Túnel do Anhangabaú alaga com 42 mm de chuva e opõe Nunes e Tarcísio

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Anhangabaú - cifotart/istockphoto.com Foto: Anhangabaú - cifotart/istockphoto.com

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apresentaram posições opostas sobre os protocolos de prevenção adotados no alagamento do Túnel do Anhangabaú, na região central da capital paulista. A inundação ocorreu durante o temporal de 14 de outubro de 2026, quando a passagem subterrânea no sentido da Avenida 9 de Julho, em direção à zona sul, acumulou água, deixando motoristas ilhados e pelo menos 12 carros e dois ônibus danificados.

A divergência pública começou na quinta-feira (15), durante o lançamento da Operação El Niño, evento em que o governo estadual anunciou R$ 29 bilhões em investimentos para o Plano Estadual de Resiliência às Mudanças Climáticas. Na ocasião, Tarcísio de Freitas afirmou que a estrutura viária deveria ter sido bloqueada antes da inundação diante dos avisos meteorológicos. “Ontem, houve alerta, mas o túnel do Anhangabaú não foi fechado. Tinha que ter sido, porque chega uma hora que, mesmo que você tenha um sistema de bombeamento, etc., a sua capacidade de suportar é inferior à vazão que está chegando”, declarou o governador.

Resposta de Ricardo Nunes e protocolo no Túnel do Anhangabaú

Na sexta-feira (16), durante uma agenda conjunta com o governador no bairro da Penha para o início da operação da tuneladora Hebe Camargo nas obras da Linha 2-Verde do metrô, Ricardo Nunes rebateu a avaliação sobre o bloqueio prévio da via e defendeu a atuação das equipes municipais. Para o prefeito, a administração seguiu protocolos técnicos fundamentados e a interdição total diante de qualquer aviso meteorológico inviabilizaria o trânsito na região central da cidade. “A questão é que a gente não fecha com alerta. Se eu for fechar com todo alerta, a gente para o túnel”, disse Nunes, acrescentando que a gestão terá mais cuidado com o fechamento da passagem em episódios semelhantes.

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Segundo os dados da Prefeitura de São Paulo, a região do Anhangabaú registrou 42 milímetros de chuva em um intervalo de 40 minutos durante a tarde do temporal. Esse volume equivale a cerca de 37% dos 112 milímetros previstos para todo o mês de outubro na capital, o que representa a média aproximada de 11 dias de precipitação concentrada em menos de uma hora. A mesma tempestade provocou alagamentos em outras vias, causou transtornos no transporte público e levou a um deslizamento de terra na Brasilândia, na zona norte, onde uma mulher de 47 anos morreu.

Operação das bombas de drenagem no Túnel do Anhangabaú

A administração municipal informou que as seis bombas fixas de drenagem do Túnel do Anhangabaú funcionaram de forma contínua durante toda a chuva, sem registro de falhas mecânicas ou elétricas. No entanto, a vazão dos equipamentos foi insuficiente para escoar a quantidade de água que entrou na galeria em curto espaço de tempo. Documentos do próprio município preveem a existência de oito bombas no sistema de drenagem do local, mas a prefeitura ainda não confirmou o motivo pelo qual a estrutura operava com apenas seis equipamentos ativos.

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Com o avanço rápido da inundação, veículos ficaram parcialmente submersos e passageiros precisaram abandonar os carros e ônibus para escapar da água. De acordo com o prefeito, o acionamento de caminhões e equipamentos emergenciais de bombeamento permitiu reduzir o nível de alagamento em menos de uma hora após a mobilização das equipes. O registro oficial da prefeitura e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) detalha os horários de evolução da ocorrência na quarta-feira (14):

  • 15h48: Agentes da CET bloqueiam duas das quatro faixas do túnel no sentido da Avenida 9 de Julho.
  • 16h00: A fiscalização de trânsito interdita as outras duas faixas restantes da passagem subterrânea.
  • 16h07 às 16h10: Ocorre a entrada mais intensa de enxurrada na estrutura, elevando o nível da água a cerca de um metro de altura em três minutos.
  • 16h40: Equipes municipais com caminhões e bombas adicionais são mobilizadas no local para reforçar o escoamento.

Cobrança do Ministério Público sobre enchentes em São Paulo

Na quinta-feira (15), o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) acionou a Justiça para exigir que a administração municipal apresentasse, no prazo de 48 horas, esclarecimentos formais sobre o episódio no centro da cidade e três planos de contingência contra enchentes. Na ação, a promotoria pediu a aplicação de multa de até R$ 1,8 milhão em caso de descumprimento da determinação.

Questionada sobre a cobrança judicial, a gestão municipal declarou que os documentos exigidos pelos promotores já haviam sido entregues anteriormente ao Poder Judiciário. “A Prefeitura informa que já apresentou à Justiça, em dezembro de 2025, os três planos de intervenção solicitados. A decisão judicial de julho deste ano refere-se a uma solicitação para reapresentação desses planos, o que será feito.”, informou a Prefeitura de São Paulo, em nota oficial.

Histórico do Túnel do Anhangabaú e projeto de piscinão de R$ 350 milhões

Inaugurado em 1990, o Túnel do Anhangabaú foi construído em uma área de baixada que concentra diversos cursos d’água canalizados e subterrâneos da região central, como os córregos Saracura, Bexiga, Augusta e Itororó, todos afluentes que deságuam no rio Anhangabaú. Por causa dessa geografia, a estrutura depende permanentemente do bombeamento mecânico para retirar a água acumulada e registra episódios graves de inundação desde a década de 1990. Em 1999, o volume de água acumulado chegou próximo ao teto da galeria; já em 2006, um novo alagamento de grandes proporções foi associado pela gestão municipal da época a uma falha no sistema de acionamento automático das bombas.

A Prefeitura de São Paulo informou ter investido o total de R$ 11,4 bilhões em obras de drenagem em diferentes regiões da cidade entre 2021 e setembro de 2026. De acordo com o balanço apresentado por Ricardo Nunes, a atual administração entregou nove piscinões (grandes reservatórios para retenção de água da chuva), mantém outros dez em fase de construção e planeja licitar mais cinco unidades.

Para conter novas inundações especificamente no centro, a prefeitura avalia ampliar a capacidade das bombas do túnel e construir um piscinão sob a região do Terminal Bandeira, obra com custo mínimo estimado por Nunes em mais de R$ 350 milhões. Ainda não há confirmação sobre o cronograma para a execução do novo reservatório nem data definida para a ampliação do sistema de bombeamento da passagem subterrânea.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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