Ministério de Minas e Energia descarta horário de verão em 2026

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Horário de Verão Foto: Horário de Verão - :diephosi/Istock.com

O Ministério de Minas e Energia (MME) informou que não há previsão de implementar o horário de verão na temporada de 2026 e 2027. Desativada em todo o território nacional desde abril de 2019, a alteração nos relógios continuará fora do calendário de todas as regiões do país. Segundo a pasta, o adiantamento em uma hora não representa uma solução estrutural para atender à demanda de potência do sistema elétrico nacional. A manutenção das regras evita mudanças sazonais no cotidiano de trabalhadores, estudantes e empresas.

Relatórios prospectivos elaborados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e validados pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) embasaram a decisão. Os levantamentos técnicos não apontaram necessidade de retomar o mecanismo durante o período seco e de pico de carga do ciclo 2026/2027. A segurança do suprimento energético conta com o acompanhamento permanente previsto na Agenda Estratégica Eletroenergética 2026, mesmo diante do registro do verão mais quente desde 1961 e da ocorrência de ondas de calor intensas.

A preservação do fuso padrão atinge diretamente a organização de diversas atividades concentradas no Centro-Oeste, no Sudeste e no Sul:

  • Jornadas profissionais permanecem fixas, dispensando adaptações biológicas e operacionais a cada mudança de estação.
  • Instituições de ensino conservam os cronogramas escolares regulares do início ao fim do período letivo.
  • Transportadoras e operadores de logística simplificam a malha de distribuição nacional sem diferenças temporais internas.

Estudos do ONS e pico de demanda vespertino justificam decisão em 2026

Análises técnicas do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico mostram que a expansão do uso de aparelhos de ar-condicionado transferiu o horário de maior exigência de carga da noite para o meio da tarde. Quando vigorava, a mudança nos ponteiros buscava diluir o consumo concentrado entre 18h e 21h com o aproveitamento da claridade solar. Com o novo perfil de gasto energético, a economia gerada pela prática recuou para menos de 0,5% do total consumido no país, índice considerado insuficiente pelo governo federal para justificar a alteração.

O equilíbrio do Sistema Interligado Nacional (SIN), rede que conecta as usinas geradoras aos consumidores, também é sustentado pelo volume das represas hidrelétricas. Os reservatórios registraram níveis acima do esperado após a ocorrência de chuvas regulares ao longo da estação seca. Além do cenário hidrológico estável, a modernização das linhas de transmissão e a adoção em larga escala de lâmpadas de LED reduzem a pressão sobre o fornecimento de eletricidade.

Comércio adapta funcionamento noturno e 60% aprovam fuso fixo

Estabelecimentos comerciais situados em centros urbanos planejam adequações no atendimento para lidar com a ausência de uma hora extra de sol no fim do dia. Segmentos como shoppings e bares apontam possibilidade de retração na circulação de consumidores após as 18h. Por outro lado, um levantamento realizado com a população demonstra que 60% das pessoas preferem a manutenção de horários inalterados ao longo do ano devido à previsibilidade na rotina.

Agências de turismo e organizadores de eventos culturais estruturam suas grades de programação sem a necessidade de extensões sazonais. No setor financeiro e nas repartições públicas, o atendimento segue padronizado, facilitando a comunicação entre matrizes e filiais em diferentes estados. Para atrair o público sem o estímulo da claridade no início da noite, redes varejistas direcionam investimentos para campanhas promocionais noturnas.

Indústria, exportadores e transporte mantêm cronogramas unificados

Fábricas instaladas nas regiões Sul e Sudeste evitam paralisações e reajustes nas trocas de turno decorrentes da mudança nos relógios. No setor de transporte coletivo e aviação, a estabilidade das tabelas reduz atrasos em conexões interestaduais. A ausência de variações sazonais no fuso também favorece empresas exportadoras que operam alinhadas a mercados internacionais com horários rígidos.

Acompanhe: Ministério de Minas e Energia mantém suspensão do horário de verão em 2026

Concessionárias de distribuição elétrica concentram recursos em programas de eficiência energética voltados para o atendimento do pico de consumo durante a tarde. Nas redes de ensino, professores e alunos deixam de enfrentar desalinhamentos nos calendários acadêmicos e em provas nacionais. Hospitais, postos de saúde e forças de segurança pública também operam sob rotinas unificadas em todo o território.

Decreto de 1931 iniciou prática que vigorou continuamente até 2019

A primeira aplicação do horário de verão no país ocorreu por meio do Decreto nº 20.466, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas em 1 de outubro de 1931, vigorando de 3 de outubro daquele ano até 31 de março de 1932. Após décadas de adoção intermitente, o mecanismo funcionou sem interrupções entre 1985 e 2019, adiantando os ponteiros em estados selecionados geralmente entre outubro e fevereiro. O último ciclo completo começou em 4 de novembro de 2018 e terminou em 17 de fevereiro de 2019, antes da revogação formal em abril de 2019 motivada pelas transformações nos hábitos de eletrificação residencial.

Reuniões anuais da cúpula energética federal revisaram os indicadores do sistema nos ciclos seguintes e mantiveram a suspensão em todas as análises até a definição para a temporada 2026/2027. O planejamento governamental prioriza o avanço da transição energética e o despacho complementar de usinas termelétricas ou o controle de vazão em hidrelétricas quando necessário. O retorno do adiantamento de relógios permanece restrito a cenários de crises hídricas severas.

Alinhamento de fusos entre regiões e estados na temporada 2026/2027

Estados do Norte e do Nordeste, que apresentam baixa variação na duração da luz solar ao longo das estações, respaldam a manutenção do horário único para evitar distorções econômicas e logísticas em relação ao restante do país. Administrações estaduais e municipais em locais como São Paulo e Rio de Janeiro calibram o acionamento da iluminação pública conforme a incidência natural de luz. No campo, produtores rurais preservam o ritmo de trabalho vinculado aos ciclos agrícolas sem interferência de decretos federais.

A estabilidade temporal facilita ainda o intercâmbio comercial e financeiro com países vizinhos da América do Sul. O acompanhamento contínuo da oferta e da demanda de carga pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico ao longo do verão de 2026 e 2027 definirá as diretrizes operacionais para os ciclos seguintes.

Manuela é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2015

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