NASA detalha composição do planeta Terra e núcleo a 5.400 °C

5 min de leitura
Planeta Terra Foto: Planeta Terra - adamkaz/ Istockphoto.com

A presença de água líquida estável na superfície e a capacidade de abrigar vida ativa fazem da Terra um caso único conhecido em todo o Sistema Solar. As medições constam no compêndio técnico da NASA, a agência espacial dos Estados Unidos, atualizado em 5 de dezembro de 2025. O levantamento aponta que o globo possui 12.756 quilômetros de diâmetro equatorial, medida que o posiciona como o maior entre os quatro mundos rochosos mais próximos do Sol e o quinto em tamanho na escala geral do sistema planetário.

Registros arquivados pela sede da instituição em Washington indicam que o mundo terrestre surgiu há aproximadamente 4,5 bilhões de anos, resultado do colapso gravitacional de uma nuvem de gás e poeira cósmica. Já os vestígios biológicos mais antigos identificados na superfície datam de cerca de 3,8 bilhões de anos atrás.

Núcleo de ferro a 5.400 graus Celsius e manto viscoso formam o interior do globo

Medições geofísicas reunidas pelo pesquisador David R. Williams, integrante do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, dividem a anatomia subterrânea do planeta em quatro faixas distintas a partir do centro. No ponto mais profundo fica o núcleo interno, uma esfera sólida composta de ferro e níquel com raio de 1.221 quilômetros e temperaturas próximas de 5.400 graus Celsius. Essa estrutura central é cercada pelo núcleo externo, uma faixa fluida também formada por ferro e níquel que alcança 2.300 quilômetros de espessura e cuja movimentação gera a corrente responsável pelo campo magnético terrestre.

Acima dessa região metálica estende-se o manto, a faixa mais volumosa do interior planetário, que soma cerca de 2.900 quilômetros de profundidade e reúne rocha fundida viscosa com consistência semelhante à de caramelo aquecido. Já a superfície é revestida pela crosta, que apresenta espessura média de 30 quilômetros nos continentes e cerca de 5 quilômetros no fundo dos oceanos, medidos do leito marinho até o início do manto. Todo esse revestimento superficial é fragmentado em placas tectônicas que se deslocam continuamente sobre a litosfera, movimento que dá origem a cadeias de montanhas e provoca terremotos.

Leia também: DAVINCI da NASA conclui ensaios térmicos a 465 °C para explorar atmosfera de Vênus

Cobertura oceânica de 71% da superfície e barreira gasosa protegem o ambiente terrestre

Os mares cobrem 71% da área externa do globo, registram profundidade média de 3,6 quilômetros e reúnem 97% de toda a água líquida disponível no planeta. É também debaixo d’água que acontece a maior parte do vulcanismo terrestre, em um relevo submerso que abriga cordilheiras quatro vezes mais longas do que a soma das cadeias do Himalaia, dos Andes e das Montanhas Rochosas. Nesse mesmo ambiente marinho ergue-se o vulcão Mauna Kea, cuja estrutura, quando medida desde a base no fundo do oceano até o topo, ultrapassa a altura total do Monte Everest.

Acima da linha d’água e dos continentes, a baixa atmosfera envolve o globo com uma mistura gasosa formada por 78% de nitrogênio, 21% de oxigênio e 1% distribuído entre dióxido de carbono, argônio e néon. Esse escudo natural retém a radiação nociva disparada pelo Sol e desintegra meteoroides pelo atrito antes que atinjam a superfície. Nos polos magnéticos, a colisão entre partículas solares eletricamente carregadas e as moléculas de gás produz o fenômeno luminoso das auroras polares.

Velocidade de rotação, distância ao Sol e influência da Lua definem a contagem do tempo

O comportamento orbital do planeta combina medidas de distância, inclinação e velocidade que determinam a duração do dia civil e a sucessão das estações ao longo do ano:

Continue lendo: Planeta Vênus alcança pico de luminosidade no céu da Terra

  • Afasta-se do Sol a uma distância média de 150 milhões de quilômetros, padrão que a astronomia classifica como 1 unidade astronômica;
  • Recebe a radiação luminosa solar após um trajeto que leva 8 minutos para cruzar o espaço até a superfície;
  • Completa o giro diário em torno do próprio eixo no período exato de 23,9 horas;
  • Conclui a volta inteira ao redor do Sol em 365,25 dias, fração que obriga o calendário a receber um dia extra a cada quatro anos nos chamados anos bissextos;
  • Mantém o eixo inclinado em 23,4 graus frente ao plano da órbita, ângulo que altera a incidência de luz solar nos hemisférios norte e sul durante o ano;
  • Orbita em conjunto com a Lua a uma distância média de 384.400 quilômetros, satélite natural de 1.738 quilômetros de raio que atua na estabilização do eixo planetário.

Raiz anglo-saxã e germânica faz do planeta a única exceção à mitologia greco-romana

Enquanto todos os demais planetas do Sistema Solar foram batizados em referência a divindades dos panteões grego e romano, a nomenclatura em língua inglesa atribuída ao mundo terrestre descende diretamente de dialetos germânicos e do inglês antigo. O documento técnico da agência espacial dos Estados Unidos destaca essa particularidade histórica ao explicar a etimologia do termo, em tradução livre: “a Terra é o único planeta no Sistema Solar cujo nome em inglês não vem da mitologia grega ou romana. O nome foi tirado do inglês antigo e do germânico. Significa simplesmente ‘o solo'”.

Para atualizar esse conjunto de medições físicas e químicas, a NASA opera uma frota permanente de satélites em órbita terrestre. Os equipamentos registram em tempo contínuo o comportamento da criosfera, as variações nas correntes oceânicas e os efeitos decorrentes das mudanças climáticas em escala mundial.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

Notícias relacionadas