Delcy Rodríguez critica retorno de María Corina Machado como show

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María Corina Machado - Instagram Foto: María Corina Machado - Instagram

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, criticou nesta segunda-feira (26) o retorno da líder opositora María Corina Machado como um espetáculo que poderia ter sido evitado. A declaração ocorreu um dia depois de Machado chegar a Caracas em caravana, após cerca de 10 meses fora do país.

Machado, de 59 anos e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, reapareceu no domingo (25) em Barquisimeto e percorreu cerca de 400 quilômetros até a capital, cercada por milhares de apoiadores que agitavam bandeiras e gritavam “Liberdade!”.

Delcy Rodríguez chama o retorno de Machado de show

Rodríguez afirmou, em declarações transmitidas pela televisão estatal após evento no Hospital Militar Dr. Carlos Arvelo, que “o espetáculo poderia ter sido evitado os aeroportos estão aí”. Ela defendeu que a política deve ser tratada como assunto sério, ligado à vida dos cidadãos, e não como show. A interina evitou detalhar a rota de ingresso de Machado e afirmou que muitas pessoas beneficiadas por lei de anistia entraram por estruturas transitórias do aeroporto, sem confirmar se foi o caso da opositora. Rodríguez também pediu arrependimento e retificação a quem, segundo ela, pediu sanções e agressões externas contra o país, e negou a existência de perseguição política na Venezuela.

Machado fez a primeira aparição pública no Santuário da Divina Pastora, em Barquisimeto, no estado de Lara, onde agradeceu o retorno. Em seguida, liderou comboio de carros e motocicletas por estados como Yaracuy, Carabobo e Aragua até Caracas, onde chegou à noite. Fontes de seu partido e relatos de agências descrevem que ela chegou de avião particular do Panamá à Colômbia e cruzou a fronteira por terra. A oposição afirma que houve ao menos sete tentativas frustradas de retorno antes desta, após Machado ter deixado o país em dezembro de 2025 para receber o Nobel em Oslo, depois de quase um ano na clandestinidade.

Machado aberta a diálogo com a presidente interina

A porta-voz de Machado, Claudia Macero, declarou a uma rádio local que a líder “manifestou sua disposição de se sentar à mesa não apenas com Delcy [Rodríguez], mas com quem quer que seja necessário, perante o país, com total transparência e com uma agenda definida”. O retorno ocorre em meio a negociações de transição apoiadas pelos Estados Unidos, das quais Machado ficou de fora enquanto estava no exterior, principalmente no Panamá. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, informou que Washington havia comunicado às autoridades interinas, semanas antes, que Machado deveria poder retornar sem ser incomodada, e que as condições para o ingresso seguro resultaram das conversas de reconciliação.

Transição após captura de Maduro e papel dos EUA

A Venezuela mudou desde a saída de Machado: em janeiro de 2026, forças americanas capturaram o então presidente Nicolás Maduro em operação militar e o levaram aos Estados Unidos. Rodríguez, que havia sido vice de Maduro, assumiu a presidência interina com o aval de Washington. O governo interino prometeu eleições, mas ainda não definiu data. O partido de Machado, Vente Venezuela, defende eleições em 2027 e a possibilidade de candidatura dela, diferente do que ocorreu na última disputa presidencial. Rubio destacou que as conversas já resultaram na libertação de centenas de presos políticos e no retorno de figuras da oposição.

Eleições sem data e produção de petróleo limitada

A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas produz atualmente cerca de um milhão de barris de petróleo bruto por dia, abaixo da média histórica de três milhões de décadas atrás. Rodríguez concedeu a Washington acesso a parte das reservas e assinou acordos com empresas estrangeiras para exploração, produção e exportação de petróleo e gás. A crítica ao retorno de Machado reforça as tensões em torno da transição, enquanto a oposição pressiona por calendário eleitoral e participação plena no processo. O próximo passo oficial depende da definição de data para as eleições e da continuidade das conversas apoiadas pelos Estados Unidos.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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