Chuva de meteoros Orionídeas atinge o pico de atividade no Brasil

Chuvas de meteoros Orionídeas - cebergpicture/ istockphoto.com

Chuvas de meteoros Orionídeas - cebergpicture/ istockphoto.com

A atividade da chuva de meteoros Orionídeas atinge o seu pico nesta quarta-feira, 21 de outubro de 2026, estendendo-se até a madrugada de quinta-feira (22) com visibilidade a olho nu em todo o território brasileiro. De acordo com a Organização Internacional de Meteoros (IMO, entidade internacional que monitora esses eventos astronômicos) e o Observatório Nacional, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (ON/MCTI), o fenômeno pode registrar uma taxa de 20 ou mais meteoros por hora sob condições ideais de céu escuro e sem nebulosidade.

A visualização dos rastros luminosos no país não exige o uso de equipamentos ópticos, como binóculos ou telescópios, mas depende diretamente da redução da luminosidade no céu durante a segunda metade da madrugada. O astrônomo Marcelo De Cicco, coordenador do Projeto Exoss — iniciativa cidadã de monitoramento de meteoros parceira do Observatório Nacional —, afirmou que “a visibilidade no Brasil será muito boa em todo o território, especialmente na segunda metade da madrugada (entre 1h40 e o amanhecer), quando a Lua já tiver se posto e o céu estiver totalmente escuro”.

Janelas de observação das Orionídeas após o ocaso da Lua nas capitais

Durante o ápice do evento astronômico em 2026, a Lua encontra-se na fase crescente, apresentando cerca de 77% do seu disco iluminado. Esse brilho lunar intenso ofusca os meteoros de menor intensidade luminosa durante as primeiras horas da noite e o início da madrugada, razão pela qual os astrônomos recomendam aguardar o momento em que o satélite natural se põe no horizonte para iniciar a observação.

Foto: Orionídeas – Orionídeas/gettyimages.com.br

Embora o horário de 1h40 até o nascer do sol funcione como uma referência geral para o território nacional, o intervalo exato entre o pôr da Lua e o crepúsculo matutino varia conforme a latitude e a longitude de cada município. Nas capitais brasileiras, as janelas ideais aproximadas para observar o céu totalmente escuro na transição para a madrugada de quinta-feira (22) ocorrem nos seguintes períodos:

  • Recife (PE): das 1h20 às 3h43;
  • Fortaleza (CE): das 1h31 às 4h02;
  • Rio de Janeiro (RJ): das 2h09 às 3h57;
  • São Paulo (SP): das 2h24 às 4h10;
  • Porto Alegre (RS): das 2h51 às 4h16.

Localização do radiante das Orionídeas na constelação de Órion e instruções

O nome da chuva de meteoros faz referência direta à constelação de Órion — região celeste onde estão localizadas as três estrelas alinhadas popularmente conhecidas no Brasil como Três Marias. É nessa área do firmamento, nas proximidades da estrela gigante vermelha Betelgeuse, que fica situado o radiante das Orionídeas, termo astronômico utilizado para designar o ponto aparente no céu de onde os meteoros parecem surgir para quem observa a partir da Terra.

Veja também: Chuva de meteoros Orionídeas cruza o céu em outubro com rastro do cometa Halley

A localização geográfica influencia a altura em que esse ponto de origem aparece no firmamento ao longo da noite, beneficiando os estados mais próximos da linha do Equador, onde o período sem interferência lunar também tende a ser maior. “A boa notícia é que todo o Brasil pode observar. O radiante em Órion é visível de norte a sul, com leve vantagem no norte e nordeste, onde ele sobe mais alto”, declarou Marcelo De Cicco sobre a diferença de elevação da constelação entre as regiões do país.

Para acompanhar a passagem dos fragmentos sem instrumentos, o Observatório Nacional orienta que o observador procure um local com visão ampla do firmamento e afastado da poluição luminosa das áreas urbanas, como postes de iluminação pública e edifícios altos. Após a meia-noite, a recomendação técnica é direcionar o olhar para a faixa entre o norte e o nordeste, mas evitando fixar a visão exclusivamente no ponto do radiante em Órion, uma vez que os rastros luminosos podem cruzar qualquer direção do céu caso não haja impedimento por nuvens.

Velocidade de 66 km/s dos detritos do cometa Halley na atmosfera

As Orionídeas são formadas anualmente quando o planeta Terra, em seu movimento de translação ao redor do Sol, atravessa uma extensa nuvem de partículas espaciais deixadas pelo cometa Halley. Esses fragmentos rochosos e de poeira ingressam na atmosfera terrestre a velocidades aproximadas de até 66 quilômetros por segundo e, devido ao intenso atrito com os gases atmosféricos em alta altitude, sofrem incandescência imediata, gerando os traços brilhantes popularmente chamados de estrelas cadentes.

O cometa Halley leva aproximadamente de 75 a 76 anos para completar uma órbita inteira ao redor do Sol, e os detritos desprendidos durante as suas passagens permanecem espalhados pela trajetória orbital, originando duas chuvas de meteoros anuais na Terra: as Eta Aquáridas, registradas no mês de maio, e as Orionídeas, no mês de outubro. O registro histórico mais recente da passagem do cometa pelas proximidades do planeta ocorreu no ano de 1986, enquanto o seu próximo retorno ao Sistema Solar interior está calculado pelos astrônomos para acontecer em 2061.

Ajustes de câmera recomendados pelo Observatório Nacional para fotografar

Observadores que pretendem registrar os rastros luminosos das Orionídeas por meio de equipamentos fotográficos precisam configurar o foco e a captação de luz de forma manual, equilibrando a sensibilidade do sensor com a iluminação residual do ambiente para evitar que o brilho de fundo do céu prejudique a nitidez da imagem. O Observatório Nacional indica quatro parâmetros técnicos principais para a captura das fotografias noturnas durante o evento:

  • Distância focal da objetiva: utilização de lente grande-angular na faixa entre 14 mm e 24 mm para cobrir uma área ampla do céu;
  • Abertura do diafragma: ajuste entre f/1.4 e f/2.8, permitindo maior entrada de luz na câmera;
  • Sensibilidade do sensor: configuração de ISO situada na faixa entre 1600 e 3200;
  • Tempo de exposição: disparos configurados com duração de 10 a 15 segundos por fotografia.

Iniciado em 2 de outubro de 2026, o período total de atividade da chuva de meteoros Orionídeas segue ativo na órbita terrestre até o encerramento do trânsito do planeta pela faixa de detritos do cometa Halley, previsto para o dia 7 de novembro de 2026.

Janderson Luiz: Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol