PS5 exige firmware 14.10 na PSN e trava consoles com Relapse

GTA 6 e PS5 - Reprodução/YouTube

GTA 6 e PS5 - Reprodução/YouTube

Os consoles PlayStation 5 (PS5) modificados com a ferramenta Relapse perderam a capacidade de iniciar sessão na PlayStation Network (PSN) após a Sony tornar obrigatória a versão 14.10 do software de sistema em quinta-feira (15). A trava mantém aparelhos equipados com as edições 14.00, 13.60 ou anteriores restritos ao funcionamento desconectado da rede e inviabiliza a execução de Grand Theft Auto VI (GTA 6) nesses equipamentos destravados no lançamento marcado para 19 de novembro de 2026.

Mesmo com o cerco imposto pela fabricante japonesa, o desenvolvedor sul-coreano Gezine divulgou na segunda-feira (19) um vídeo com a mensagem “Olá 14.10”, em tradução livre, no qual acessa o menu oculto de configurações de depuração (Debug Settings) do console diretamente no firmware 14.10.00. O recurso exige privilégios de nível de kernel, o núcleo do sistema operacional, mas o método permanece privado e ainda não supera a barreira do hipervisor necessária para extrair ou rodar cópias ilegais de jogos na atualização mais recente.

Restrições de rede e regras de suspensão nos termos da Sony Interactive Entertainment

A ausência do pacote de atualização mais recente corta imediatamente o acesso dos jogadores às partidas multiplayer pela internet e impede a validação de licenças digitais junto aos servidores da plataforma. Além de ficarem limitados aos recursos locais, os proprietários que tentarem estabelecer conexão com a rede oficial utilizando um videogame alterado correm o risco de sofrer suspensão da conta ou do próprio hardware por infração direta às normas de utilização.

As diretrizes da Sony Interactive Entertainment vedam qualquer modificação não autorizada tanto no software do aparelho quanto nos serviços vinculados à marca. O texto da cláusula 10.3 dos Termos de Serviço da PlayStation estabelece que o consumidor não tem permissão para “modificar, adaptar, organizar, traduzir, fazer engenharia reversa, descompilar ou desmontar qualquer parte do conteúdo”, regra que fundamenta o banimento ou a suspensão de perfis e consoles flagrados com alterações na PSN, ainda que a empresa não tenha confirmado oficialmente a aplicação de banimentos automáticos em massa.

O bloqueio contratual e técnico mira os aparelhos que operam com o Relapse, uma cadeia de exploits — programas desenvolvidos para explorar falhas de segurança — disponibilizada em 29 de setembro de 2026. A ferramenta combina uma vulnerabilidade no navegador WebKit com uma brecha de kernel para liberar permissões de leitura e escrita na memória interna do PS5 e do PS5 Pro, o que viabiliza a instalação de programas não oficiais conhecidos como homebrew, cópias de jogos e emuladores de PlayStation 2 (inclusive por meio de discos físicos), PlayStation 3, Xbox e Nintendo Switch.

Exigência de atualização e ausência de disco físico nas edições de GTA 6

A barreira estabelecida pelo software atual atinge diretamente os usuários que planejavam executar o novo título da Rockstar Games em sistemas desbloqueados. Informações internas da PlayStation Store apontam que GTA 6 demandará o firmware 14.10.00.00 (identificado pelo código 26.06-14.10.00) ou uma edição superior para iniciar no PS5. Como o console não oferece nenhum procedimento oficial de downgrade — a reversão do sistema operacional para versões anteriores —, o dono de um aparelho modificado precisa escolher entre manter o desbloqueio no modo offline ou atualizar o videogame para jogar o lançamento.

A alternativa de contornar a verificação online comprando a versão de prateleira para rodar o jogo desconectado da internet também foi descartada pelo modelo de comercialização adotado pela produtora. Em comunicado exibido na página oficial de pré-venda da Rockstar Store, a desenvolvedora declarou que, em tradução livre, “as versões físicas conterão apenas um código de download dentro da caixa para suportar o pré-carregamento em 12 de novembro. Um disco não será incluído na caixa”, exigência que obriga o comprador das edições Standard, comercializada pelo preço oficial de US$ 79,99, e Ultimate, vendida pelo valor de US$ 99,99, a se conectar à PSN para baixar os arquivos.

Avanço de lojas piratas no GitHub e limites do novo teste no sistema 14.10

O endurecimento das travas de segurança acontece após a proliferação de repositórios voltados à pirataria na plataforma de hospedagem de código-fonte GitHub. Em 9 de outubro de 2026, foi lançado o aplicativo Overdrive, um catálogo alternativo exibido pelo criador de conteúdo Edigax que fornecia sem custo jogos completos e conteúdos adicionais (DLCs) de PlayStation 4 e PS5 para aparelhos destravados. A página original passou a exibir erro 404 na quarta-feira (14), após o pesquisador Oliver Darko relatar o envio de uma notificação extrajudicial pela Sony Interactive Entertainment, mas cópias da ferramenta reapareceram na rede poucas horas depois ao lado de outras lojas não oficiais, como a BlackBox e a Orbit Store — esta última de código aberto e conectada a um acervo de 147 jogos hospedados no portal Archive.org.

Outra iniciativa neutralizada pelas versões recentes do sistema é o Byepervisor Reborn, ferramenta destinada a desenvolvedores que contorna as defesas do hipervisor — camada de proteção que isola o núcleo do sistema do console — durante o retorno do modo de repouso, utilizando uma vulnerabilidade descoberta originalmente pelo pesquisador de segurança Andy Nguyen, conhecido como theflow0. Mesmo com a demonstração feita por Gezine na segunda-feira (19) no sistema 14.10, o próprio desenvolvedor indicou que o método antigo de extração de dados de jogos não funciona nessa versão e que um novo contorno específico para o hipervisor ainda seria necessário para rodar cópias ou aplicativos como o Overdrive. Com o fechamento das brechas públicas nas edições atuais, unidades do PS5 Slim equipadas com softwares antigos passaram a ser negociadas no mercado europeu de usados com um ágio entre 69 euros e 103 euros sobre o preço dos modelos atualizados.

A lista a seguir detalha a compatibilidade de cada versão do software do console e o histórico das atualizações de segurança e ferramentas ligadas ao PS5:

  • Firmwares 7.00 a 13.60: intervalo de versões do software do PS5 e do PS5 Pro compatível com a cadeia de desbloqueio público Relapse.
  • Firmwares 13.20 e 13.60: edições do sistema que contam com suporte confirmado para a ferramenta de desenvolvedores Byepervisor Reborn, disponibilizada em 12 de outubro de 2026.
  • Firmware 14.00: pacote de atualização liberado pela fabricante em 16 de setembro de 2026 que encerrou a falha explorada pelo método Relapse.
  • Firmware 14.10 (26.06-14.10.00): versão lançada em 1 de outubro de 2026 com correções no hipervisor, transformada em requisito obrigatório na quinta-feira (15) para login na PSN, exigida para executar GTA 6 e alvo do acesso privado de kernel demonstrado por Gezine na segunda-feira (19).

Até a publicação desta matéria, a Sony Interactive Entertainment não havia emitido nota oficial confirmando o envio da notificação extrajudicial contra os criadores do aplicativo Overdrive, nem especificado nos registros públicos quais falhas exatas foram corrigidas na atualização 14.10 ou comentado o vídeo publicado por Gezine. A fabricante japonesa e a Rockstar Games também não confirmaram oficialmente a exigência mínima de sistema listada nos servidores da loja digital para o novo jogo da franquia.

O pré-carregamento digital dos arquivos de GTA 6 e o envio das embalagens físicas contendo o código de download para os consoles PS5 e Xbox Series X|S têm início programado para a 0h de 12 de novembro de 2026, exatamente sete dias antes do lançamento mundial em 19 de novembro de 2026.

Carolina Costa: Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração