Tubarões jovens usam águas rasas por comida e abrigo na costa

Tubarões

Tubarões - bcampbell65/ Shutterstock.com

Tubarões-brancos juvenis frequentam águas rasas costeiras para buscar alimento, temperaturas amenas e proteção contra predadores maiores, segundo pesquisas do Laboratório de Tubarões (Shark Lab) da Universidade Estadual da Califórnia em Long Beach (CSULB), nos Estados Unidos. Nas praias com pontos de concentração desses animais no sul da Califórnia, a presença simultânea de tubarões e banhistas chegou a 97% dos dias analisados, sem nenhum registro de mordida.

O levantamento foi liderado pelo pesquisador e técnico de campo Patrick T. Rex e pelo professor de biologia marinha e diretor do Shark Lab da CSULB, Christopher G. Lowe, com publicação na revista científica PLOS ONE em 2 de junho de 2023. “Eles realmente não querem ter nada a ver conosco. O outro grande mito, que caminha lado a lado com isso, é que se você vir um tubarão perto de você, ele está lá para comer ou morder você, ou que é perigoso”, disse Patrick Rex, em tradução livre.

Por que o tubarão jovem procura águas rasas perto de banhistas?

Foto: Tubarão martelo – Maui Topical Images/Shutterstock.com

Os pesquisadores da CSULB explicam que os indivíduos jovens utilizam a faixa costeira rasa como berçário natural durante o desenvolvimento. Nesses locais, a oferta de presas como lulas, arraias e pequenos peixes compõe a dieta principal da espécie nessa fase da vida, ao mesmo tempo em que a menor profundidade reduz a aproximação de predadores de grande porte. A presença do animal perto da areia indica o uso compartilhado do habitat marinho para alimentação e regulação térmica, e não a caça a humanos.

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Um segundo estudo da mesma equipe da universidade californiana, publicado em abril de 2024 na revista Frontiers in Marine Science, detalhou as condições físicas desses berçários costeiros. Os cientistas monitoraram 22 tubarões-brancos juvenis, com idades entre 1 e 6 anos, por meio de sensores acústicos instalados em Padaro Beach, próximo a Santa Barbara. Os dados confirmaram que os animais se reúnem a até 1 quilômetro da costa, em áreas com profundidade máxima de 10 metros e águas com temperaturas entre 16 °C e 22 °C, faixa térmica que acelera o crescimento corporal dos jovens.

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Monitoramento de tubarões por drones em 26 praias da Califórnia

Para medir a sobreposição entre a vida marinha e o público nas praias na pesquisa da PLOS ONE, a equipe do Shark Lab realizou levantamentos aéreos mensais com drones ao longo de dois anos, entre janeiro de 2019 e março de 2021. Os equipamentos permitiram observar os animais a partir do ar sem interferir no comportamento natural das espécies ou na rotina dos frequentadores do litoral sul californiano.

“Na maioria das vezes, os usuários da água nem sabiam que os tubarões estavam lá, mas podíamos vê-los facilmente do ar”, afirmou Patrick Rex. Os voos mostraram que a maior proximidade espacial dentro do mar ocorria com surfistas e praticantes de stand-up paddle, posicionados perto da zona de arrebentação. “Nunca esperamos ver tantos encontros todos os dias sem incidentes”, declarou Christopher Lowe sobre a ausência de ataques durante todo o período de observação.

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  • 1.644 levantamentos aéreos com drones executados em 26 praias monitoradas no sul da Califórnia;
  • 1.204 observações totais de tubarões-brancos juvenis, sendo 1.096 concentradas nas praias de Carpinteria (condado de Santa Barbara) e Del Mar Beach (condado de San Diego);
  • 1,5 a 3 metros de comprimento nos animais jovens identificados a menos de 500 metros da faixa de areia;
  • 101 metros de distância mediana dos tubarões em relação à quebra das ondas, com registros variando de 2 metros a 702 metros da costa.

Os cientistas apontam que a taxa de 97% de coexistência diária retrata a ocupação simultânea nas praias californianas com agregação de juvenis de tubarão-branco, sem representar uma probabilidade individual de encontro ou mordida. Em relato institucional da CSULB de 2020, Rex observou que indivíduos maiores podem demonstrar curiosidade exploratória por humanos e nadar mais perto, mas esse comportamento de investigação no ambiente difere de uma ação de predação e não deve ser generalizado para outras espécies ou litorais.

Dados globais de mordidas de tubarão em 2025 segundo o ISAF

A baixa incidência de ataques observada nas praias da Califórnia reflete as estatísticas mundiais compiladas pelo International Shark Attack File (ISAF), banco de dados científico global sobre ataques de tubarão mantido pelo Museu de História Natural da Flórida. Segundo a CSULB, das mais de 400 espécies conhecidas de tubarões distribuídas em oito grupos biológicos, apenas cerca de 30 têm histórico de morder seres humanos.

De acordo com o relatório anual mais recente do ISAF, divulgado na quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, o mundo registrou 65 mordidas não provocadas em 2025, com 9 mortes. O volume ficou acima dos 47 casos contabilizados em 2024, mas permaneceu abaixo da média da última década, que é de 72 mordidas anuais, com média de 6 mortes por ano. Na divisão por atividades em 2025, 46% dos incidentes envolveram nadadores e banhistas de águas rasas, 32% atingiram surfistas e praticantes de esportes de prancha e 15% ocorreram com praticantes de snorkel ou mergulho livre.

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O diretor do Programa da Flórida para Pesquisa de Tubarões no Museu de História Natural da Flórida e responsável pelo ISAF, Gavin Naylor, explicou a finalidade do levantamento científico. “Os arquivos do International Shark Attack File fornecem dados de base sobre ataques de tubarão a pessoas que são rigorosa e cientificamente investigados, avaliados e resumidos anualmente. Embora uma fração significativa de incidentes provavelmente não seja notificada, as tendências temporais e os padrões locais e globais de incidentes são usados para avaliar a biologia dos animais, seu comportamento e o risco que representam para os humanos”, disse Naylor, em tradução livre.

Orientações do Museu da Flórida ao avistar um tubarão na praia

Embora a maioria das aproximações em águas rasas ocorra sem agressividade, o Museu de História Natural da Flórida classifica a investigação exploratória, a confusão com presas naturais e a predação entre as circunstâncias que podem resultar em mordidas não provocadas. Por isso, a recomendação técnica veda tocar ou acompanhar o animal no mar e exige medidas preventivas dos banhistas.

  • Manter contato visual contínuo com o tubarão ao avistá-lo na água;
  • Afastar-se devagar e sair do mar com calma, evitando movimentos bruscos ou respingos excessivos;
  • Nadar sempre acompanhado e permanecer próximo à faixa costeira;
  • Evitar entrar na água ao amanhecer, ao entardecer ou durante a noite;
  • Não utilizar joias ou objetos brilhantes no mar, pois o reflexo da luz assemelha-se ao brilho de escamas de peixes;
  • Manter distância de cardumes e de áreas com atividade de pesca.
Jeronimo Santos: Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing