Dinossauro com garras gigantes recebe apelido de “Frankenstein”

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Fóssil de Therizinosaurus - Divulgação/Ghedoghedo/Wikimedia Commons Foto: Fóssil de Therizinosaurus - Divulgação/Ghedoghedo/Wikimedia Commons

A paleontóloga Darla Zelenitsky, da Universidade de Calgary, no Canadá, classificou nesta segunda-feira (19) o grupo do dinossauro herbívoro Therizinosaurus cheloniformis como o “Frankenstein dos dinossauros”. A espécie é detentora das maiores garras já documentadas em um animal terrestre, com estruturas que passavam de um metro de comprimento.

A pesquisadora detalhou em 19 de outubro de 2026 que os terizinossauros representavam o “experimento evolutivo mais bizarro” por reunirem características anatômicas de diferentes espécies. “Eram dinossauros emplumados com um plano corporal que misturava girafa, panda e preguiça – uma cabeça pequena, pescoço comprido, torso grande e garras grandes e afiadas. Eram definitivamente o Frankenstein dos dinossauros”, afirmou Zelenitsky.

Anatomia do Therizinosaurus e função das garras na vegetação

Os animais do grupo dos terizinossauros apresentavam o corpo coberto por penas, cabeça pequena, pescoço comprido, barriga volumosa e garras longas e curvas nas patas dianteiras. Para sustentar a dieta baseada exclusivamente em plantas, o Therizinosaurus cheloniformis contava ainda com uma ranfoteca, estrutura anatômica correspondente a um bico córneo que auxiliava na alimentação.

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De acordo com a especialista da Universidade de Calgary, o formato das unhas gerava um contraste visual com os hábitos alimentares pacíficos do animal. “Embora os terizinossauros fossem herbívoros, suas garras gigantes e afiadas pareciam pertencer a um dinossauro carnívoro. As garras de um terizinossauro eram adaptadas para puxar galhos, manipular a vegetação e, potencialmente, até mesmo para defesa ou exibição, em vez de agarrar ou matar presas”, declarou a paleontóloga.

cranio de dinossauro
Foto: cranio de dinossauro – Allora Empire Art/Shutterstock.com

Simulações da revista Communications Biology sobre o Therizinosaurus

A utilidade prática dessas estruturas ósseas também foi tema de uma investigação publicada em 2023 na revista científica Communications Biology. No trabalho, os cientistas desenvolveram modelos digitais tridimensionais para testar a resistência e o comportamento mecânico das garras de diferentes dinossauros em três atividades específicas: escavar o solo, enganchar e puxar objetos, e perfurar superfícies.

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Os resultados dos testes computacionais levaram os pesquisadores a apontar que as garras do Therizinosaurus tinham uma provável função visual. Em vez de operarem como ferramentas mecânicas eficientes para a obtenção de alimento, as estruturas serviam para demonstrar o porte do animal, intimidar rivais ou atrair parceiros reprodutivos.

A análise da publicação científica demonstrou que as garras desses animais aumentaram de comprimento ao longo do processo evolutivo. Esse crescimento contínuo, contudo, não significou uma melhora na capacidade de executar tarefas práticas ou de suportar estresse físico intenso.

Medidas do Therizinosaurus cheloniformis e comparação de registros

O tamanho das estruturas ósseas rendeu ao Therizinosaurus cheloniformis a marca oficial no Guinness World Records, o livro de registro de recordes mundiais, pelas maiores garras do planeta. As medições paleontológicas estabelecem um contraste direto entre o herbívoro asiático e predadores do mesmo período geológico.

  • Comprimento total das garras do Therizinosaurus cheloniformis: mais de 1 metro de extensão.
  • Medição oficial no Guinness World Records: 91 centímetros calculados pela curva externa do osso.
  • Comprimento das garras do carnívoro Tyrannosaurus rex em comparação: 20,3 centímetros.
  • Comprimento corporal estimado de um Therizinosaurus cheloniformis adulto: entre 9 e 10 metros.
  • Altura estimada do animal adulto: entre 4 e 5 metros.
  • Peso estimado para um indivíduo adulto da espécie: mais de 5 toneladas.

Descoberta do Therizinosaurus em 1948 e a nova espécie Duonychus tsogtbaatari

O Therizinosaurus cheloniformis viveu durante o período Cretáceo Superior, há cerca de 70 milhões de anos — em um intervalo situado entre 69 milhões e 66 milhões de anos atrás. O habitat da espécie concentrava-se na região da Formação Nemegt, localizada na Bacia de Nemegt, no Deserto de Gobi, território pertencente à Mongólia.

Os primeiros restos fósseis desse animal foram localizados em 1948 durante uma expedição de campo realizada no Deserto de Gobi. A descrição científica oficial da espécie ocorreu seis anos depois, em 1954, conduzida pelo paleontólogo Evgeny Maleev.

Além das análises sobre os fósseis descobertos no Deserto de Gobi, Darla Zelenitsky integrou recentemente a equipe científica responsável por descrever uma nova espécie de terizinossauro também encontrada na Mongólia. Batizado de Duonychus tsogtbaatari, o animal viveu há 90 milhões de anos e apresentava uma diferença anatômica em relação aos seus parentes: possuía apenas dois dedos equipados com garras gigantes em cada mão, enquanto a maioria dos terizinossauros contava com três dedos nas patas dianteiras.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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