A Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (NASA) e a Agência Espacial Europeia (ESA) divulgaram na última sexta-feira (16) uma nova imagem da galáxia espiral intermediária NGC 1827, capturada pelo Telescópio Espacial Hubble. O registro mostra o sistema estelar visto exatamente de perfil, posição conhecida na astronomia pelo termo em inglês edge-on, a uma distância aproximada de 37 milhões de anos-luz da Terra, na direção da constelação austral de Columba (a Pomba).
O material foi publicado pelo Goddard Space Flight Center, centro de pesquisa espacial da agência norte-americana localizado em Greenbelt, no estado de Maryland, às 09h42 (horário de Brasília) de 16 de outubro de 2026, com atualização de dados às 10h09 do mesmo dia. “A imagem, capturada com a Advanced Camera for Surveys do Hubble, revela regiões azul-brilhantes ao longo do disco da galáxia, pontilhadas por faixas escuras de poeira onde novas estrelas provavelmente estão se formando”, informou a equipe da missão Hubble, em tradução livre.
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Câmera do Hubble detalha formação estelar na NGC 1827
O registro fotográfico utilizou o instrumento Advanced Camera for Surveys (ACS), câmera de terceira geração instalada no observatório espacial para mapear grandes áreas do céu com alta resolução. A orientação lateral da NGC 1827 em relação ao ponto de vista terrestre permite observar a estrutura fina do disco galáctico, onde nuvens densas de poeira marrom-avermelhada se misturam a aglomerados luminosos de estrelas jovens de coloração azulada.
Logo à esquerda do bojo central iluminado da NGC 1827, a fotografia exibe um ponto de luz intenso que não pertence à galáxia observada. Trata-se de uma estrela em primeiro plano, situada dentro do caminho visual entre o Sistema Solar e a constelação de Columba. Esse astro apresenta quatro picos de difração bem definidos em formato de cruz, um efeito óptico gerado quando a luz estelar sofre curvatura ao passar pelas hastes metálicas internas que sustentam o espelho secundário do Telescópio Espacial Hubble.
Os créditos científicos e de tratamento digital do arquivo divulgado pelo Goddard Space Flight Center, onde atua a assessora de imprensa Claire Andreoli, foram atribuídos ao pesquisador Michael Jones, integrante do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), e à especialista Gladys Kober, vinculada à NASA e à Universidade Católica da América, responsável pelo processamento dos dados brutos enviados pelo observatório em órbita.
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Levantamento da NGC 1827 mapeia 260 galáxias satélites
A observação da NGC 1827 não ocorreu de forma isolada, mas integra um amplo programa de levantamento astronômico desenhado para investigar 260 galáxias satélites distribuídas ao redor de 22 galáxias hospedeiras com características semelhantes às da Via Láctea, todas situadas dentro de um raio de alcance de aproximadamente 32 milhões de anos-luz a partir da Terra. O objetivo central dos astrofísicos com esse mapeamento em larga escala é coletar dados observacionais de sistemas de baixa massa, categoria em que as simulações teóricas atuais enfrentam limitações para reproduzir a distribuição real de matéria vista no universo próximo.
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“Galáxias de baixa massa como as deste programa de observação do Hubble fornecem uma maneira de testar as previsões de modelos cosmológicos em pequenas escalas, os quais têm dificuldade para coincidir com as observações”, declarou a equipe científica do Goddard Space Flight Center no comunicado oficial. Segundo os pesquisadores, a caracterização detalhada das propriedades dessas estruturas menores em sistemas análogos ao da Via Láctea permitirá calibrar e refinar os parâmetros da cosmologia moderna.
Descoberta em 1837 e dados físicos da galáxia NGC 1827
Antes de ser fotografada pelos sensores digitais do Telescópio Espacial Hubble — observatório lançado ao espaço em 24 de abril de 1990 —, a galáxia NGC 1827 já constava nos registros astronômicos há quase dois séculos, tendo sido descoberta em 28 de novembro de 1837 pelo astrônomo britânico John Herschel durante suas expedições de mapeamento do céu austral. No ambiente cósmico, essa estrutura espiral não está sozinha: ela faz parte do aglomerado conhecido como grupo de galáxias NGC 1792/1808 (também registrado nos catálogos científicos sob as siglas grupo NGC 1808 ou LGG 127), uma coleção gravitacionalmente ligada que reúne ao todo 14 galáxias, tendo a NGC 1792 e a NGC 1808 como membros principais.
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Nos bancos de dados astrofísicos internacionais, a estrutura observada na constelação de Columba reúne medidas físicas específicas e múltiplas identificações de catálogo. O sistema apresenta um possível núcleo galáctico ativo (AGN), região compacta no centro de uma galáxia com luminosidade acima do normal provocada pela queda de matéria em um buraco negro supermassivo, além dos seguintes parâmetros técnicos confirmados:
- Designações alternativas em catálogos: ESO 362-6 (ou ESO 362- G 006), LEDA 16849 (PGC 016849) e IRAS 05083-3701.
- Diâmetro físico estimado da estrutura: 46.700 anos-luz, o equivalente a 14,31 quiloparsecs (kpc, unidade astronômica em que cada quiloparsec corresponde a mil parsecs ou cerca de 3.260 anos-luz).
- Magnitude aparente na banda visual (V): índice de 13,24 na escala logarítmica de brilho observada a partir da Terra.
- Velocidade radial heliocêntrica: afastamento medido em 1.037 ± 1 quilômetros por segundo em relação ao Sol.
Próximas 149 órbitas do Hubble e dados pendentes
Apesar do detalhamento técnico sobre o instrumento utilizado e os responsáveis pelo tratamento da fotografia, a data exata em que a exposição fotográfica da NGC 1827 foi realizada pela câmera ACS do Hubble não foi informada pela NASA no comunicado de divulgação.
Até a publicação deste registro, o Telescópio Espacial Hubble já havia concluído a leitura de 111 das 260 galáxias satélites previstas no censo astronômico. Para finalizar o mapeamento das estruturas restantes do catálogo, a missão utilizará mais 149 órbitas completas do telescópio ao redor da Terra, destinando exatamente uma órbita de observação para cada galáxia pendente.
