Os maiores patrimônios construídos por comunicadores da televisão aberta no país combinam salários mensais de até R$ 5 milhões com aplicações em setores como agronegócio, imóveis, franquias e tecnologia. A morte de Silvio Santos, ocorrida em agosto de 2024, colocou em evidência a dimensão dos valores acumulados desde a década de 1980 por profissionais que transformaram a visibilidade das câmeras em conglomerados empresariais. No topo dessa lista histórica aparece o próprio fundador do SBT, com R$ 1,6 bilhão, seguido por Xuxa Meneghel, com R$ 1,3 bilhão, e Fausto Silva, que reúne R$ 1,1 bilhão.
A consolidação da indústria televisiva na América Latina permitiu que esses profissionais ampliassem suas receitas muito além dos contratos firmados com as emissoras. Participações diretas em campanhas publicitárias e a abertura de empresas fora do meio artístico formaram a base financeira de nomes como Luciano Huck e Carlos Massa, o Ratinho. Cada um desses comunicadores adotou um modelo próprio de diversificação de capital ao longo das últimas quatro décadas.
Titular do programa Domingão com Huck na TV Globo, Luciano Huck recebe um salário mensal estimado em R$ 5 milhões, valor que é complementado por contratos com anunciantes e participações societárias. Trajetória semelhante nos ganhos televisivos teve Fausto Silva, o Faustão, que deixou a TV Globo em 2021 após 32 anos de vínculo. No período de maior faturamento de sua atração dominical, o apresentador também superava a faixa de R$ 5 milhões por mês entre vencimentos fixos e acordos comerciais.
No SBT desde os anos 1990, Ratinho mantém um rendimento mensal aproximado de R$ 2 milhões pago pela emissora. O apresentador, contudo, concentra a maior fatia de seus ganhos na administração de empresas de comunicação, propriedades rurais e empreendimentos imobiliários, o que levou seu patrimônio a ultrapassar R$ 530 milhões. Ainda assim, quando considerados todos os comunicadores do levantamento, apenas Silvio Santos, Xuxa Meneghel e Fausto Silva superaram a barreira de R$ 1 bilhão em bens acumulados.
Negócios de Luciano Huck em tecnologia e contratos na TV Globo
A trajetória de Luciano Huck na televisão teve início na década de 1990 e ganhou escala nacional com o programa Caldeirão do Huck, atração que permaneceu na grade da TV Globo por quase 20 anos como um dos produtos de maior retorno comercial da rede. A transferência para a programação de domingo ocorreu em 2021, logo após a saída de Fausto Silva da emissora. Com a mudança de horário, o comunicador firmou-se no grupo dos profissionais mais bem remunerados do setor, mantendo vencimentos em torno de R$ 5 milhões ao mês, sem incluir os cachês de eventos corporativos e ações publicitárias.
Fora dos estúdios, o apresentador direcionou parte de seus recursos para os mercados imobiliário, educacional e de tecnologia. Huck atua como sócio de startups voltadas a projetos de impacto social e detém cotas em companhias focadas em inovação. A presença constante em campanhas de grandes marcas soma-se ao retorno dessas participações empresariais, compondo um patrimônio total estimado em R$ 800 milhões.
Três décadas de faturamento de Fausto Silva e patrimônio imobiliário
Fausto Silva construiu a maior parte de sua reserva financeira à frente do Domingão do Faustão, programa que comandou por mais de três décadas nas tardes e noites de domingo da TV Globo. A liderança de audiência no horário garantia alto volume de inserções comerciais, fator que elevou seus ganhos mensais no auge do contrato para mais de R$ 5 milhões. A soma dos salários com a participação nos lucros publicitários resultou em uma fortuna calculada em R$ 1,1 bilhão.
Depois de encerrar seu ciclo na emissora carioca em 2021, o comunicador transferiu-se para a Band, onde trabalhou por dois anos até comunicar sua aposentadoria definitiva da televisão. Ao longo da carreira, Faustão direcionou parte de seus dividendos para a compra de imóveis de alto padrão, mantendo casas e apartamentos no território nacional e no exterior. O portfólio de negócios do apresentador incluiu ainda participações na área de comunicação e em estabelecimentos do setor gastronômico.
Fazendas, café e emissoras regionais na carteira de Ratinho
Contratado do SBT desde a década de 1990, Carlos Massa, conhecido pelo público como Ratinho, estruturou um grupo empresarial paralelo ao trabalho nos palcos de auditório. Embora receba cerca de R$ 2 milhões mensais de salário na televisão, o comunicador declarou em diferentes ocasiões que os lucros obtidos em seus negócios particulares superam a remuneração paga pela rede de televisão. O braço de mídia de seu grupo reúne emissoras de rádio e canais de TV que operam como afiliados do próprio SBT.
Outro pilar financeiro do apresentador está no campo, com investimentos diretos na compra de fazendas dedicadas ao cultivo de café e à produção de grãos. Ratinho também aporta capital no ramo imobiliário e em outras empresas do setor de comunicação. A combinação dessas frentes de atuação fez com que o patrimônio do empresário e apresentador passasse da marca de R$ 530 milhões.
Licenciamento de produtos e redes de franquias de Xuxa Meneghel
Com atuação distribuída entre a televisão, a indústria fonográfica e o cinema, Xuxa Meneghel acumulou um patrimônio avaliado em R$ 1,3 bilhão. Conhecida pelo título de Rainha dos Baixinhos devido aos programas voltados ao público infantil que comandou por décadas, a apresentadora registrou a venda de milhões de cópias de discos e levou grandes públicos às salas de cinema do país. O capital inicial obtido com contratos televisivos foi multiplicado pelo licenciamento de sua marca em linhas de cosméticos, brinquedos e moda infantil.
Em uma etapa posterior da carreira empresarial, a comunicadora passou a investir no modelo de franquias voltadas aos segmentos de estética e bem-estar, além de manter ativos no mercado de imóveis. A imagem de Xuxa segue vinculada a campanhas publicitárias de alcance nacional, mantendo ativa a geração de receita por meio de direitos de imagem e participação nos negócios franqueados.
Grupo empresarial e herança deixada por Silvio Santos
Líder isolado no levantamento patrimonial entre os comunicadores do país, Silvio Santos reuniu uma fortuna estimada em R$ 1,6 bilhão até sua morte, em agosto de 2024. O empresário iniciou a vida profissional como vendedor ambulante e estruturou o SBT, além de controlar um conglomerado composto por dezenas de empresas. Entre os negócios criados ou adquiridos ao longo de sua trajetória estão o Baú da Felicidade, instituições financeiras e incorporadoras do ramo imobiliário.
Com o falecimento do fundador, a gestão do Grupo Silvio Santos e das demais companhias da família passou ao comando de suas filhas e herdeiras. O conjunto de empresas permanece em operação nos setores de comunicação, varejo e serviços financeiros, preservando o capital construído pelo apresentador ao longo de mais de seis décadas de atividade empresarial e televisiva.
Valores estimados e fontes de receita de cada comunicador
A distribuição dos patrimônios entre os cinco nomes analisados reflete tanto o tempo de exposição na televisão aberta quanto o tipo de negócio escolhido para a aplicação dos recursos. Veja os valores acumulados por cada profissional e a origem principal dos rendimentos:
- Silvio Santos: R$ 1,6 bilhão, montante construído ao longo da vida com a fundação do SBT, o Baú da Felicidade, bancos e incorporadoras imobiliárias.
- Xuxa Meneghel: R$ 1,3 bilhão, valor resultante da venda de discos, filmes, contratos de publicidade, produtos licenciados de moda infantil e cosméticos, imóveis e franquias de estética.
- Fausto Silva: R$ 1,1 bilhão, patrimônio formado em mais de 30 anos de televisão, salários que superaram os executivos de grandes corporações no auge da carreira e imóveis no país e no exterior.
- Luciano Huck: R$ 800 milhões, soma impulsionada pelo salário de R$ 5 milhões mensais na TV Globo, campanhas publicitárias e cotas em startups de tecnologia, educação e projetos sociais.
- Ratinho: mais de R$ 530 milhões, capital originado pelo salário de cerca de R$ 2 milhões no SBT e, majoritariamente, por fazendas de grãos e café, imóveis e emissoras de rádio e TV.
A manutenção dessas fortunas apoia-se em quatro frentes de arrecadação comuns ao mercado televisivo: os vencimentos fixos pagos pelas redes de televisão, os cachês de campanhas publicitárias, o licenciamento de marcas próprias para produtos de consumo e a aplicação direta em setores da economia real, como o agronegócio e o mercado imobiliário.
