Hoje à noite! Chuva de meteoros do cometa Halley ilumina o céu do Brasil; veja como ver

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Cometa Halley Foto: Cometa Halley - Nazarii_Neshcherenskyi/shutterstock.com

Fragmentos espaciais que formam a chuva de meteoros Orionídeas atingem o pico de atividade entre a noite desta quarta-feira (21) e a madrugada de quinta-feira (22) em todo o território brasileiro. Os detritos deixados pelo cometa 1P/Halley entram na atmosfera da Terra a uma velocidade aproximada de 66 quilômetros por segundo (41 milhas por segundo) e podem ser vistos a olho nu.

A expectativa de visualização varia entre as instituições de pesquisa astronômica. Enquanto a Organização Internacional de Meteoros (IMO, entidade científica global dedicada ao estudo de meteoros) estima uma taxa de 20 ou mais meteoros por hora durante o pico em condições ideais, a agência espacial norte-americana (NASA) e a Sociedade Americana de Meteoros (AMS) projetam de 10 a 20 meteoros por hora sob céu escuro. “A boa notícia é que todo o Brasil pode observar. O radiante em Órion é visível de norte a sul, com leve vantagem no norte e nordeste, onde ele sobe mais alto”, afirmou Marcelo De Cicco, astrônomo e coordenador do Projeto Exoss, iniciativa de monitoramento de meteoros parceira do Observatório Nacional (ON/MCTI).

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Brilho da Lua e melhores horários para observar as Orionídeas

A visualização do fenômeno astronômico no início da noite sofre interferência direta da Lua, que está na fase crescente. Com a superfície lunar apresentando entre 74% e 77% do disco iluminado — índice de 77% registrado pelo Observatório Nacional —, a claridade natural ofusca os rastros luminosos mais fracos na primeira parte da noite.

Por causa dessa iluminação, a janela mais favorável para acompanhar a passagem dos fragmentos ocorre depois da meia-noite, exatamente entre o horário em que a Lua se põe e o surgimento dos primeiros raios de sol do amanhecer. O Observatório Nacional indica uma média geral de observação para o território brasileiro a partir de 1h40 até o crepúsculo, enquanto levantamentos específicos por cidade apontam variações exatas conforme a posição geográfica na madrugada de 22 de outubro de 2026.

  • Recife (PE): das 1h20 às 3h43
  • Fortaleza (CE): das 1h31 às 4h02
  • Rio de Janeiro (RJ): das 2h09 às 3h57
  • São Paulo (SP): das 2h24 às 4h10
  • Porto Alegre (RS): das 2h51 às 4h16

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Recomendações da NASA e localização da constelação de Órion

O ponto do céu de onde os meteoros parecem surgir, chamado na astronomia de radiante, fica na constelação de Órion, nas proximidades da estrela Betelgeuse e do conjunto de estrelas conhecido como Três Marias. Após a meia-noite, essa área se posiciona entre o leste e o nordeste, subindo gradualmente ao longo da madrugada. Nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, a elevação mais alta desse radiante proporciona um tempo maior de céu escuro sem a interferência lunar.

Para os observadores localizados no Hemisfério Sul, a NASA orienta buscar áreas afastadas da poluição luminosa das cidades, onde a quantidade de meteoros visíveis costuma cair. A recomendação técnica é deitar-se com os pés direcionados para o nordeste, manter uma visão ampla da abóbada celeste e aguardar menos de 30 minutos para que a visão humana alcance a adaptação completa à escuridão. Não é preciso fixar o olhar apenas na constelação de Órion, pois os riscos luminosos aparecem em qualquer direção. O uso de telescópios ou binóculos é dispensado e desaconselhado, já que esses aparelhos restringem o campo de visão a uma fração pequena do céu.

Relação do cometa Halley com as chuvas de meteoros de outubro

A chuva de meteoros Orionídeas ocorre anualmente quando a Terra, em seu movimento de translação, atravessa uma trilha de poeira e pequenos grãos rochosos deixados pelo cometa 1P/Halley em passagens antigas pelo Sistema Solar interno. Embora muitos desses detritos tenham o tamanho de grãos de areia ou pequenas pedras, o choque com a atmosfera terrestre a 66 quilômetros por segundo — uma das velocidades mais altas entre as principais chuvas anuais — gera o aquecimento e o brilho intenso, formando eventuais bolas de fogo e rastros que permanecem visíveis por alguns segundos. O fenômeno não significa que o astro principal estará no céu: o cometa Halley leva cerca de 76 anos para completar uma volta ao redor do Sol, teve sua última aproximação da Terra registrada no ano de 1986 e tem o próximo retorno previsto apenas para 2061.

Os vestígios espaciais do cometa Halley são responsáveis por produzir duas chuvas de meteoros distintas na Terra todos os anos. A primeira é a Eta Aquáridas, registrada durante o mês de maio, e a segunda é a Orionídeas, que ocorre no mês de outubro.

Além das Orionídeas, o céu de outubro registra a atividade simultânea de outros fenômenos menores. Os observadores podem cruzar visualmente com a chuva de meteoros Táuridas, dividida nos ramos Sul e Norte, que apresenta fragmentos mais lentos e uma taxa estimada em até 5 meteoros por hora, além de meteoros esporádicos que surgem a uma média de 6 por hora.

Em 2026, o período total de atividade da chuva de meteoros Orionídeas começou na sexta-feira, 2 de outubro de 2026, e segue ativo, com redução gradual na quantidade de riscos luminosos após o pico desta semana, até o encerramento no sábado, 7 de novembro de 2026.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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