Samsung corta 20 milhões de aparelhos Galaxy A com tela OLED em 2027

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Galaxy A17 - Divulgação Foto: Galaxy A17 - Divulgação

A gigante sul-coreana Samsung reduziu provisoriamente sua meta de envios de smartphones da linha Galaxy A equipados com tela OLED para 2027, passando de 120 milhões para 100 milhões de unidades. A decisão, tomada na sede da empresa em Seul na terça-feira (20), busca conter os gastos provocados pela alta global nos preços de componentes de memória e inclui estudos para rebaixar a qualidade dos painéis em futuros lançamentos intermediários.

O corte de 20 milhões de aparelhos reverte a projeção anterior, que havia sido comunicada a parceiros comerciais no final de setembro de 2026. Além de representar um recuo nos planos futuros, o novo volume fica abaixo do patamar atual de 2026, uma vez que a fabricante mantém a estimativa de enviar um volume superior de celulares intermediários com essa tecnologia de imagem ao longo do ano vigente.

Como a crise de memórias afeta a tela do futuro Galaxy A38?

Celular , Samsung
Foto: Celular , Samsung – TY Lim/ Shutterstock.com

O ajuste no planejamento de displays ocorre como reflexo direto do encarecimento de semicondutores no mercado internacional, especificamente dos chips de memória DRAM (memória de acesso aleatório dinâmico, responsável pelo processamento temporário) e NAND (memória flash usada para o armazenamento interno de arquivos). A valorização desses componentes elevou o custo médio de fabricação dos modelos mais recentes da família Galaxy A em mais de 100 mil wons — valor equivalente a cerca de US$ 75, ou aproximadamente R$ 370 — na comparação direta com a geração imediatamente anterior de aparelhos da marca.

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Para equilibrar o orçamento de hardware sem repassar todo o custo ao consumidor final, a fabricante estuda aplicar uma redução técnica nas especificações de tela do futuro Galaxy A38, previsto para chegar ao mercado em 2027. Em vez de manter o padrão do antecessor Galaxy A37 ou evoluir o componente, a companhia avalia reaproveitar no novo aparelho o painel OLED mais básico utilizado no Galaxy A27, o que resultaria em uma tela com menor nível de brilho máximo e sem suporte à tecnologia HDR10+ (padrão que amplia o contraste e a profundidade das cores em vídeos).

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Atualmente, os painéis OLED equipam quatro subfamílias intermediárias da marca, enquanto os modelos de entrada permanecem com a tecnologia LCD (tela de cristal líquido, que exige iluminação traseira e entrega menor contraste). A divisão atual do portfólio e o histórico de volumes projetados pela empresa para o setor de dispositivos móveis apresentam os seguintes números:

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  • Famílias intermediárias que utilizam painéis OLED: linhas Galaxy A1x, Galaxy A2x, Galaxy A3x e Galaxy A5x, sendo a série Galaxy A1x responsável sozinha por mais da metade de todas as remessas dessa categoria.
  • Família de entrada com tecnologia LCD: linha Galaxy A0x, que não entra no corte de telas OLED por já utilizar componentes mais baratos de fábrica.
  • Previsão de envios da linha Galaxy A com OLED em 2026: 110 milhões de unidades, número que supera em 10 milhões a nova meta provisória de 2027.
  • Previsão mensal de produção total de smartphones no quarto trimestre de 2026: redução de 31,4 milhões para 24,2 milhões de unidades por mês, o que equivale a uma retração de cerca de 23%.
  • Previsão total de remessas globais da fabricante em 2026: recuo da meta original de 240 milhões para a faixa de 230 milhões de aparelhos enviados.
  • Meta global original de smartphones para 2027: 250 milhões de unidades no total, volume que agora está ameaçado pelo corte de 20 milhões apenas nos intermediários.

Prejuízo bilionário da Samsung e busca por telas chinesas

A pressão financeira sobre a cadeia de suprimentos vai além dos chips de armazenamento e atinge outros materiais básicos de montagem. A empresa sul-coreana enfrenta estoques de celulares acima do normal no quarto trimestre de 2026 e lida com a oferta limitada de fibra de vidro do tipo E-glass, insumo essencial para a fabricação de laminados revestidos de cobre que compõem as placas de circuito impresso dos telefones. Esse cenário levou as divisões de Mobile Experience (MX, setor responsável pelos dispositivos móveis) e de Redes (Networks) a registrarem um prejuízo conjunto de 735 bilhões de wons no segundo trimestre de 2026, com projeção de analistas para um déficit anual próximo de 400 bilhões de wons no fechamento do ano.

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Como alternativa para baratear a montagem dos dispositivos intermediários sem abandonar completamente o padrão OLED, a corporação ampliou a compra de componentes fabricados fora da Coreia do Sul. A marca passou a adquirir lotes maiores de telas produzidas pelas fornecedoras chinesas CSOT e BOE para equipar aparelhos como o Galaxy A57 e integrantes da linha FE, garantindo painéis que custam pelo menos 20% menos do que os similares fabricados pela sua própria subsidiária, a Samsung Display.

Aumento de preços da linha Galaxy A no mercado brasileiro

No Brasil, o encarecimento global na produção de celulares e memórias já refletiu nos valores cobrados do consumidor final. Em 6 de outubro de 2026, a loja oficial da marca no país registrou uma segunda rodada de reajustes nos preços da linha intermediária e de entrada — após um primeiro aumento aplicado em abril de 2026 —, afetando com maior intensidade as versões de aparelhos que contam com maior capacidade de armazenamento interno.

  • Galaxy A07 4G de 256 GB: aumento de 109%, passando do preço de lançamento de R$ 1.099 (em setembro de 2025) para R$ 2.299 em outubro de 2026.
  • Galaxy A17 4G de 256 GB: alta de 50% na loja oficial, subindo de R$ 1.599 para R$ 2.399.
  • Galaxy A17 5G de 256 GB: reajuste de 46% no valor tabelado, passando de R$ 1.849 para R$ 2.699.
  • Galaxy A07 4G de 128 GB: elevação de 44,5% no preço ao consumidor, indo de R$ 899 para R$ 1.299.

Até a publicação desta reportagem, nesta quarta-feira (21), a Samsung não comentou nem confirmou oficialmente as informações sobre a revisão na meta de envios de aparelhos com tela OLED para 2027 ou sobre a mudança de especificações no futuro Galaxy A38.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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