagem de carro real com o filho de 11 anos, Wells, pela região de Casper, no estado norte-americano de Wyoming. O roteiro, detalhado em relato publicado na segunda-feira (19), percorre o trecho central da antiga rota de migração nos Estados Unidos no ano em que o videogame celebra seu 55º aniversário.
A iniciativa acompanha o avanço das chamadas “game-cations”, modalidade de férias em que jogadores viajam para conhecer pessoalmente os cenários retratados nas telas. “O turismo de jogos está definitivamente crescendo. Trata-se de mergulhar no seu universo geek, como eu chamo, e vivenciar essa história de uma maneira nova”, afirmou Akua Harris, agente de viagens e fundadora da Geekdom Travel, agência especializada no setor, em tradução livre.
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Quais paradas históricas de Wyoming recriam o caminho de The Oregon Trail?
Criado originalmente em 1971 por três professores estagiários em Minnesota — Don Rawitsch, Bill Heinemann e Paul Dillenberger —, o jogo ganhou versões modernas para o console Nintendo Switch e dispositivos móveis, atraindo uma nova geração de usuários que buscam ver de perto os desafios da expansão para o oeste iniciada na década de 1840. Em Casper, ponto onde os viajantes do século 19 deixavam as Grandes Planícies e passavam a enfrentar as Montanhas Rochosas sob o risco de tempestades de inverno, o corredor reúne quatro rotas históricas nacionais: Oregon, Mormon Pioneer, California e Pony Express. A visita aos pontos preservados ajuda os jovens a compreenderem que as famílias pioneiras não podiam simplesmente reiniciar a partida diante de imprevistos climáticos ou acidentes geográficos.
- Independence Rock: marco histórico estadual a cerca de uma hora a sudoeste de Casper, onde centenas de migrantes gravaram seus nomes no granito e deixaram sulcos de carroças no solo;
- Devil’s Gate: desfiladeiro de granito esculpido pelo rio Sweetwater a poucos quilômetros a sudoeste da Independence Rock, descrito pelo migrante Charles E. Boyle em 1849 como “uma das maravilhas do mundo”;
- Fort Caspar Museum: museu às margens do rio North Platte, ponto onde os pioneiros escolhiam entre pagar a balsa Mormon Ferry ou atravessar a água a vau;
- Hell’s Half Acre: formação de ravinas e terras áridas localizada a cerca de 40 minutos a oeste de Casper, visitada após o mau tempo impedir um passeio de carroça na empresa Historic Trails West;
- Túmulo de Ada Magill: local de sepultamento da menina pioneira de 3 anos situado perto de Glenrock, no condado de Converse, a leste de Casper.
Números da migração para o oeste e do turismo em Casper
A busca por cenários de jogos reflete um movimento documentado por pesquisas recentes do setor turístico internacional. Um estudo publicado na revista científica Tourism Management apontou que o lançamento do jogo eletrônico de ação Black Myth: Wukong, baseado na mitologia chinesa, provocou um crescimento expressivo nas visitas à província de Shanxi, na China. Já na rota norte-americana de Wyoming, além da contemplação da paisagem em passeios a cavalo no C Bracket Horse Barn, paradas no restaurante Johnny J’s e na loja de artigos western Lou Taubert Ranch Outfitters, os visitantes encontram no National Historic Trails Interpretive Center, administrado pelo órgão federal Bureau of Land Management (BLM) sob gerência de Jessie Horn, os registros sobre a mortalidade na travessia que seguia até destinos como Willamette Valley, Salt Lake City ou os campos de ouro.
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- Mais de 2.000 milhas (3.200 km): extensão total da jornada rumo ao oeste americano percorrida pelos migrantes;
- 156%: índice de aumento no turismo para a província chinesa de Shanxi impulsionado pelo jogo Black Myth: Wukong;
- Mais de 90 metros: profundidade da fenda rochosa de Devil’s Gate;
- US$ 3 por carroça: valor histórico cobrado dos viajantes para cruzar o rio North Platte na balsa Mormon Ferry;
- 1 em cada 10 migrantes: proporção estimada de viajantes que morreram ao longo do caminho sem alcançar o destino final.
Túmulo de Ada Magill e datas da história de The Oregon Trail em Wyoming
O impacto real da jornada fica evidente na história da pequena Ada Magill, a mais nova dos seis filhos do casal Caleb e Nancy Magill, cuja sepultura encerrou o roteiro da família pelo estado. A criança adoeceu com disenteria — enfermidade frequentemente associada às derrotas no videogame — nas proximidades de Fort Laramie, apresentou uma breve melhora enquanto a caravana avançava cerca de 100 milhas, mas não resistiu perto de Glenrock e foi enterrada com seu “melhor vestido de chita de domingo” sob pedras empilhadas para afastar animais predadores. Diante das dificuldades reais enfrentadas pelos viajantes na época, Jason Vlcan, especialista em informações ao visitante no National Historic Trails Interpretive Center, resumiu o cenário histórico: “Havia simplesmente muita morte ao longo da trilha”, disse, em tradução livre.
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- 3 de julho de 1864: data da morte e do sepultamento de Ada Magill, aos 3 anos, vítima de disenteria na trilha;
- 4 de julho: data-limite anual que os pioneiros precisavam cumprir ao chegar à Independence Rock para cruzar as montanhas antes do inverno;
- 1900: ano de construção do prédio na 260 West 1st Street, no centro de Casper, onde operava um antigo bordel e hoje funciona a hospedagem boutique Alma Away;
- 1912: ano em que o túmulo de Ada Magill precisou ser movido 30 pés (cerca de 9 metros) para o norte devido à construção de uma rodovia, ganhando a lápide atual feita pelo engenheiro estadual Loren Clark Bishop;
- Fevereiro de 2026: mês da publicação do estudo sobre turismo de jogos na revista Tourism Management;
- 28 de julho de 2026, às 9h30 (horário local MST): reabertura oficial do National Historic Trails Interpretive Center em Casper, após passar 45 dias fechado para obras de reparo.
Diante da sepultura histórica na estrada de terra próxima a Glenrock, o jovem Wells sintetizou o efeito do passeio presencial sobre a percepção do jogo eletrônico: “Isso torna o jogo muito mais real”, declarou o menino de 11 anos.
