Monumento Yonaguni completa 40 anos de descoberta a 25 metros de profundidade e divide cientistas no Japão

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Monumento de Yonaguni - Divulgação/Melkov/Wikimedia Commons Foto: Monumento de Yonaguni - Divulgação/Melkov/Wikimedia Commons

A descoberta do Monumento Yonaguni, na costa sul da ilha de mesmo nome na província japonesa de Okinawa, completa 40 anos em 2026 sem consenso entre pesquisadores sobre a sua real origem. Submersa no oceano, a grande formação rochosa de arenito apresenta superfícies planas, degraus, rampas, terraços e ângulos retos que lembram elementos arquitetônicos, o que alimenta há quatro décadas a disputa entre a hipótese de um processo geológico natural e a teoria não comprovada de intervenção humana antiga.

O debate científico ganhou projeção em outubro de 2026, com o marco de quatro décadas desde o primeiro registro da estrutura, ocorrido em 1986. Para a maioria dos geólogos, as linhas retas resultam da fratura natural do arenito somada à atividade tectônica, tese defendida pelo professor de ciências e matemática da Universidade de Boston, Robert Schoch. “Não estou convencido de que qualquer uma das principais características ou estruturas sejam degraus ou terraços feitos pelo homem, mas sim de que são todas naturais”, afirmou Schoch, em tradução livre.

Dimensões e localização geográfica do Monumento Yonaguni em Okinawa

O maciço principal compõe uma paisagem submersa no arquipélago de Ryukyu, no extremo oeste do território japonês. Embora a estrutura apresente contornos geométricos que despertam o interesse de mergulhadores e cientistas, os levantamentos sobre a extensão exata da rocha registram variações documentais quanto à largura total do bloco principal, dependendo da instituição consultada.

As características físicas, geológicas e geográficas confirmadas sobre a formação e a ilha que a abriga reúnem os seguintes dados de medição:

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  • Profundidade da estrutura: submersa entre 5 e 25 metros abaixo da superfície do mar.
  • Comprimento e altura do maciço principal: aproximadamente 100 metros de extensão e cerca de 25 metros de altura.
  • Largura da formação: 60 metros segundo registros da Organização Nacional de Turismo do Japão (JNTO, órgão oficial de promoção turística do país), ou 40 metros conforme outros levantamentos divulgados sobre o local.
  • Idade geológica do material: cerca de 20 milhões de anos desde a deposição das camadas de arenito e lamito (rocha sedimentar de grãos finos) que compõem a rocha.
  • Localização e demografia: costa sul da ilha de Yonaguni, o território habitado mais ocidental do Japão, com cerca de 29 quilômetros quadrados e aproximadamente 1.700 moradores, situado a cerca de 110 quilômetros da costa leste de Taiwan e a mais de 2.000 quilômetros a sudoeste de Tóquio.

O Monumento Yonaguni foi construído por humanos ou pela natureza?

A principal linha de investigação que sugere a ação humana no local foi conduzida pelo geólogo marinho e professor da Universidade de Ryukyu, Masaaki Kimura. Após estudar as rochas submersas, o pesquisador defendeu a hipótese de que as formações seriam monólitos em degraus construídos ou modificados por pessoas há milhares de anos, em uma época em que o nível do mar na região de Okinawa era mais baixo do que o atual. “A maior estrutura parece uma pirâmide em degraus monolítica e complicada que se eleva de uma profundidade de 25 metros”, declarou Kimura sobre o formato do maciço.

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Não há consenso documental sobre a idade exata atribuída por Kimura a essa suposta ocupação: registros de 2003 ligados a um estudo na publicação científica Journal of Fossil Research cuja existência específica não foi confirmada de forma independente apontam uma estimativa de aproximadamente 10 mil anos, enquanto declarações do próprio geólogo em 2007 mencionaram a hipótese de vestígios de uma cidade de 5 mil anos.

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Do outro lado da discussão, a maior parte da comunidade geológica sustenta que o monumento se formou sem qualquer interferência de ferramentas humanas. Segundo essa avaliação, a aparência de escadarias e terraços é explicada pela estratigrafia clássica (o estudo das camadas de rochas sedimentares), uma vez que o arenito possui a propriedade física de se fragmentar ao longo de planos retos. “É geologia básica e estratigrafia clássica para arenitos, que tendem a quebrar ao longo de planos e oferecem essas bordas muito retas, particularmente em uma área com muitas falhas e atividade tectônica”, disse o professor Robert Schoch.

Além dos abalos sísmicos e das falhas geológicas constantes na região do Pacífico, os cientistas apontam a ação contínua da erosão pelas correntes marinhas e as marcas deixadas por organismos do oceano como fatores que moldaram e poliram as superfícies planas ao longo do tempo.

A descoberta de Kihachiro Aratake em 1986 e o mito da Atlântida japonesa

O primeiro avistamento moderno da formação rochosa ocorreu por acaso em 1986. Naquele ano, o instrutor de mergulho Kihachiro Aratake, diretor da Associação de Turismo de Yonaguni-Cho e fundador da operadora de mergulho Sou-Wes, explorava o mar ao redor da ilha em busca de novos pontos para a observação de tubarões-martelo quando se deparou com os paredões retos e as plataformas submersas.

A partir da divulgação das imagens, a semelhança visual com ruínas arquitetônicas rendeu ao ponto de mergulho o apelido popular de “Atlântida japonesa”, em alusão à ilha lendária descrita na Antiguidade pelo filósofo grego Platão que teria afundado no oceano após um desastre. Entusiastas também passaram a associar as rochas de Yonaguni ao mito de Mu, um continente perdido que, segundo lendas sem base histórica, teria existido no Oceano Pacífico.

Apesar da repercussão turística e das comparações populares ao longo de quatro décadas, a ciência nunca encontrou evidências materiais que comprovem a existência de uma civilização submersa na área ou qualquer vínculo com os mitos de Atlântida e Mu. Por falta de comprovação arqueológica, tanto a Agência para Assuntos Culturais do governo do Japão (órgão estatal que tem como porta-voz Emiko Ishida) quanto o governo da Província de Okinawa não reconhecem o Monumento Yonaguni como patrimônio ou artefato cultural importante e não realizam trabalhos oficiais de pesquisa ou preservação no local.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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