Apple abre vaga em San Diego para criar modems próprios 6G

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apple - gowithstock/Shutterstock.com

Um salário-base anual entre US$ 175.000 e US$ 308.500 é a oferta da Apple na nova vaga de emprego aberta na segunda-feira (19) para o cargo de engenheiro de sistemas de modems celulares 6G (6G Cellular Modem Systems Engineer, no nome original da função). Sediada em San Diego, na Califórnia, nos Estados Unidos, a posição tem como objetivo desenvolver a próxima geração de modems próprios da fabricante.

Publicada no portal oficial de carreiras da companhia, a descrição do posto detalha a busca por especialistas para conduzir a transição das redes móveis. “Estamos procurando um engenheiro de sistemas de modems celulares para se juntar à nossa equipe de engenharia de sistemas celulares enquanto definimos e construímos a próxima geração de tecnologia celular. Esta é uma oportunidade rara de moldar o futuro da comunicação sem fio em uma empresa que entrega produtos em escala global à medida que avançamos em direção ao 6G”, informou a Apple no documento, em tradução livre.

Salário de até US$ 308,5 mil e atribuições na vaga de 6G da Apple

O profissional selecionado para atuar na Califórnia será responsável por todo o ciclo de vida dos sistemas de modems celulares da empresa. Esse trabalho abrange a definição de recursos e requisitos técnicos, o acompanhamento dos padrões do 3GPP (organização internacional que define as especificações técnicas das redes móveis), a arquitetura de hardware e software, o desenho de algoritmos voltados à otimização de desempenho e eficiência energética, a ativação inicial de novos chips físicos de silício em laboratório (etapa técnica conhecida como silicon bring-up) e a aplicação nos dispositivos finais.

A rotina do cargo exige colaboração direta com diferentes equipes internas da fabricante norte-americana. O engenheiro atuará em conjunto com os setores de ecossistema, de SoC (System on a Chip, circuito integrado que reúne os principais componentes de um sistema em um único chip), de camada física de hardware e firmware (identificadas pelas siglas técnicas PHY, PHY HW e PHY FW) e de desenvolvimento de software de camada 1 (L1 SW).

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“Nessa função, você trará uma visão de ponta a ponta dos sistemas sem fio — abrangendo padrões 3GPP, definição e planejamento de recursos, design, arquitetura e particionamento de hardware e software — para entregar otimizações de energia e desempenho de ponta e recursos que melhoram diretamente a experiência do usuário em todos os produtos da Apple”, declarou a empresa no texto da vaga.

  • Cargo oficial: Engenheiro de Sistemas de Modems Celulares 6G (6G Cellular Modem Systems Engineer).
  • Local de trabalho: San Diego, Califórnia, Estados Unidos.
  • Data de publicação da vaga: 19 de outubro de 2026.
  • Faixa de salário-base anual: de US$ 175.000 a US$ 308.500.
  • Remuneração variável e benefícios: participação acionária com unidades de ações restritas, descontos na compra de ações da empresa, assistência médica e planos de aposentadoria.

Exigência de IA generativa e requisitos da Apple para o modem 6G

Entre as qualificações mínimas obrigatórias, a Apple determinou que o candidato possua experiência prática no uso de inteligência artificial generativa (IA generativa) e de ferramentas baseadas em grandes modelos de linguagem (LLMs, sistemas de inteligência artificial treinados com grandes volumes de texto). O objetivo da companhia é utilizar essas ferramentas para acelerar os fluxos de trabalho diários da engenharia, o que inclui a prototipagem rápida de algoritmos, a geração automatizada de código, a análise de simulações complexas e a redação de documentação técnica.

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“Se você prospera na interseção entre a teoria técnica profunda e a ativação prática de componentes — e está entusiasmado em ir além do 5G rumo à era do 6G, queremos ouvir você”, afirmou a companhia na convocação aos engenheiros.

Além do uso de inteligência artificial, os candidatos precisam comprovar formação superior com bacharelado em Engenharia Elétrica, Engenharia da Computação ou áreas correlatas. O processo seletivo cobra o tempo mínimo de 10 anos de experiência profissional na indústria de tecnologias celulares, conhecimento aprofundado das redes 4G LTE, 5G NR e do padrão 6G emergente (com foco no grupo de trabalho 3GPP RAN1, responsável pela camada física de acesso via rádio), além de domínio prático das linguagens e ferramentas MATLAB, C/C++ e Python para modelagem de ponto fixo e flutuante e simulação em nível de link. Como diferenciais desejáveis, a empresa lista histórico de publicação de artigos científicos ou patentes em comunicações sem fio, vivência em controle de Camada 1 e Camada 2 e familiaridade com as especificações RAN2 e RAN4 do 3GPP.

Disputa com a Qualcomm desde 2019 e a evolução dos chips C1 e C2

A contratação em San Diego faz parte da estratégia industrial da Apple para projetar e fabricar seus próprios modems celulares internos, movimento criado para reduzir a dependência comercial e tecnológica dos componentes fornecidos pela Qualcomm. Essa transição teve início em 2019, ano em que a fabricante do iPhone comprou a divisão de modems celulares da Intel. O primeiro resultado comercial dessa operação foi a estreia do modem proprietário C1, integrado ao iPhone 16e, seguida pela expansão da linha de conectividade própria com o lançamento dos chips C1X e C2 em aparelhos mais recentes da marca, como o iPhone Air e o iPhone 18 Pro.

No campo específico da sexta geração de redes móveis, a empresa mantém pesquisas ativas desde pelo menos 2020. Naquele ano, a companhia ingressou como membro fundador na Next G Alliance, coalizão criada pela Alliance for Telecommunications Industry Solutions (ATIS, organização que desenvolve padrões técnicos para o setor de telecomunicações) com a finalidade de coordenar o avanço da tecnologia 6G na América do Norte. O grupo reúne outras fabricantes globais do setor, entre elas Qualcomm, Nokia, Samsung e Ericsson.

Previsão de estreia do 6G em 2030 e meta de velocidade de 200 Gbps

Os parâmetros técnicos sugeridos pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) apontam que a futura rede 6G poderá atingir uma velocidade máxima teórica de 200 Gbps, índice dez vezes superior ao pico teórico de 20 Gbps estabelecido para o 5G. A entidade internacional também propõe como meta para a nova geração a redução da latência (o tempo de resposta na transmissão de dados entre dois pontos da rede) para a marca de 0,1 milissegundo.

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Como a tecnologia 6G ainda se encontra em estágio inicial de desenvolvimento, as faixas exatas de espectro de radiofrequência que serão utilizadas pelo novo padrão e a data de lançamento do primeiro iPhone compatível ainda não foram definidas oficialmente. O cronograma projetado pelo setor de telecomunicações prevê que as especificações técnicas formais do 6G sejam concluídas até o fim de 2028, enquanto a implementação comercial das redes e a chegada dos primeiros aparelhos compatíveis ao mercado devem ocorrer por volta de 2030.

Bruna: Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.