Prefeitura de SP afasta servidor após vazamento no Smart Sampa

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Central de monitoramento do Smart Sampa - Reprodução/Prefeitura de São Paulo Foto: Central de monitoramento do Smart Sampa - Reprodução/Prefeitura de São Paulo

Informações sigilosas do sistema de monitoramento Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo, permaneceram expostas em um repositório público na internet por cerca de 11 meses. O vazamento de dados, revelado nesta terça-feira (20), permitiu o acesso indevido a imagens de mais de 58 mil câmeras públicas e privadas conectadas à rede da capital paulista.

A Prefeitura de São Paulo confirmou o vazamento das informações, mas negou a existência de vulnerabilidades técnicas na plataforma e atribuiu o episódio à conduta ilegal de um funcionário municipal. “A Prefeitura de São Paulo informa que não há nenhuma fragilidade nos mecanismos de segurança da plataforma do Programa Smart Sampa. O que houve foi um vazamento ilegal de dados por parte de um servidor entre os mais de 7.500 agentes de segurança. Ele já foi identificado, afastado e sua conduta está sendo investigada pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana. Portanto, a Prefeitura reforça que se trata de um ato criminoso”, afirmou a administração municipal em nota oficial.

Acesso às câmeras do Smart Sampa e dados de agentes expostos

Os arquivos disponibilizados na internet continham informações sobre mais de 6 mil agentes de segurança e instruções técnicas que permitiam reproduzir a interface de acesso ao sistema em computadores ou aparelhos celulares. Entre os equipamentos afetados pela exposição estão câmeras instaladas em vias públicas, escolas, creches, hospitais e bases de operação da Guarda Civil Metropolitana (GCM).

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A partir dos arquivos expostos no repositório público, foi possível desenvolver uma interface de programação e consultar diretamente o banco de dados de imagens de pessoas e veículos monitorados pela prefeitura. Em um teste técnico realizado em 7 de outubro de 2026, essa ferramenta reproduzida externamente permitiu visualizar imagens captadas por oito câmeras instaladas em equipamentos privados no bairro Campos Elíseos, na região central de São Paulo.

Há divergência sobre a extensão das credenciais expostas na rede. Enquanto a apuração que revelou o caso aponta a presença de 181 logins e senhas de usuários autorizados dentro do repositório público e classifica o episódio como uma brecha de segurança, o Executivo municipal sustenta que não houve falha técnica nem exposição de senhas. “O programa conta com a fiscalização do Tribunal de Contas do Município e consultoria especializada em governança e privacidade de dados. O repositório de dados disponibilizado ilegalmente na internet foi retirado do ar pela Pasta e não havia nele menção a senhas de acesso”, informou a Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU).

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Medidas de segurança da Prefeitura de São Paulo no Smart Sampa

Após a identificação do repositório ilegal e o afastamento do servidor suspeito, a administração municipal declarou ter atualizado os protocolos de proteção para os operadores cadastrados. “Importante destacar que não houve em nenhum momento qualquer uso indevido da plataforma”, declarou a Prefeitura de São Paulo em comunicado oficial.

Em defesa da estrutura de controle do programa, o Executivo informou que a rede passa por auditorias periódicas e exige o envio semestral de Relatórios de Transparência ao Ministério Público, documento que está em sua terceira edição. As medidas de proteção e os dados operacionais do sistema municipal envolvem os seguintes parâmetros:

  • Adoção de senhas exclusivas para os operadores credenciados na plataforma;
  • Implementação de autenticação em dois fatores para liberação do acesso;
  • Exigência de códigos enviados por SMS para a criação de novas credenciais no sistema;
  • Operação autorizada para um efetivo de mais de 7.500 agentes de segurança;
  • Investimento público mensal aproximado de R$ 10 milhões para manutenção do programa.

Funcionamento do Smart Sampa e proposta do Smart Brasil em 2026

Lançado em 2024 durante a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), o Smart Sampa é considerado o maior sistema de videomonitoramento da América Latina e funciona 24 horas por dia na capital paulista. A plataforma integra imagens de câmeras públicas e privadas em tempo real e utiliza recursos de inteligência artificial, reconhecimento facial e leitura automática de placas de veículos para auxiliar as forças de segurança na localização de pessoas desaparecidas e de foragidos da Justiça.

O modelo tecnológico adotado na capital paulista passou a pautar propostas na campanha eleitoral de 2026. O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) propôs a criação do programa Smart Brasil, projeto anteriormente batizado de Muralha Brasileira, com o objetivo de replicar o sistema de videomonitoramento e reconhecimento facial em escala nacional para ações de segurança pública.

Até a publicação desta reportagem, o nome e o cargo específico do servidor afastado pela Prefeitura de São Paulo não haviam sido divulgados pelas autoridades municipais. Também não há confirmação oficial sobre se terceiros ou organizações criminosas acessaram o repositório de dados durante os cerca de 11 meses em que os arquivos permaneceram disponíveis na internet, enquanto o caso segue sob apuração interna da Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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