Um morador de 63 anos de Praia Grande, no litoral de São Paulo, perdeu R$ 637,63 ao tentar comprar um celular por meio de um anúncio patrocinado no Google que imitava o site oficial do Magazine Luiza. O consumidor, que pediu para não ter o nome divulgado, transferiu o dinheiro via Pix e só descobriu a fraude no domingo (18), quando o código de rastreamento apontou que o aparelho havia sido entregue sem que nada chegasse à residência dele.
A compra foi feita em 11 de outubro de 2026, depois que o homem pesquisou promoções de telefones no buscador e clicou em uma oferta de um aparelho da linha Xiaomi POCO exibida na área de produtos patrocinados. “O que eu não sabia era que esses [sites] patrocinados são golpistas. […] O estranho para mim é saber que eles têm essa facilidade em colocar patrocinados e ofertas de várias lojas. […] Você está em busca de melhor preço […] e, como há essa demanda de lojas, lojas físicas fechando e fazendo promoções, eu acreditei ser uma”, afirmou o consumidor.
Como o falso rastreamento do celular Xiaomi enganou o consumidor em Praia Grande
A página acessada pelo morador reproduzia a interface visual do Magazine Luiza. Logo após concluir a transferência bancária, a vítima recebeu uma suposta nota fiscal e um código para acompanhar o transporte da encomenda.
O sistema de rastreamento enviado pelos golpistas registrou quatro tentativas simuladas de entrega ao longo da semana. Na última atualização, no domingo (18), o painel informou que o pedido havia sido entregue no endereço, o que levou o comprador a procurar atendimento presencial.
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O homem foi até uma loja física do Magazine Luiza no bairro Boqueirão, em Praia Grande. No local, um atendente consultou o sistema oficial da varejista, constatou que não havia nenhum pedido registrado em nome do morador e avisou que se tratava de um golpe.
Durante a verificação, o funcionário explicou ao cliente que as lojas físicas da rede não vendem aquele modelo específico da Xiaomi e que, na plataforma oficial na internet, o aparelho é comercializado apenas por lojistas parceiros. Segundo o trabalhador relatou ao consumidor, a empresa recebe queixas frequentes sobre páginas clonadas. “A gente derruba cem sites e eles criam mais cem. Quando você vir valores ilusórios, valores estranhos, desconfie”, declarou o atendente, conforme o relato da vítima.
Sem conseguir o estorno da quantia transferida, o morador relatou que o acolhimento da família ajudou a lidar com o prejuízo financeiro. “[A sensação] foi de aborrecimento, […] foi uma coisa muito pesada. [Foi] dinheiro perdido, dinheiro suado”, disse.
Valores, datas e canais de atendimento do caso em Praia Grande
- Valor pago pela vítima no site falso: R$ 637,63, transferidos via Pix em 11 de outubro de 2026.
- Preço inicial do mesmo modelo Xiaomi POCO no site oficial do Magazine Luiza (via lojistas parceiros): R$ 1.219,74.
- Data da falsa confirmação de entrega após quatro tentativas no rastreamento: 18 de outubro de 2026.
- Local onde a fraude foi constatada: loja física do Magazine Luiza no bairro Boqueirão, em Praia Grande (SP).
- Telefone oficial de atendimento do Magazine Luiza (SAC): 0800 310 0002.
Orientações do Magazine Luiza e do Google sobre anúncios e páginas falsas
Em nota oficial, o Magazine Luiza lamentou o episódio e informou que também é vítima do uso indevido de sua marca por criminosos que criam páginas falsas com preços abaixo do praticado no mercado. A varejista afirmou manter processos ininterruptos e ferramentas tecnológicas para combater fraudes e garantir a segurança nos canais digitais oficiais.
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“A companhia orienta que o consumidor faça o boletim de ocorrência para que as autoridades competentes possam seguir com a investigação e buscar a responsabilização dos fraudadores, além de denunciar a respectiva conta ou o CNPJ para o qual realizou o pagamento”, declarou o Magazine Luiza em nota.
Para evitar cair em páginas clonadas, a empresa recomenda que o comprador verifique o endereço eletrônico no navegador e a presença do ícone de cadeado ao lado do link antes de fechar o pedido. Nos pagamentos por Pix ou boleto bancário, a instrução é checar se o nome verdadeiro da varejista aparece no campo destinado ao beneficiário. O Magazine Luiza mantém ainda o Portal de Segurança e Privacidade, onde clientes podem enviar links de sites e perfis suspeitos para análise e derrubada pela equipe de segurança.
O Google, por sua vez, informou em nota que mantém regras específicas para anunciantes e disponibiliza um canal de denúncias para usuários que identificarem irregularidades. “Temos políticas robustas que delimitam a forma como pessoas e empresas podem anunciar produtos por meio do Google Shopping, incluindo a proibição de declarações falsas e promoções enganosas. Quando identificamos uma violação às nossas políticas, agimos imediatamente suspendendo o anúncio e, até mesmo, bloqueando a conta do anunciante. Se algum consumidor suspeitar ou for vítima de golpe, oferecemos uma ferramenta para denunciar violações de nossas políticas”, afirmou a empresa.
Google bloqueou 374,8 milhões de anúncios no Brasil em 2025
O uso de links patrocinados por fraudadores levou ao bloqueio ou remoção de 374,8 milhões de anúncios irregulares no Brasil ao longo de 2025 (volume citado pela empresa em nota como 374 milhões), de acordo com o Relatório de Segurança de Anúncios divulgado pelo Google em 16 de abril de 2026. Os dados, que têm como porta-voz na região a líder de programas de Confiança e Segurança do Google na América Latina, Priscila Couto, mostram também a suspensão de 1,3 milhão de contas de anunciantes no país por violação das regras no mesmo período.
O número de bloqueios no mercado brasileiro em 2025 superou a marca registrada em 2024, quando mais de 201 milhões de anúncios foram barrados no país. Em escala global, a plataforma removeu ou bloqueou 8,3 bilhões de peças publicitárias indesejadas durante o ano de 2025.
Segundo o levantamento da empresa de tecnologia, as duas infrações mais comuns detectadas no Brasil em 2025 foram a deturpação, caracterizada por anúncios enganosos ou que alteram informações verdadeiras, e o abuso da rede de anúncios, prática em que o link patrocinado redireciona o internauta para uma página diferente daquela prometida na peça inicial.
O endereço eletrônico exato utilizado na fraude em Praia Grande e o nome ou CNPJ do titular da conta que recebeu os R$ 637,63 não foram divulgados. O morador informou que pretende procurar a Polícia Civil para registrar o boletim de ocorrência e formalizar a denúncia sobre o golpe.
