Bi-Rads 4 exige biópsia mamária e descarta câncer em 70% dos casos

câncer de mama - Prostock-studio/Shutterstock.com

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A classificação Bi-Rads 4 em exames de imagem da mama indica uma alteração suspeita que exige investigação obrigatória por biópsia, mas não representa um diagnóstico fechado de câncer. De acordo com a médica mastologista e oncologista Fernanda Perez Magnani Leite, do A.C.Camargo Cancer Center, 70% das mulheres que recebem esse resultado em mamografias, ultrassons ou ressonâncias magnéticas apresentam quadros benignos após a análise do tecido.

“O Bi-Rads 4 não é diagnóstico de câncer. O que ele significa é que existe uma alteração na qual o médico da radiologia achou que é uma imagem importante, uma imagem suspeita”, afirmou a especialista. Entre o agendamento do procedimento e a entrega do laudo definitivo, o tempo médio de espera chega a 30 dias.

Bi-Rads 4 exige biópsia nas subcategorias 4A, 4B e 4C

Desenvolvido pelo Colégio Americano de Radiologia (ACR), o sistema Bi-Rads (Breast Imaging Reporting and Data System, ou Sistema de Relatórios e Dados de Imagem da Mama, em tradução livre) padroniza internacionalmente os laudos mamários em uma escala de 0 a 6. Enquanto o nível 2 aponta achado benigno sem risco de malignidade e o nível 3 recomenda acompanhamento semestral, as categorias 4 e 5 determinam a retirada de amostra de tecido para exame histopatológico por um médico patologista. Na faixa 4, a probabilidade de malignidade varia de 2% a 95%, dividida nos subgrupos 4A (baixa suspeita), 4B (suspeita intermediária) e 4C (alta suspeita), mantendo a exigência de biópsia em todos os níveis. Exames realizados na mesma época podem registrar notas diferentes sem que haja erro médico, pois os métodos são complementares: a mamografia identifica microcalcificações agrupadas e assimetrias, o ultrassom avalia nódulos com bordas irregulares e a ressonância observa áreas de realce pelo uso de contraste.

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A escolha da técnica para coleta do material depende das características da lesão e define os três cenários de conduta médica após o laudo:

  • Core biopsy: retirada de fragmentos com agulha grossa guiada por imagem, indicada para nódulos;
  • Mamotomia: coleta por sistema de aspiração a vácuo, utilizada em microcalcificações vistas na mamografia;
  • PAAF (punção aspirativa por agulha fina): aspiração de material voltada principalmente para lesões líquidas;
  • Resultado benigno ou lesão atípica: retorno em seis meses com novos exames de imagem, cabendo ao médico avaliar a retirada total do nódulo nos casos atípicos;
  • Confirmação de malignidade: solicitação de exames complementares, como a imunohistoquímica, para identificar o subtipo tumoral e definir o tratamento.

Espera pelo laudo de Bi-Rads 4 e relatos de pacientes

O período até a definição diagnóstica provoca impacto emocional nas pacientes, descrito por Fernanda Perez Magnani Leite como “a angústia da definição”, fase que demanda orientação e acolhimento dos profissionais de saúde. A influenciadora Dani Oliveira, de 42 anos, fazia exames anuais com resultados nível 2 até identificar um nódulo classificado como Bi-Rads 3 no pré-operatório de uma cirurgia de redução de mamas; encaminhada ao mastologista, uma ressonância magnética elevou a classificação para Bi-Rads 4. “A primeira coisa que passa na cabeça é muito medo do resultado”, disse Dani, que aguardou 20 dias até receber o laudo negativo para câncer.

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Em outro caso, a coordenadora de Projetos Educacionais Jéssica Signani, de 39 anos, descobriu um pequeno nódulo não palpável na mama esquerda em exame de rotina em 2023. Com a antecipação do retorno em três meses diante do crescimento da lesão, a biópsia confirmou um carcinoma mamário triplo negativo em estágio inicial. “O diagnóstico salva-vidas, e eu sou prova disso. Tive um câncer na mama e, pela característica dele, se eu não tivesse detectado cedo, meu destino teria sido diferente”, declarou Jéssica, que passou por cirurgia conservadora, realizou 16 sessões de quimioterapia e optou pela mastectomia bilateral e retirada dos ovários após teste genético apontar alto risco nesses órgãos.

Dados do INCA sobre câncer de mama e acesso no SUS

Os alertas sobre o rastreamento integram a campanha Outubro Rosa, que teve na segunda-feira (19) o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar 78.610 novos casos da doença por ano no triênio 2026–2028, o equivalente a um risco estimado de 71,57 casos para cada 100 mil mulheres, sendo que de 5% a 10% do total têm caráter hereditário ligado a mutações como nos genes BRCA1 e BRCA2. Um estudo divulgado em 21 de outubro de 2026 pela Fundação do Câncer, com base no acompanhamento de 1.023 mulheres até julho de 2026, demonstrou que a detecção por rastreamento eleva a sobrevida em cinco anos para 92,9%. No Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde recomenda a mamografia de rastreamento a cada dois anos dos 50 aos 74 anos, garantindo o exame também entre 40 e 49 anos e acima de 74 anos mediante indicação médica, além da mamografia diagnóstica em qualquer idade quando há sintomas.

Carolina Costa: Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração