Os trabalhadores da siderúrgica GV do Brasil aprovaram em assembleia, na quarta-feira, 21 de outubro de 2026, a proposta salarial que encerrou a greve na fábrica localizada em Pindamonhangaba (SP). O acordo definiu reajuste salarial de 4,7% e um pacote de benefícios imediatos que soma cerca de R$ 6,6 milhões na economia do município e da região.
A paralisação durou 24 horas, com início na terça-feira (20), e terminou após rodadas de negociação entre a direção da empresa e o Sindicato dos Metalúrgicos de Pindamonhangaba. O presidente da entidade sindical, André Oliveira, atribuiu o desfecho à mobilização da categoria. “Parabéns a cada um por essa grande conquista. Nós só conseguimos chegar nela graças ao respeito e à unidade dos trabalhadores junto ao seu sindicato. É um resultado importante para as famílias dos trabalhadores e também para o comércio da região”, disse.
Quando os pagamentos da GV do Brasil caem na conta dos trabalhadores?
O pacote financeiro aprovado na assembleia garante que cada trabalhador da fábrica receba um total de R$ 6.650 ao longo da semana do acordo. Esse montante individual reúne o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR, bônus pago pela empresa conforme o cumprimento de metas), um abono salarial e a antecipação das parcelas do vale-alimentação até o final de 2026.
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O primeiro depósito ocorre nesta quinta-feira (22), referente ao valor integral da PLR. Na sexta-feira (23), a siderúrgica efetua o pagamento do abono extra negociado para encerrar a paralisação. Como a unidade pertence ao grupo mexicano Simec e emprega cerca de 1.000 funcionários no setor do aço em Pindamonhangaba, a soma dos repasses atinge a projeção de R$ 6,6 milhões em circulação no comércio e no setor de serviços locais.
Além dos depósitos programados para outubro de 2026, o acordo firmado pela Campanha Salarial restabeleceu a entrega da cesta de Natal, benefício que a empresa havia cortado em 2025. A direção da fábrica também assumiu o compromisso de não descontar dos salários o dia parado durante a greve de 24 horas.
Valores, datas e benefícios do acordo na GV do Brasil
O reajuste salarial aprovado para a categoria inclui a reposição da inflação do período e uma margem de aumento real no vencimento mensal. O Sindicato dos Metalúrgicos de Pindamonhangaba não detalhou, no comunicado oficial sobre o encerramento da greve, qual parcela exata do índice de 4,7% corresponde ao ganho real acima da inflação.
Os itens financeiros e operacionais aprovados na assembleia de Pindamonhangaba estabelecem os seguintes parâmetros:
- Local e abrangência: fábrica da GV do Brasil em Pindamonhangaba (SP), com cerca de 1.000 funcionários;
- Reajuste nos salários: 4,7% de correção total, englobando reposição inflacionária e aumento real;
- Participação nos Lucros e Resultados (PLR): R$ 5 mil por trabalhador, com depósito em 22 de outubro de 2026;
- Abono salarial: R$ 1 mil por funcionário, pago em 23 de outubro de 2026;
- Vale-alimentação: reajuste de 33%, elevando o benefício mensal para R$ 200, com pagamentos antecipados até o fim de 2026;
- Crédito adicional: R$ 500 por trabalhador, com pagamento previsto para janeiro de 2027.
Expansão da fábrica e impasse que levou à greve na GV do Brasil
A interrupção das atividades na terça-feira (20) ocorreu após os metalúrgicos rejeitarem uma proposta inicial apresentada pela administração da siderúrgica. A oferta anterior não contemplava aumento real nos salários nem correção no valor da PLR. Durante as 24 horas de mobilização, os operários deixaram a planta industrial e apenas os profissionais escalados para funções essenciais permaneceram no interior da usina.
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O impasse trabalhista teve início formal na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, data em que uma assembleia na porta da fábrica aprovou o protocolo de um comunicado de greve junto à diretoria. A principal cobrança do sindicato baseava-se no crescimento recente da produção de aço na unidade, que passou por obras de expansão e inaugurou um novo setor de laminação.
Antes do fechamento do acordo, André Oliveira criticou a postura da empresa durante as primeiras tratativas. “Importante dizer que nós buscamos diversas reuniões com a empresa, tentando evoluir nas propostas, mas a proposta não tinha aumento real do salário nem reajuste no PLR. A GV duplicou as suas produções, fez uma nova planta, as produções continuam saudáveis. Infelizmente, não conseguimos avançar. É só assim (em greve) que o trabalhador consegue”, afirmou o dirigente sindical.
Em outra declaração registrada durante o período de mobilização, o presidente do sindicato reforçou que o conhecimento dos operários sobre o ritmo fabril motivou a paralisação. “Tentamos de todas as formas, em várias reuniões, mostrar para a empresa a insatisfação dos trabalhadores. A empresa dobrou as produções com a expansão, mas continua intransigente em não dar o aumento. Os trabalhadores sabem como é o dia a dia da produção, decidiram entrar em greve pelo reajuste e nós seguimos firmes na defesa desse direito dos trabalhadores”, declarou.
Negociações da Campanha Salarial 2026 em Pindamonhangaba
O fechamento do contrato coletivo na siderúrgica do grupo Simec faz parte do calendário da Campanha Salarial 2026 conduzida pelos metalúrgicos no município. Em setembro de 2026, dentro da mesma campanha de negociações da categoria em Pindamonhangaba, os funcionários da fábrica Novelis também aprovaram um acordo com ganho real nos salários e reajuste de 33% no vale-alimentação, que naquela unidade subiu de R$ 300 para R$ 400 mensais.
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Com a retomada normal dos turnos de produção na GV do Brasil após a assembleia de quarta-feira (21), a última etapa financeira do pacote negociado pela categoria fica programada para janeiro de 2027, mês em que a empresa depositará o crédito extra de R$ 500 para cada trabalhador.
