A população não precisará adiantar os relógios em uma hora durante a temporada de calor deste fim de ano. O Ministério de Minas e Energia (MME) confirmou que o horário de verão permanecerá suspenso no ciclo de 2026 e 2027, mantendo a rotina do país sem alterações de fuso. A definição tem como base a estabilidade dos reservatórios das usinas hidrelétricas e estudos prospectivos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que apontam baixo retorno na economia de eletricidade com a mudança.
De acordo com a pasta, a medida não representa uma solução estrutural para atender à demanda de potência do sistema nacional no período seco e de pico de carga. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) projeta volumes de chuva dentro da média histórica para o período, cenário que reduz a pressão sobre a geração hídrica e afasta o risco de sobrecarga na rede até o início de 2027.
Para assegurar o abastecimento sem mexer nos ponteiros, o planejamento federal apoia-se em três frentes de operação:
- Otimização da capacidade produtiva em grandes hidrelétricas, como Itaipu, Jupiá, Porto Primavera e o complexo do rio São Francisco.
- Expansão contínua da oferta de fontes renováveis, com foco em parques de geração solar e eólica no Nordeste e no Sul.
- Acompanhamento em tempo real pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), seguindo as ações preventivas da Agenda Estratégica Eletroenergética 2026.
Mudança no perfil de consumo mantém medida suspensa desde 2019
O adiantamento oficial dos relógios está suspenso no país desde abril de 2019, quando levantamentos técnicos demonstraram que a prática havia perdido a eficácia econômica. Instituído pela primeira vez em 3 de outubro de 1931 pelo ex-presidente Getúlio Vargas, por meio do Decreto nº 20.466, o regime vigorou de forma ininterrupta entre 1985 e a temporada de 2018/2019.
A perda de relevância do mecanismo ocorre pela transformação nos hábitos de consumo de eletricidade. O uso intensivo de aparelhos de ar-condicionado durante as tardes quentes deslocou o pico de demanda, antes concentrado apenas no início da noite, quando a iluminação pública e residencial era acionada. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, declarou em avaliações do setor que a ferramenta só voltará a ser decretada caso ocorra uma crise hídrica severa que ameace a segurança do suprimento.
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Rotina nas capitais e operação das usinas seguem sem alteração
Sem a alteração nos relógios, o funcionamento do transporte público, os turnos de trabalho e os horários bancários continuam alinhados ao fuso padrão. Grandes centros urbanos do Sudeste e do Sul, como São Paulo e Rio de Janeiro, onde a mudança afetava diretamente o deslocamento matinal dos trabalhadores, preservam a grade normal de atividades.
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No âmbito operacional, os dados do ONS demonstram que a infraestrutura atual suporta os picos de carga previstos para os meses mais quentes. A recuperação dos reservatórios nas regiões Sul e Sudeste, aliada à manutenção preventiva das linhas de transmissão, dispensa o acionamento de medidas emergenciais pelo governo federal.
O Ministério de Minas e Energia orienta os consumidores a acompanharem apenas os comunicados dos canais oficiais do governo para evitar boatos sobre mudanças no fuso. A revisão seguinte sobre a necessidade do horário de verão ocorrerá somente no segundo semestre de 2027, antes do início do próximo período chuvoso.

