Brasil atinge 69,8 milhões de linhas 5G no 3º trimestre de 2026

Sinal de internet 5G - ANDRANIK HAKOBYAN / shutterstock.com

Sinal de internet 5G - ANDRANIK HAKOBYAN / shutterstock.com

Quase um quarto dos celulares ativos no país já opera na rede de quinta geração: o 5G atingiu 69,8 milhões de acessos móveis no Brasil no terceiro trimestre de 2026, segundo dados preliminares divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) na terça-feira (20). O volume representa 24,9% de toda a base de telefonia móvel nacional e reflete um crescimento anual de 30,7% na tecnologia.

Os números fazem parte do Relatório de Monitoramento da Competição do terceiro trimestre de 2026, elaborado com informações preliminares colhidas até o mês de agosto. Enquanto a rede de quinta geração ganhou cerca de 16,4 milhões de conexões no intervalo de doze meses, o 4G registrou o movimento inverso e encolheu em aproximadamente 4,6 milhões de linhas na mesma comparação com o terceiro trimestre de 2025.

Confira também: SpaceX compra espectro de US$ 8 bilhões e derruba ações de Vivo e TIM

Avanço do 5G a 984 cidades e retração das linhas 4G

O crescimento do 5G também ocorreu na comparação trimestral, com a adição de aproximadamente 2,6 milhões de novos acessos frente ao segundo trimestre de 2026, o que equivale a uma alta de 3,9%. Entre o terceiro trimestre de 2025 e o terceiro trimestre de 2026, 984 novos municípios brasileiros passaram a registrar conexões ativas com a tecnologia de quinta geração, ampliando a cobertura geográfica do serviço.

Foto: 5G, Telefone, celular -Ira Lichi/shutterstock.com

Mesmo mantendo a posição de tecnologia predominante na telefonia celular do país, o 4G apresentou retração nos dois recortes avaliados pela agência reguladora. A queda anual foi de 2,5% na base de clientes dessa geração, acompanhada por um recuo de 0,7% na passagem do segundo para o terceiro trimestre de 2026, quando a modalidade perdeu cerca de 1,3 milhão de acessos móveis.

A área técnica da Anatel relaciona o saldo positivo de adições líquidas do setor móvel diretamente à expansão das redes 5G pelo território nacional. No acumulado geral de todas as tecnologias, o mercado brasileiro de telefonia celular totalizou 280,5 milhões de linhas ativas nos dados preliminares até agosto. Veja a síntese dos indicadores gerais do setor móvel no período:

  • Total de acessos móveis no Brasil (3º trimestre de 2026): 280,5 milhões de linhas
  • Expansão anual da base móvel total (ante o 3º trimestre de 2025): alta de 4,12% (mais de 11 milhões de novas conexões)
  • Crescimento trimestral da base móvel total (ante o 2º trimestre de 2026): alta de 1,3%
  • Situação dos dados do relatório de 20 de outubro de 2026: preliminares até agosto, sujeitos a atualização nas edições seguintes

Disputa pelo 5G nas grandes operadoras e avanço das MVNOs

Entre as três maiores companhias do setor móvel, o levantamento preliminar aponta que a Vivo adicionou 829 mil acessos no período analisado, enquanto a Claro somou 386 mil novas linhas e conservou sua fatia de 33% de participação de mercado. A TIM, por sua vez, foi a única entre as três líderes a registrar perda contínua de participação no intervalo entre o terceiro trimestre de 2025 e o terceiro trimestre de 2026. O detalhamento específico dessas adições líquidas da Vivo e da Claro no recorte de agosto ainda aguarda confirmação na íntegra do documento técnico, uma vez que o arquivo completo no servidor da Anatel apresentava instabilidade de acesso.

Confira também: Vivo e Starlink têm testes comerciais prorrogados pela Anatel

Na outra ponta do mercado, as prestadoras de pequeno porte — grupo que engloba operadoras regionais e operadoras móveis virtuais (MVNOs, empresas que ofertam telefonia celular utilizando a infraestrutura de rede de outras companhias) — ampliaram sua presença de 5,4% dos acessos móveis no terceiro trimestre de 2025 para 7,2% no terceiro trimestre de 2026, um ganho de 0,5 ponto percentual sobre o trimestre imediatamente anterior. Somente as MVNOs autorizadas pela Anatel alcançaram 13,1 milhões de conexões, com quase 70% dessa base concentrada nas empresas Datora (que detém entre 35% e 37,6% na série analisada) e Surf Telecom (entre 29% e 31,3%), seguidas por Telecall (10% a 14%) e Next Level (9% a 13%).

O documento da agência reguladora destaca ainda duas diretrizes comerciais adotadas pelas operadoras para rentabilizar a base de clientes. A primeira consiste no incentivo à contratação de pacotes 5G já integrados a serviços digitais adicionais; a segunda foca na migração de usuários de linhas pré-pagas para planos pós-pagos, modalidade que registra crescimento contínuo de participação e gera uma receita média por usuário (indicador do setor conhecido pela sigla ARPU) mais alta para as empresas.

Evolução do 5G desde julho de 2026 e histórico das operadoras virtuais

Os números divulgados nesta semana dão sequência à curva de crescimento registrada no relatório anterior da Superintendência de Competição (SCP) da Anatel, publicado em 15 de julho de 2026. Naquele levantamento, referente ao fechamento do segundo trimestre de 2026, o Brasil contabilizava 276,4 milhões de linhas móveis totais, das quais 66,1 milhões operavam em 5G — o equivalente a 23,9% da base nacional na ocasião, um ponto percentual abaixo do patamar atingido em agosto.

A evolução histórica acompanhada pela autarquia também mostra a multiplicação das operadoras móveis virtuais no país ao longo dos últimos cinco anos. Em 2021, a base total de acessos das MVNOs autorizadas pela Anatel somava 1,4 milhão de conexões, volume que saltou para a marca atual de 13,1 milhões no terceiro trimestre de 2026.

Banda larga fixa de 57,9 milhões de acessos e foco em Inteligência Artificial

Além da telefonia celular, o Relatório de Monitoramento da Competição mapeou o desempenho da banda larga fixa no Brasil e os debates regulatórios prioritários do terceiro trimestre de 2026. Os principais dados do segmento fixo registrados no documento são:

  • Base total de banda larga fixa no 3º trimestre de 2026: 57,9 milhões de acessos no país
  • Conexões por fibra óptica: avanço de 43,23 milhões no 3º trimestre de 2025 para 46,92 milhões no 3º trimestre de 2026, mantendo a liderança do setor
  • Conexões de internet via satélite: crescimento de 670 mil para 1,10 milhão de acessos no mesmo intervalo anual
  • Participação dos pequenos provedores: 55,5% de toda a base nacional de banda larga fixa

Na seção dedicada ao acompanhamento de temas estratégicos das telecomunicações, a Inteligência Artificial manteve o primeiro lugar pelo terceiro trimestre consecutivo entre as discussões monitoradas pela agência, com menção no relatório à defesa do conselheiro da Anatel Edson Holanda para a abertura de uma nova tomada de subsídios sobre o uso da tecnologia no setor. A segunda posição no monitoramento estratégico ficou com as redes de distribuição de conteúdo (CDNs, servidores que armazenam e entregam dados mais perto do usuário) e os Data Centers, impulsionados pela aprovação e sanção do Redata, o regime especial de tributação voltado à instalação de centros de processamento de dados.

Acompanhe: Anatel planeja faixa de 6 GHz para acelerar conexão móvel

Janderson Luiz: Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol