A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) lançou nesta quarta-feira (21) um painel público que detalha as dívidas dos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, com Corinthians e Atlético-MG no topo do ranking. Os passivos somados das 40 equipes chegam a R$ 25 bilhões, divididos entre R$ 22,08 bilhões na primeira divisão e R$ 2,92 bilhões na segunda divisão.
Os dados divulgados pelo órgão, criado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para fiscalizar o Fair Play Financeiro, têm como base os balanços financeiros encerrados em 31 de dezembro de 2025. Além do endividamento total, a plataforma expõe atrasos em pagamentos que já resultaram em prazos de 45 dias para oito equipes quitarem débitos sob risco de sofrerem transfer ban, punição que impede o registro de novos atletas.
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Corinthians e Atlético-MG puxam valores das dívidas dos clubes na Série A
O Corinthians registra o maior passivo geral da elite do futebol nacional, acumulando R$ 2,76 bilhões até o fim de 2025. Logo atrás aparecem Atlético-MG, São Paulo, Botafogo e Palmeiras nas primeiras posições da tabela divulgada pela agência reguladora. O Atlético-MG, embora ocupe a segunda colocação no montante total, lidera o recorte de dívidas de curto prazo: o clube mineiro tem R$ 1,36 bilhão com vencimento em até 12 meses. Na outra ponta da primeira divisão, o Mirassol apresenta o menor endividamento total, fixado em R$ 11 milhões.
Na Série B do Campeonato Brasileiro, o ranking de maiores passivos é encabeçado por dois clubes pernambucanos: o Sport lidera a lista da segunda divisão com R$ 422 milhões em obrigações financeiras, seguido pelo Náutico, que acumula R$ 292 milhões. Em situação oposta na mesma divisão, o CRB registrou o menor valor entre todos os analisados na categoria, com dívida total de R$ 900 mil no encerramento de 2025. O detalhamento completo divulgado até o momento abrange 23 agremiações, enquanto os valores exatos dos outros 17 participantes das duas divisões não constam nos recortes disponibilizados.
- Corinthians: R$ 2,76 bilhões (1º da Série A)
- Atlético-MG: R$ 2,66 bilhões (maior passivo de curto prazo, com R$ 1,36 bilhão)
- São Paulo: R$ 2,45 bilhões
- Botafogo: R$ 2,01 bilhões
- Palmeiras: R$ 1,58 bilhão
- Internacional: R$ 1,27 bilhão
- Fluminense: R$ 1,04 bilhão
- Red Bull Bragantino: R$ 772 milhões
- Sport: R$ 422 milhões (maior passivo da Série B)
- Athletico-PR: R$ 405 milhões
- Náutico: R$ 292 milhões
- Fortaleza: R$ 291 milhões
- América-MG: R$ 283 milhões
- Ponte Preta: R$ 240 milhões
- Vila Nova: R$ 175 milhões
- Chapecoense: R$ 174 milhões
- Novorizontino: R$ 167 milhões
- Botafogo-SP: R$ 89 milhões
- São Bernardo: R$ 77 milhões
- Atlético-GO: R$ 42 milhões
- Mirassol: R$ 11 milhões (menor passivo da Série A)
- Operário-PR: R$ 4,2 milhões
- CRB: R$ 900 mil (menor passivo da Série B)
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Oito equipes recebem prazo de 45 dias da Anresf para evitar transfer ban
Na segunda-feira (19), a Anresf publicou decisões de primeira instância referentes a 24 clubes das Séries A e B que apresentaram atrasos na data de corte de 30 de junho de 2026. Oito equipes receberam a determinação de quitar ou formalizar acordo sobre dívidas contraídas em 2026 no prazo de 45 dias a partir da notificação, sob pena de proibição de registrar jogadores: Atlético-MG, Grêmio, Internacional e São Paulo na primeira divisão, além de Ceará, Fortaleza, Náutico e Ponte Preta na segunda divisão. Na elite, apenas Bahia, Chapecoense, Flamengo, Mirassol, Palmeiras e Red Bull Bragantino comprovaram não ter pagamentos vencidos até o fim de junho.
As cobranças detalham negociações específicas realizadas pelos clubes na temporada. O Atlético-MG foi enquadrado por atrasos de 2026 com o Bahia, referentes à compra do zagueiro Vitor Hugo por 100 mil euros (cerca de R$ 597 mil), e com o Santos, por uma taxa de vitrine de 10% na transferência do meia Victor Hugo. Já o São Paulo sofreu a sanção de 45 dias por um débito de R$ 700 mil com o Esporte Clube São José, valor que a diretoria são-paulina afirma já ter quitado após a notificação, além de receber advertências por atraso já pago à Lazio e pela omissão de dívida antiga com o Novorizontino. Grêmio, acionado por débitos com Capivariano e Votuporanguense, e Internacional, julgado por pendências com Athletico-PR e Juazeiro, também receberam prazo de 15 dias úteis para acertar valores com atletas sob risco de multa de R$ 100 mil. Athletico-PR e Coritiba tiveram seus processos arquivados sem punições.
Regras do Fair Play Financeiro e pedido de adiamento para 2028
O Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF) da Anresf opera sob os eixos de Solvência, Equilíbrio, Controle de Custos e Endividamento, exigindo que as equipes declarem três vezes ao ano — em 31 de março, 31 de julho e 30 de novembro — a situação de dívidas vencidas com outros clubes, funcionários e impostos, além do registro prévio de contratos de trabalho e de direitos de imagem. Para os débitos contraídos até 31 de dezembro de 2025, o regulamento em vigor desde 1º de janeiro de 2026 estabelece um período de transição que vai até 30 de novembro de 2026, fase em que cabem apenas advertências públicas. Nove times da Série A receberam advertência nessa faixa (Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Grêmio, Internacional, Santos, São Paulo, Vasco e Vitória), enquanto o Remo foi advertido por pendência fiscal deste ano.
Das decisões de primeira instância divulgadas pela agência, os clubes podem apresentar recurso ao Plenário do órgão em até 10 dias úteis contados após a comunicação oficial do acórdão. Com a proximidade do fim do período de transição em 30 de novembro de 2026, clubes das Séries A e B liderados pelo Santos articulam um pedido para adiar o início das punições sobre dívidas anteriores a 2026 para o fim de 2027 ou, preferencialmente, 2028, mas a Anresf ainda não recebeu uma proposta formal para análise.
